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Atividade petrolífera perde força e cidades desaceleram

04 de abril de 2014 às 10:43

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Foto: Alex Regis / Tribuna do Norte

A queda na produção de petróleo registrada neste mês é o anúncio de uma crise que espreita desde 2011. Cidades que  tem a economia embasada na cadeia petroleira têm sofrido com a redução na quantidade de empregos ofertados e com a desaceleração do comércio e dos serviços.

Polo estadual na produção de combustível, Mossoró tem visto o varejo despencar: somente nos últimos dois anos, 120 empresas que prestavam serviço para a Petrobras pediram baixa ou quebraram. “A redução nos investimentos da Petrobras na cidade reduz a renda e o poder de consumo”, justifica o diretor executivo do Comitê de Dirigentes Lojistas (CDL) de Mossoró, Élvio do Carmo Rebouças. O que desemboca em corte de funcionários:a CDL estima que 2800 tenham perdido em emprego no setor. Serviços de perfuração de poços, exploração e transporte de combustível foram os mais atingidos.

A rede hoteleira é outra que tem sentido o impacto. Somente o Hotel Sabino Palace, que recebia a maior parte dos petroleiros da região, teve uma queda de 75% na ocupação deste segmento. “Nossa clientela era formada principalmente por executivos e engenheiros, mas a Petrobras tem enviado a maior parte dos seus funcionários para fora de Mossoró. É uma crise muito forte, que atinge toda a rede hoteleira e a cadeia produtiva da cidade”, opinou João Sabino, proprietário do hotel.

O presidente da Associação de Engenheiros da Petrobras (AEPET) no RN, Solon Fagundes, aponta uma migração dos funcionários de alto nível da cadeia petroleira. “Há uma redução geral de pessoal devido a finalização de grandes projetos, pois seus picos de emprego já passaram. Também tivemos a mobilização de empregados próprios para as bacias de Campos e do Pré-Sal”, afirma Fagundes. 

O presidente também ressalta, porém, que a redução nos investimentos da Petrobras é causada pela inexistência de novos projetos de exploração no estado. Somente na região de Mossoró, que corresponde a metade da produção da bacia potiguar, não são ofertados novos blocos de exploração desde 2007. “A ANP congelou o desenvolvimento terrestre do RN desde que resolveu não disponibilizar novos blocos exploratórios. Sem blocos, sem exploração e produção. Sem produção, os empregos vão embora”, analisou.

A Petrobras foi procurada para detalhar os índices de produção e as novas políticas de investimento para o estado, mas afirmou, por meio de assessoria de imprensa, que não poderia responder até o fechamento desta edição.

Saiba Mais

Em março deste ano, a estatal confirmou que encontrou óleo médio em perfurações realizadas em águas profundas na Bacia Potiguar. Ainda não foi detalhado, porém, como a descoberta vai influenciar a produção do Rio Grande do Norte.  Denominado informalmente de Pitu, o poço localiza-se em profundidade de 1.731 metros, a 55 quilômetros da costa do Rio Grande do Norte. Em dezembro, a Petrobras afirmou que a primeira descoberta de petróleo em águas profundas no RN trata-se “da abertura de uma nova fronteira exploratória na região”

Bate-papo - Carlos Henrique Jerônimo
Prof. e pesquisador do mestrado em engenharia de petróleo e gás da UnP

“O RN perdeu competitividade em relação ao Brasil”

O que justifica essa redução na produção petrolífera do RN?
Essa oscilação não representa quase nada para a produção do estado. A variação é justificada por paradas programadas e troca de equipamento, não pela redução da capacidade de produção. O que temos em andamento é uma mudança nos investimentos estruturantes por parte da Petrobras, que tem adotado uma política de redução de investimentos em obras de recuperação e novas explorações. Se essa retração de investimentos continuar, os poços vão produzir menos e só então a produção do estado pode ficar comprometida.

A Petrobras está mais focada em investir na exploração marítima e no Pré-sal? É mais rentável?
Petróleo em terra e mar são muito diferentes. Olhando pela ótica do investimento, o mar é muito superior do que a terra pelo tamanho das reservas. Mesmo que o custo seja alto, a produção cobre a despesa. Já em termos operacionais, o petróleo em terra é superior, pois demanda menos tempo entre a perfuração e o início da produção, sem falar em termos de logística e estrutura, que é bem mais simples. Não vou dizer que a política adotada pela Petrobras é certa ou errada. É uma medida econômica.

Especialistas dizem que a bacia potiguar já está em fase de declínio. Até quando ela pode ser explorada?
Não existe um número cabalístico para o fim da exploração dos poços. É preciso investimento em ampliação e recuperação. Ainda temos uma margem muito grande para investimentos em recuperação secundária e terciária.

Podemos dizer que o RN tem perdido competitividade na cadeia produtiva do petróleo?

Considerando a diminuição e estabilização da produção, o desligamento de profissionais, a diminuição dos investimentos, as migrações para outros estados, é possível dizer que há uma redução na competitividade em relação aos postos em terra do Brasil. 

A descoberta do primeiro poço de águas profundas no RN, o campo de Pitu, pode retomar a produção?
Sim, mas é um investimento a médio prazo. Só em três ou quatro anos poderemos ver o resultado.

Tribuna do Norte 

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