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CAMPANHA REIVINDICATÓRIA

Assembleias reafirmam decisão dos petroleiros de entrar em greve no dia 16

Petrobras resiste em atender as reivindicações nas negociações. Maior impasse gira em torno do aumento real

08 de novembro de 2011 às 08:07

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Foto: Jana Sá

Reunidos em assembleias em todo o país desde a última quinta-feira (03), trabalhadores do Sistema Petrobras rejeitaram a contraproposta apresentada pela companhia no dia 31 de outubro em relação às cláusulas econômicas e sociais para o Acordo Coletivo de Trabalho 2011, e mantém a decisão de cruzar os braços por tempo indeterminado a partir do próximo dia 16.

No Rio Grande do Norte, o SINDIPETRO realizou assembleias na quinta-feira, 03 de novembro, nas sedes administrativas de Natal e da Base-34, em Mossoró, bem como nos locais de embarque, quando os petroleiros decidiram pela não aceitação da proposta apresentada pela Petrobras e reafirmaram o indicativo de greve por tempo indeterminado a partir do dia 16 de novembro, com parada e controle da produção. Contudo, o coordenador geral do Sindicato, Márcio Dias, esclarece que a decisão sobre uma possível paralisação só será tomada na próxima sexta-feira, para quando está programada uma reunião com todos os sindicatos para definir os próximos passos da campanha.

“A resposta da Petrobras está muito aquém do esperado, e se até o dia 10 a Petrobras não avançar nas propostas, a categoria deve decidir por uma greve forte, com parada de produção. Temos muito claro, entretanto, que não vamos penalizar a população, não deixando faltar, por exemplo, o gás de cozinha”, esclarece Márcio Dias.

Para a categoria, a estatal desprezou as reivindicações durante as sete rodadas de negociação, desde o início da campanha salarial. Os 9% de reajuste oferecidos pela Petrobras – com aumento real (acima da inflação) entre 1,27% e 1,65% – foram considerados "provocação" ante os 10% de ganho real reivindicados.

As propostas sobre saúde e segurança dos trabalhadores também não foram satisfatórias. A categoria defende melhores condições de segurança de trabalho aos efetivos e funcionários terceirizados. Desde 1995, 310 trabalhadores tiveram acidentes fatais na Petrobras e subsidiárias. Só neste ano, 16 petroleiros morreram. Desses, 14 eram terceirizados. Durante as negociações, a estatal comprometeu-se a diagnosticar o sistema de segurança, mas ainda não propôs medidas imediatas.

“Queremos uma nova política de segurança e reabrir a discussão sobre plano de cargos e salários, e estamos com divergência em relação ao reajuste. Enquanto a Petrobras oferece ganho real entre 1,27% e 1,65%, reivindicamos 10%. Estamos falando da empresa que mais cresce no mundo”, ressalta Márcio.

Desde o início de outubro, os petroleiros vêm realizando uma série de protestos com atrasos a fim de sensibilizar a direção da Petrobras. No entanto, a postura adotada pela categoria não foi o suficiente. “A Petrobras continua resistente em avançar no atendimento das principais reivindicações dos petroleiros", afirma a diretora de Formação Política Social do SINDIPETRO-RN, Fátima Viana.

As assembleias, que estão aprovando a greve, ainda estão sendo realizadas em alguns estados. O prazo definido em reunião do Conselho Deliberativo da FUP para o encerramento das negociações com a empresa e subsidiárias é a próxima quinta-feira (10).

Em nota, a Petrobras limitou-se a informar que apresentou às entidades sindicais propostas de cláusulas econômicas e sociais para o Acordo Coletivo de trabalho 2011. “Além de um reajuste de 9% e gratificação de 90% de uma remuneração, a empresa propõe avanços em diversos itens relacionados ao plano de saúde e previdência dos empregados, condições de saúde e segurança, entre outras questões". Mas a estatal não comentou os efeitos de uma possível paralisação.

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