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Entrevista

Coordenador do SINDIPETRO-RN fala sobre a situação dos petroleiros e o momento de crise na Petrobrás

Direção do Sindicato exige ampla e rigorosa apuração das denúncias de corrupção na Companhia

22 de dezembro de 2014 às 14:06

destaque

Foto: O Mossoroense

 

José Araújo é funcionário de carreira da Petrobras, e hoje atua como coordenador-geral do Sindicato dos Petroleiros e Petroleiras do Rio Grande do Norte (SINDIPETRO-RN). Atuando na luta sindical há mais de 25 anos, José é um dos principais quadros do Estado no que se refere à estatal de petróleo.

Na entrevista do Universo, ele fala sobre a situação dos trabalhadores na empresa, as lutas e bandeiras do sindicato e o atual momento de crise na Petrobras, destacando a “Operação Lava Jato”. Confira.

O Mossoroense: Em 2014 a Petrobras deixou de renovar vários contratos com Empresas terceirizadas no Estado devido uma possível retração de investimentos. Como o SINDIPETRO - RN ver a posição da Companhia neste sentido?

José Araújo: O SINDIPETRO - RN sempre vem lutando há muitos anos pela ampliação dos investimentos da Petrobras, principalmente a partir de 2010 quando passamos a envolver mais a sociedade, a classe empresarial e politica do Estado. O que acontece é que há um segmento político e empresarial que defendem o afastamento da Petrobras das atividades no Rio Grande do Norte e que os Campos Terrestres de Produção sejam repassados para os pequenos produtores independentes de petróleo. Isso é um equivoco sem precedentes, pois os produtores independentes de petróleo não investirão U$ 1,5 bilhões de dólares anualmente. Caso isso aconteça, nosso estado sofrerá uma brutal recessão, pois a Petrobras sozinha responde por cerca de 49% da atividade industrial no Rio Grande do Norte.

Continuamos defendemos que os atuais investimentos seja triplicados, pois temos reservas em terra de mais de 1 bilhão de barris de petróleo, temos um grande potencial de reservas nos campos marítimos em águas profundas e ultra-profundas, em mais de 10 bilhões de barris de petróleo, além de intensificar as buscas por gás nautural.

Além de suas atividades próprias, a Petrobras tem contribuído decisivamente com nosso estado, com a produção de energia eólica e energia solar. Portanto a hora é de todos os segmentos produtivos, social, político, empresarial e estudantil em se unirem pela defesa e fortalecimento da Petrobras.

 OM: O Rio Grande do Norte pode voltar a ter destaque na área de exploração de Petróleo? Quais são as perspectivas para 2015?

José Araújo: Sim, e para que isso aconteça, precisamos lutar para que os projetos existentes sejam executados, os recursos se elevem de U$ 1,5 bilhão para U$ 5 bilhões de dólares anuais para buscarmos petróleo em terra e no mar, pois todos os estudos apontam para um potencial de reservas de petróleo em mais de 12 bilhões de barris esperando para serem explorados.

OM: Já existe um cronograma de atividades do sindicato para 2015, visando melhorias salariais e profissionais para a categoria?

José Araújo: Sim. Já estamos em fase final de planejamento das atividades sindicais visando a implementação de mecanismos que evitem a fraude e o abandono dos contratos que penalizam os trabalhadores e trabalhadoras, a luta pela ampliação dos investimentos da Petrobras no Estado, especialmente na perfuração de novos poços de petróleo e gás, gerando desta forma a abertura de novas vagas na atividade de perfuração. Em maio de 2015, será realizado o XXIX Congresso Estadual dos Petroleiros e Petroleiras e em julho o Congressa Nacional, que discutirá a pauta salarial e reivindicatória da categoria, as formas de lutas e nossas estratégias de campanha salarial.

OM: Em linhas gerais, como estão as condições de trabalho dos petroleiros próprios e terceirizados do RN?

José Araújo: São dois mundos distintos e que precisamos torna-los iguais. Temos um Acordo Coletivo de Trabalho com salários e benefícios razoáveis, boas condições de trabalho e uma razoáve qualidade de vida. Mas todas as conquistas que se refletem o ACT, são frutos de muitas lutas, greves e sacrifícios. Muitas demissões, perseguições e incompreensões.

Infelizmente a realidade do Setor Privado e Terceirizados é de muita carência, precarização, longas jornadas de trabalho e, em muitos casos, chegam a se assemelham a escravidão. Temos lutado muito para mudar esta realidade, mas não temos tido sucesso, pois o mundo capitalista é muito cruel, insensível e desonesto.

OM: De acordo com dados do setor jurídico do sindipetro, foram realizados até o mês de novembro 489 demissões no estado. Existe perspectiva para retorno dessa mão para o mercado em 2015?

José Araújo: Nossa luta será sempre a de buscar a segurança do emprego. Mas para isso precisamos envolver toda a sociedade e melhorar a legislação trabalhista e não precarizar ainda mais as relações de trabalho como pretende a banca empresarial no congresso nacioanl. Por força da luta do SINDIPETRO-RN, temos a certeza que, apesar de todos estes problemas que a Petrobras vem enfrentando, acreditamos na recuperação dos postos de trabalho. Estão previstas a contratação de 5 Sondas de Perfuração, o que por sí só empregará mais de 600 pessoas.

OM: Em sua visão, como a última campanha eleitoral, e a vitória de Dilma Rousseff (PT), influenciam a organização sindical dos petroleiros brasileiros?

José Araújo: Claro que não. O movimento Sindical é independente de governos e patrões. Neste segundo turno das eleições presidenciais o que estava em jogo eram dois projetos antagônicos de Nação. De um lado, a candidatura de Aécio Neves significava o retorno a um modelo de governo voltado para atender os interesses do capital estrangeiro e das elites conservadoras brasileiras. Uma casta constituída por menos de 3% da população , integrada por banqueiros e especuladores; megaempresários associados aos monopólios transnacionais e “proprietários” de vastas extensões territoriais, nas quais não há produção ou as terras são escassamente exploradas, ou seja um retrocesso político, econômico e social sem precedentes! Do outro lado as forças progressistas, encabeçada pela Presidenta Dilma Rossulfe que representava a continuidade do ciclo iniciado em 2002, com a eleição de Lula. Esse projeto político é o que tem mais condições de favorecer os trabalhadores e o povo na luta por transformações progressistas, por isso decidimos apoiar a Presidenta Dilma

OM: Qual a posição do SINDIPETRO – RN em referencia a operação Lava Jato investigada pela Polícia Federal?

José Araújo: A direção do SINDIPETRO – RN exigir AMPLA e RIGOROSA apuração de todas denúncias de corrupção na Petrobrás e punição a TODAS as pessoas comprovadamente envolvidas. Fazemos isso, não apenas com a perspectiva de salvaguardar os bons valores e práticas éticas na gestão da coisa pública, mas também com o intuito de preservar e fortalecer um patrimônio que pertence ao povo brasileiro. Com tais preocupações – e não por acaso, o movimento sindical petroleiro vem criticando, há anos, a desenfreada política de terceirização e o modelo de contratação de serviços adotados pela Petrobrás desde a década de 90. Ambos, em nossa opinião, além de contribuírem para a degradação e precarização das relações de trabalho, são fatores que favorecem a prática da corrupção, tornando duvidosa a eficácia dos mecanismos de fiscalização e controle existentes na Companhia.

OM: De que maneira a Entidade aconselha seus filiados e a população norte rio-grandense a enfrentar o caso?

José Araújo: Em primeiro lugar estes desvios ora verificados na Petrobras não é novidade para nós. A sangria vem desde os governos militares e tendo se aprofundado muito no Governo FHC. O sindicato vem, e ao longo dos anos, denunciando insistentemente tais ilicitudes, infelizmente as autoridades competentes fizeram vistas grossas. Companhia além de ser a maior empresa da América Latina, é também o mais valioso patrimônio do povo brasileiro, construído com a inteligência e o suor de muitas gerações, jogando papel estratégico para o desenvolvimento soberano da Nação. Em nosso entendimento o processo de investigação em curso, precisa produzir outros desdobramentos, além dos inquéritos policiais, por consequência, a Petrobrás precisa sair fortalecida, e não o contrário! Não aceitamos, portanto, qualquer tentativa de manipulação tendenciosa, parcial e seletiva dos processos de investigação e apuração em andamento. Da mesma forma, não admitiremos que segmentos sociais que sempre tentaram enfraquecer a Companhia, agora venham posar de vestais para confundir a opinião pública, a fim de tirar proveito político da situação e favorecer grupos interessados em abocanhar as riquezas nacionais, particularmente, o Pré-sal. Contra a apropriação privada, a fraude e os atos lesivos ao patrimônio defendemos a reestatização da Petrobrás. Queremos uma empresa com gestão democrática e transparente, e que mantenha instrumentos capazes de permitir amplo e rigoroso controle social. A Petrobrás pertence ao povo brasileiro e os petroleiros continuarão na linha de frente para que ela seja revigorada e continue a crescer, ajudando o País a ingressar em um novo ciclo de desenvolvimento, com valorização do trabalho e justiça social.

OM: Na defesa pelos direitos dos petroleiros, algumas entidades disputam e rivalizam a coordenação dos sindicatos e federações. Você acha que este embate tem prejudicado a organização da categoria?

José Araújo: Não. O mandato sindical são de três anos e é natural a disputa eleitoral.  A luta de todos os sindicalistas é combater o capital com suas perversidades que escraviza os trabalhadores e trabalhadoras. Nos próximos 4 anos teremos uma luta árdua em defesa do povo, haja visto que a bancada empresarial e do agronegócio aumentaram e a intenção destes deputados e senadores é de massacrar a classe trabalhadora.

OM: Em 2013/2014  os petroleiros realizaram alguns atos em defesa do pré-sal e de direitos para trabalhadores terceirizados. Em 2015 as manifestações de rua devem voltar? Qual deve ser a principal pauta?

José Araújo: Nós realizamos algumas dezenas de atos por melhores condições de trabalho, melhores salários, mais qualidade de vida, mais saúde, contra o assédio moral e contra o PL 4330 que, caso seja aprovado penalizará os trabalhadores e trabalhadoras, reduzindo direitos, salários e benefícios.

Veja na íntegra: http://p.download.uol.com.br/omossoroense/mudanca/pics/pdf/EDICAO.pdf

 

 

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