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Após a P-36, mais 145 petroleiros morreram em acidentes de trabalho na Petrobrás

14 de março de 2011 às 15:39

Dia 15 de março de 2001 é uma data que os petroleiros jamais esquecerão. Há dez anos, uma sequência de explosões na P-36, na Bacia de Campos, causou a morte de 11 trabalhadores e fez afundar a maior plataforma da Petrobrás na época. O acidente transformou-se em símbolo da falência de um modelo de gestão neoliberal, que foi intensificado pelos tucanos/PSDB ao tentaram sucatear a estatal, preparando-a para a privatização. Ao longo dos anos 90 e início dos anos 2000, eles reduziram a menos da metade o efetivo próprio da Petrobrás; terceirizaram atividades essenciais; cortaram e flexibilizaram uma série de direitos da categoria e impuseram uma política de SMS autoritária, voltada para garantir os lucros dos acionistas e culpar os trabalhadores pelos desastres ambientais da empresa.

Nestes últimos dez anos, o governo alterou os rumos da Petrobrás, os petroleiros recuperaram na luta vários direitos, mas os gestores da empresa pouco avançaram em duas questões que andam lado a lado e impactam milhares de trabalhadores: o SMS e a terceirização. As gerências locais continuam dando as cartas, atropelando acordos e a própria legislação. Enquanto isso, as unidades são transformadas em autênticas bombas relógio, alimentadas por um exército de trabalhadores expostos a condições precárias de saúde e segurança. Os números falam por si só: após a P-36, mais 145 petroleiros foram mortos em acidentes na Petrobrás, dos quais, 125 eram trabalhadores terceirizados. 

A complacência da direção da empresa com esta carnificina consolida e aprofunda políticas de SMS e de terceirização que perpetuam modelos de gestão neoliberais e autoritários. Vide a reação das gerências diante das reivindicações, mobilizações e enfrentamentos dos trabalhadores que denunciam esses absurdos. Quantas outras P-36 serão necessárias para que a Petrobrás reconheça que é urgente alterar drasticamente seus modelos de gestão? Até agora o contingente de trabalhadores mortos após o fatídico dia 15 de março de 2001 já equivale a mais de 13 tragédias do porte da P-36. Mais de 85% das vítimas estavam expostas a condições de trabalho precarizadas, em função da terceirização.

Fórum de SMS

Em resposta à pressão da categoria na campanha salarial do ano passado, a Petrobrás se comprometeu a realizar um fórum com os seus gestores e os representantes da FUP e dos sindicatos para debater a política de SMS da empresa e as propostas dos trabalhadores. A Federação propôs os temas que devem ser abordados nas mesas de debates e cobrou a participação do presidente e da diretoria da Petrobrás, assim como de todos os gerentes executivos de SMS.

Informações da FUP

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