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Formulando

A política, os aliados e o governo Dilma

O que se pode esperar do governo Dilma? Um governo social e economicamente mais avançado que o de Lula?

24 de novembro de 2010 às 21:21

Talvez... O certo é que, em grande medida, as possibilidades de êxito do novo governo estarão condicionadas à evolução da política. E, como tal, à movimentação das forças oposicionistas e dos aliados, no decorrer da gestão. Por isso, é justo afirmar que o comportamento do PMDB, do vice-presidente Michel Temer, terá papel decisivo. Afinal, Temer não é José Alencar; e, o PMDB de 2010, com 79 deputados eleitos, não será o PRB de 2006, que elegeu apenas um.

José Alencar, o vice de Lula, é um empresário do ramo industrial, com ingresso relativamente recente na vida político-institucional do País. Antes de ocupar a Vice-presidência da República, foi senador por Minas Gerais e presidiu a Federação das Indústrias daquele estado. Como vice-presidente, mostrou-se um incansável defensor dos interesses dos setores produtivos da economia nacional, criticando a política adotada pelo ex-ministro da Fazenda do primeiro governo Lula, Antonio Palocci, sobretudo, com relação às elevadas taxas de juro. Alencar, portanto, é um homem de convicções que, dentro do governo, aliou-se aos chamados desenvolvimentistas.

Já, Michel Temer, o vice de Dilma, é um político profissional conhecido por ser um hábil conciliador, e que preside uma verdadeira “Torre de Babel”. Uma agremiação política em que militam parlamentares que advogam mudanças na macroeconomia, ao lado de outros que defendem sua manutenção com unhas e dentes, como o atual presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. A rigor, o ponto de unidade nesse eclético agrupamento é a ocupação de espaços de poder. Por isso, não causa total estranheza o fato de que o partido já tenha ensaiado liderar um bloco de forças de centro-direita para pressionar a presidenta-eleita, antes mesmo de sua posse.

O movimento, logo criticado pelo presidente Lula, sinaliza que o êxito do governo Dilma dependerá, em grande parte, de sua capacidade de fazer frente às manobras conservadoras, tanto na oposição, quanto entre os aliados.

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