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Caso Rhanna: universitária diz que defende causa da violência contra a mulher

24 de outubro de 2011 às 10:41

A estudante universitária Rhanna Diógenes, 19, agredida em uma boate de Natal, está processando Rômulo Lemos do Nascimento, 29, a quem ela atribui o crime de agressão. Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, Rhanna afirmou que Rômulo agiu com agressividade, por ela não ceder a suas investidas.

A universitária conta que outras pessoas tem acusações contra ele, todas por agressão e ameaça, e diz que não vai descansar enquanto Rômulo Lemos não pegar pelos crimes que cometeu.

Confira a entrevista:

1 O que foi que aconteceu naquele dia na boate?

Eu estava sentada junto com uma amiga, por volta de 1h da manhã, quando Rômulo se aproximou, já bem agressivo, querendo me beijar. Eu disse que não queria e ele começou a me xingar. Eu e minha amiga nos levantamos e fomos para o dance. Meia hora depois, eu estava andando e senti alguém puxando meu braço. Quando vi, era ele. Ele tentou me beijar de novo, e eu disse que não. Começou de novo os xingamentos e nós iniciamos uma discussão. Ele começou a puxar meu braço, e minha amiga viu a situação e pediu para que um amigo dele intervisse. Eu vi que ele não se intimidou com a presença do meu amigo, e joguei meu refrigerante nele. Na mesma hora ele me deu o golpe, que ocasionou a fratura dos meus dois ossos do antebraço, precisando colocar duas placas de titânio e 16 pinos.

2 Um vídeo das câmeras de segurança mostra a abordagem de Rômulo a você, e depois você vai ao chão. O que foi que ocorreu nesse momento?

Ele está segurando o meu braço, na hora que eu jogo o refrigerante, e, na verdade, eu não caio. Ele que me leva até o chão. Eu tentei resistir, mas acabei caindo. Uma dor horrível. Convalesci em vários momentos, mas a mesma dor me manteve acordada para segurar meu braço, porque eu já senti que ele estava solto

3 Você afirmou que há uma testemunha ocular que afirma que Rômulo deu um golpe no seu braço, e este golpe provocou as fraturas.

Isso. Essa testemunha ocular entrou em contato comigo. é o homem que aparece no vídeo com a camisa listrada. Ele viu tudo, desde o início. Ele me socorreu e me ajudou a levantar.

4 Você conhecia Rômulo? Já o tinha visto alguma vez?

Não, eu nunca tive contato com Rômulo antes. Mas ele me é familiar. é possível que eu o tenha visto em algum lugar.

5 Há relatos de que Rômulo já agrediu outras mulheres. Quem é Rômulo Manoel Lemos do Nascimento para você?

Rômulo é um rapaz que tem uma personalidade muito violenta. Descobrimos que há uma ação penal contra ele tramitando em Parnamirim, da sua ex-companheira por violência doméstica. descobrimos mais quatro BOs, cinco o meu. Um é da ex-namorada, por agressão, um do atual namorado da ex-namorada, por ameaça, e mais dois de mãe e filha, que eu não sei precisar se houve agressão, mas foi também de  ameaça.

6 depois de que seu caso tornou-se público, você foi procurada pela imprensa, mas não quis manter contato. Mas você mudou sua postura. Por que?

Acho que o povo já está cansado de me ouvir, mas isso é a verdade. Deixou de ser meu caso, e virou minha causa. como estudante de Direito, pretendo seguir nesse caminho da violência contra a mulher. E a minha mudança ocorreu porque recebi muitas mensagens de apoio, dos meus familiares, que me elegeram como porta-vez e eu me incumbi dessa responsabilidade. Vesti a camisa e vou até o fim.

7 O que você espera?

Espero que a Justiça seja feita. Todos nós esperamos, meus familiares também. Esperamos que ele pague na medida necessária e proporcional ao crime que ele cometeu, e aos outros crimes que ele havia cometido também.

8 Há uma novidade no caso. Na última sexta-feira, Rômulo entrou com um pedido de hábeas corpus preventivo, que o resguarda de prisão, se ela for decretada. Como você vê isso?

Eu espero que seja negado, porque isso é um absurdo.

9 O que você espera do seu futuro?

Muitas conquistas, muitas vitórias, muita satisfação, porque eu espero percorrer no caminho em busca de evitar que Rômulo não faça mais vítimas, já que não posso voltar no tempo e deixar de ser uma vítima dele. No aspecto geral, espero que o que comigo se torne algo útil, porque o tipo de violência que eu sofri, violência de um desconhecido em um lugar público, é a que se torna mais comum entre os jovens hoje em dia. A mulheres saem para se divertir, recebem cantadas de certos rapazes e, quando negam, recebem  puxões de cabelo, empurrões, beliscões, e chegam a cair, e se machucar. Isso eu soube através de pessoas que entraram em contato comigo e me falaram que aconteceu com elas. eu espero realmente que as pessoas que sofrem agressão também denunciem.

10 Você teme alguma coisa, por ter abraçado esta causa?

Não. De forma alguma. Tenho meus familiares do meu lado, e com o apoio que estou recebendo não tenho nada a temer. Se o senhor esta falando de morte, esta é a única certeza na vida. Se eu morrer mais cedo, que seja por uma coisa útil.

Assista ao vídeo!

 

Fonte: Tribuna do Norte

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