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Berlusconi é indiciado por prostituição de menor

15 de fevereiro de 2011 às 16:27

A juíza Cristina Di Censo determinou nesta terça (15) que o primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, seja julgado pela acusação de pagar para ter relações sexuais com uma menor e de ter usado seu poder para tentar encobrir caso. O processo deve começar em 6 de abril, já que os promotores de Milão, que apresentaram a acusação, tinham pedido um julgamento imediato para o premiê.

De acordo com o código penal italiano, para que a promotoria possa solicitar o procedimento imediato, em que não se prevê a realização de uma audiência preliminar, é necessário que exista uma prova evidente e que o suspeito tenha sido convocado a depor sobre os fatos.

O julgamento está previsto para começar às 9h30 no horário local, e será presidido pelas juízas Carmen D'Elia, Orsolina De Cristofaro e Giulia Turri, do Tribunal de Milão.

Embora Berlusconi já tenha sido julgado por acusações ligadas aos seus negócios, esta é a primeira vez que o bilionário premiê de 74 anos enfrenta um processo por conduta pessoal. Ele nega as acusações.

Italianas derrubaram popularidade do primeiro-ministro

A série de manifestações que no último domingo (13) levou centenas de milhares de italianos - grande parte mulheres - às ruas em cidades como Roma, Milão, Gênova, Turim e Palermo para defender a dignidade da mulher e expressar sua indignação pelos escândalos sexuais protagonizados por Silvio Berlusconi resultou na queda da popularidade do primeiro-ministro nas pesquisas.

Uma enquete da publicada na segunda-feira (14) pelo jornal "La Repubblica" mostra que o carismático líder é neste momento o político menos valorizado do país: entre os dez nomes propostos, o do magnata ocupa a última posição. Além disso, aponta que se houvesse eleições antecipadas, Berlusconi perderia sem apelação, ainda que não se saiba quem seria o líder da oposição.

O primeiro-ministro tentou conter a deterioração nacional e internacional de sua imagem dando uma entrevista ao programa "La Telefonata" do canal 5, na qual qualificou o maciço protesto popular como "uma vergonha" e como "uma mobilização falaciosa, organizada pela esquerda para apoiar o teorema judicial". Referia-se ao caso Ruby (a jovem marroquina prostituída quando era menor de idade), no qual é acusado de prostituição de menores e corrupção, e no qual arrisca 15 anos de prisão.

Apesar de não haver referências a sindicatos ou grupos militantes, a maioria da direita viu as manifestações como um ataque político. "As pessoas que se manifestam em inúmeras cidades italianas pertencem ao movimento anti-Berlusconi promovido pela esquerda", afirma Fabrizio Cicchitto, chefe dos deputados do Povo da Liberdade (PDL, de Berlusconi).

O primeiro-ministro replicou aos que atribuem a degradação da mulher à conexão entre sua forma de exercer o poder e o estilo de suas televisões privadas: "As mulheres sabem quanta consideração tenho por elas, sempre me comportei com elas com grande atenção e respeito, em minhas empresas e no governo", disse.

Da Redação com Agências

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