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Comunicado: Sindicato faz balanço da greve e orienta estratégia do movimento

02 de agosto de 2016 às 15:35

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Foto: Arquivo

Em comunicado emitido à categoria petroleira na madrugada desta terça-feira, 2, a Diretoria Colegiada do SINDIPETRO-RN avaliou o início da greve no Rio Grande do Norte e esclareceu a estratégia que vem sendo adotada para a condução do movimento.

Para os dirigentes sindicais, os problemas enfrentados pela categoria “devem ser tratados como questões de natureza social (enquanto um problema que diz respeito ao conjunto da sociedade) e política (cuja solução deve ser pública e amplamente debatida pela sociedade)”.

O Colegiado defende que “os desafios postos na atualidade não se resolverão em âmbito restrito, exigindo solução pública”. Segundo o texto, “o Sindicato necessita projetar-se cada vez mais para além das negociações diretas, desatrelando-se de dinâmicas que nos coloquem na condição de reféns das iniciativas da empresa”.

Veja, a seguir, a íntegra do comunicado à categoria.

AOS PETROLEIROS E PETROLEIRAS

Ontem, 1º de agosto, iniciamos a nossa greve e, com ela, uma intensa jornada de luta e resistência. Nas diversas bases do RN, estamos promovendo a suspensão de Permissões de Trabalho – PTs, ao mesmo tempo em que buscamos intensificar a mobilização para realizarmos, com passos firmes e responsáveis, a construção de uma greve nacional forte e unificada.

Exemplo desse esforço foi a ação realizada em um dos maiores campos de produção terrestre da Petrobrás no país: Canto do Amaro, na região oeste do Estado. Nele, alcançamos e superamos os efeitos desejáveis para o cumprimento da greve de período determinado, preservando coletivamente todos os trabalhadores e trabalhadoras.

Concomitantemente às ações sindicais, seguimos em busca da abertura de canais de diálogo com a sociedade e, de maneira especial e objetiva, com aqueles segmentos mais afetados pela saída da PETROBRAS da realidade do seu dia a dia. Nessa perspectiva é importante considerar que o nosso movimento sugere uma dinâmica contrária à lógica privatista, nuclear no discurso hegemônico, ao se impor como um acontecimento público.

A publicização do movimento vem resultando de uma combinação de elementos, tais como: a necessidade de buscar apoio junto a outros segmentos da sociedade e à opinião pública em geral; o caráter dramático da questão do desemprego; o sentido simbólico, de resistência, encampado por setores que se colocam de alguma maneira em uma perspectiva de oposição à lógica privatista.

Também as audiências e reuniões públicas articuladas e organizadas pelo sindicato têm sido fundamentais para dar visibilidade ao movimento e produzir repercussão nos veículos da mídia. Nelas, temos conseguido, inclusive, arregimentar apoio mais amplo às nossas lutas, a partir da produção de uma releitura pública da problemática que envolve a PETROBRAS.

Para além do sentido estritamente contábil, mercadológico ou técnico, as reuniões e audiências vêm demonstrando que a existência e a atuação da PETROBRAS devem ser tratadas como questão de natureza social (enquanto um problema que diz respeito ao conjunto da sociedade) e política (cuja solução deve ser pública e amplamente debatida pela sociedade).

Paralelamente, seguimos atentos e cuidadosos com a construção da luta de resistência. Diariamente, temos percorrido as bases, abordando diversos atores, para que o otimismo que sempre sentimos, e que nos revigora nos momentos de luta, possa culminar concretamente em ações e mobilizações capazes de produzir os efeitos desejados por todos nós, não se restringindo a uma simples exteriorização de nossos desejos.

Nessa disputa de poder, em que a correlação de forças entre trabalhadores, sindicatos e empresas mostra-se bastante desigual e desequilibrada, somos chamados a assumir crescentes responsabilidades sociais. E a tarefa de compor uma estratégia consistente, capaz de, simultaneamente, promover ampla resistência, não expor trabalhadores e trabalhadoras e, sobretudo, dizer não ao desemprego e apresentar propostas, tem sido o grande desafio do Sindicato.

A luta contra a extinção de postos de trabalho, a ampliação da terceirização, a precarização da ambiência e da segurança, o desrespeito a regimes e a outros direitos trabalhistas mira a mesma política que promove a redução do número e dos valores de contratos de prestação de serviços, o abandono de atividades e fechamento de empresas, a redução na arrecadação de impostos e no repasse de royalties para o Estado e municípios.

Por isso, na medida em que tais desafios não se resolvem em âmbito restrito, exigindo solução pública, o Sindicato necessita projetar-se cada vez mais para além das negociações diretas, desatrelando-se de dinâmicas que nos coloquem na condição de reféns das iniciativas da empresa. E, assim sendo, resta saber se seremos capazes de ir adiante, reconhecendo-nos como sujeito social e político importante e influente no cenário nacional.

FORÇA, LUTA E RESISTÊNCIA!

DIREÇÃO COLEGIADA

 

SINDIPETRO-RN

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