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Balanço II

Campanha não terminou: “Pauta pelo Brasil” é oportunidade de interferir nos rumos da Petrobrás

25 de novembro de 2015 às 13:24

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Foto: Gilson Sá

Não superestimar nem subestimar. É assim que a Diretoria Colegiada do SINDIPETRO-RN se posiciona diante daquele que, até agora, pode ser considerado o principal saldo da campanha reivindicatória dos trabalhadores e trabalhadoras do Sistema Petrobrás: a formação de um Grupo de Trabalho com a missão de elaborar propostas relacionadas à gestão estratégica e à política de investimentos da companhia.

Isso, porque, de acordo com a avaliação realizada pelos dirigentes sindicais norte-rio-grandenses, dependendo da forma com a qual os trabalhadores se relacionem com aquela conquista (a criação do GT), a discussão dos pontos constantes da “Pauta pelo Brasil” poderá resultar na criação de condições favoráveis à revisão do Plano de Negócios e Gestão da Petrobrás, numa conjuntura que ainda se mostra adversa, com ameaças à integridade da companhia.

Formado paritariamente por técnicos representantes da empresa e dos trabalhadores, o Grupo de Trabalho terá 60 dias para elaborar um relatório a ser encaminhado à Direção da Petrobrás e ao Governo Federal. Mas, para que o debate e as proposições nele surgidas sejam capazes de se contrapor à lógica privatista defendida pelo “mercado”, será necessário entender que a campanha reivindicatória ainda não acabou, apesar da assinatura do Acordo Coletivo. E isso implica reavivar o debate sobre os objetivos do movimento.  

Nesse sentido, para a Diretoria do SINDIPETRO-RN, a estratégia adotada pela FUP para a condução da campanha reivindicatória revelou-se inteiramente acertada e permanece atual. Posicionar a negociação do Acordo Coletivo com o pleito de “nenhum direito a menos!”, inserindo-o em uma pauta mais ampla, contendo pontos relacionados à defesa da integridade da Petrobrás, foi uma demonstração de ousadia política que, corretamente, buscou transformar ameaças em oportunidades.

Estado de greve

Ainda de acordo com o balanço realizado pela Diretoria do SINDIPETRO-RN, suspender a greve mediante a garantia de manutenção de todos os direitos adquiridos pelos trabalhadores foi uma resolução correta. Para os sindicalistas, a mobilização foi interrompida a fim de que a categoria pudesse enfrentar uma discussão crucial, que diz respeito aos rumos da Petrobrás e à economia do país. E é por isso que a decisão de suspender o movimento veio acompanhada da aprovação do Estado de Greve.

No entendimento dos sindicalistas, o Estado de Greve implica manter a categoria atenta e mobilizada, acompanhando e interferindo nos debates que se processarão no Grupo de Trabalho. Nele, com o respaldo da base, a intervenção da representação dos trabalhadores deverá propor alternativas para o endividamento da empresa que preservem os ativos e que levem em conta os impactos da redução dos investimentos no PIB, na geração de empregos, na balança comercial do setor e na arrecadação de royalties. Esta linha de atuação, inclusive, permitirá aos petroleiros buscar aliados em diversos segmentos sociais.

Sintonia de estratégia

No Rio Grande do Norte, em sintonia com a estratégia nacional do movimento sindical petroleiro, o SINDIPETRO-RN já vem desenvolvendo iniciativas visando à constituição de um grupo de trabalho destinado a investigar a realidade que envolve a atividade de exploração dos campos maduros da Bacia Potiguar e o papel desempenhado pela Petrobrás na indústria local e no conjunto da economia.

Munida de uma proposta de roteiro para a elaboração do estudo, a Diretoria da entidade vem mantendo contato com diversas entidades e instituições, e pretende promover um seminário, ainda na primeira quinzena de dezembro, em que participem representações do Dieese, IBGE, UFRN, Governo do Estado, prefeituras de municípios das regiões produtoras e de outros setores interessados, além da própria Petrobrás.

O objetivo maior dessas ações é demonstrar porque, dos pontos de vista técnico, econômico, social e político, a exploração de petróleo e gás nos campos maduros no Rio Grande do Norte deve permanecer sob responsabilidade da Petrobrás.

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