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A insegurança nossa de cada dia: morte de petroleiros

26 de outubro de 2012 às 12:28

Em menos de uma semana, duas famílias foram duramente atingidas pela insegurança crônica que mata, adoece e mutila os trabalhadores que atuam direta ou indiretamente para a Petrobrás e suas subsidiárias.

Na madrugada do dia 23, morreu  Marco Antônio Camacho, 59 anos, funcionário da QUIP, empresa contratada pela Petrobrás para construir a plataforma P-55, que está sendo executada no Pólo Naval de Rio Grande (RS). Ele era responsável pela obra e foi atingido por um guarda-corpo da plataforma, que foi violentamente projetado contra ele após a soltura de uma peça que fazia a amarração da embarcação. O acidente ocorreu no dia 21. O trabalhador ainda foi socorrido com vida e hospitalizado em estado grave, mas não resistiu.

Uma semana antes, no dia 18, morreu Enivaldo Santos Souza, o Shalom, 48 anos de idade, 25 deles trabalhando na Petrobrás, onde foi contaminado por benzeno. Técnico de operação da Rlam, ele recebeu o diagnosticou de leucemia mielóide há 11 meses e desde então lutou como pode contra a doença, mas o seu corpo já estava muito debilitado.

Antes deles dois, pelo menos outros seis trabalhadores morreram esse ano para fazer a Petrobrás cada vez mais gigante no ramo de energia. Nos anos anteriores, foram mais de 300 vidas perdidas! Enquanto a empresa cresce, bate recordes e orgulha o povo brasileiro, os trabalhadores morrem, adoecem e ficam incapacitados em consequencia de uma gestão de SMS falha, autoritária e, infelizmente, sem perspectivas de mudanças.

Há cerca de um ano, a FUP tem regularmente se reunido com os gerentes executivos de SMS da Petrobrás para discutir propostas para uma nova política de segurança. No entanto, passadas 13 reuniões do Grupo de Trabalho de SMS, não houve qualquer avanço significativo que apontasse comprometimento dos gestores em alterar a atual realidade de insegurança e mortes que aflige os trabalhadores. Na segunda-feira, 29 , haverá mais uma reunião do GT e a FUP e seus sindicatos tornarão a cobrar da Petrobrás um posicionamento claro em relação à sua política de SMS.

No sepultamento de Shalom (o técnico da Rlam que morreu contaminado por benzeno), um de seus companheiros de trabalho, que acompanhou e denunciou o seu caso, cobrando providências da Petrobrás, fez um desabafo, que expressa o sentimento da maioria dos petroleiros: "Até quando veremos vidas serem dizimadas nas áreas operacionais da Petrobrás? Até quando a Petrobrás cometerá o crime de expor a vida e a saúde dos trabalhadores à sanha do lucro, à irresponsabilidade de gestores de todos os escalões? Até quando a Petrobrás deixará de cumprir as normas de segurança e higiene do trabalho? Até quando os gerentes e supervisores da Petrobrás, com sua ação ou omissão, continuarão matando os trabalhadores?".

Com a palavra, os gestores da Petrobrás.

FUP

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