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Economia

Carta Capital: Por que o lucro pequeno da Petrobras engana?

Matéria informa que "resultado operacional do segundo trimestre é até melhor que o de 2014".

12 de agosto de 2015 às 12:10

Decidimos reproduzir matéria publicada em Carta Capital por transcrever uma análise que consideramos correta sobre os resultados obtidos pela Petrobrás no segundo trimestre de 2015. No entanto, discordamos da opinião, também presente nesta matéria, com relação à solução para os problemas atualmente vivenciados pela Petrobras.

 

A Petrobras divulgou na quinta-feira, 6, que teve um lucro líquido de 531 milhões de reais no segundo trimestre de 2015. O valor contrasta fortemente com o ganho do trimestre anterior, de 5,33 bilhões de reais, ou com o resultado do segundo trimestre de 2014, de 4,96 bilhões de reais.

O lucro pequeno surpreendeu os analistas de mercado, que esperavam um valor em torno de 4 bilhões de reais, e deixa a pergunta: como explicar essa diferença tão gritante entre expectativa e realidade? "Esse relatório é um tanto 'sujo', há várias coisinhas não recorrentes que aparecem o tempo todo", explica o analista Daniel Marques, da Gradual Investimentos.

Os fatores não recorrentes são uma despesa tributária de IOF com a Receita Federal no valor de 4,4 bilhões de reais e uma baixa no valor de ativos [impairment, no jargão financeiro] de 1,3 bilhão de reais. A inclusão desses fatores no balanço reduziu drasticamente o lucro líquido trimestral. Sem eles, ele até passaria dos 4 bilhões de reais esperados pelos analistas.

"Ninguém no mercado acertou o resultado do balanço porque ninguém esperava valores de impairment e IOF dessa magnitude", resume Marques. Ou, como diz Walter de Vitto, da Tendências Consultoria, o pagamento de IOF e o impairment obscureceram o resultado final e dão a impressão de que ele é uma desgraça. "Mas não, ele é razoavelmente positivo."

Deixando de lado esses fatores, o resultado operacional do segundo trimestre de 2015 é até melhor do que o do segundo trimestre de 2014. Isso é visível sobretudo no lucro operacional, que cresceu 7%, para 9,5 bilhões de reais. Já a geração de caixa [Ebitda, no jargão financeiro, ou seja, o lucro antes de se pagar impostos e juros e sem descontar as depreciações] subiu 21,7%, para 19,8 bilhões de reais. O lucro operacional do primeiro semestre de 2015 é 39% superior ao dos primeiros seis meses de 2014.

"Se você olhar o resultado operacional, ele na verdade melhorou. Ou seja, o resultado daquilo que a Petrobras produz e vende menos os custos melhorou", afirma Vitto. Para ele, é possível ver o início de um processo de recuperação da empresa. "O fato de o lucro líquido ter sido muito baixo maquia os primeiros resultados dessas medidas que estão sendo tomadas", diz. Entre as medidas está o realinhamento de preços dos combustíveis, que aos poucos deixam de ser subsidiados pelo governo.

Apesar dos sinais positivos, há um problema que segue sem solução: o pesado endividamento da petrolífera. A dívida da Petrobras soma 415 bilhões de reais. A maior parte desse valor – cerca de 305 bilhões – está em dólar e, portanto, sujeita às variações de câmbio.

Analistas de mercado (grifo do SINDIPETRO-RN) são unânimes em afirmar que não há solução de curto prazo para esse problema. A dívida é, em parte, resultado de um plano de investimentos para elevar a produção de petróleo e que se mostrou ambicioso demais. Além disso, a empresa arcou por muito tempo com os prejuízos causados pela política de controle de preços de combustíveis do governo. O objetivo desse controle era impedir o aumento da inflação.

A solução, agora, passa por cortar investimentos. A Petrobras chegou a responder por 10% de todos os investimentos feitos no país. "É um percentual brutal, que estrangulou a empresa", avalia Vitto. "O importante agora é priorizar os investimentos rentáveis e abandonar os não rentáveis." Outra medida para reduzir a dívida é a geração de caixa, que pode ser alcançada também com a venda de ativos ou a com planejada abertura de capital da BR Distribuidora.

 

(Fonte: Carta Capital)