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Gazeta do Oeste

Crise no setor petrolífero afeta outros segmentos da economia

Cursos e escolas técnicas voltados para qualificação no setor do petróleo já estão sentindo o agravamento da crise

03 de abril de 2013 às 10:16

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Foto: Gazeta do Oeste

Por Fidel Nunes da Gazeta do Oeste em 28/03/2013 às 22:07

Todas as escolas técnicas instaladas em Mossoró estão tendo dificuldade para formar as turmas. O Centro de Estudo e Pesquisa em Educação Profissional (CEPEP) oferece vagas nos cursos técnicos de Petróleo e Gás, Eletrônica, Mecatrônica, Edificações, Segurança no Trabalho, Meio Ambiente, Informática e Eletrotécnica e tem registrado uma baixa no número de matrículas e uma grande evasão dos alunos.

Segundo Gisele Neres, secretária do Cepep, os cursos mais procurados pelos estudantes são Mecânica e Eletrotécnica, no entanto a procura tem diminuído nos últimos meses. De cada 40 alunos que ingressam nas turmas, apenas 15 ou 20 concluem.

Os cursos têm um ano de duração e custam mensalmente R$ 290,00. As aulas acontecem de segunda a sexta-feira, das 18h30 às 22h30, e tem duração de um ano.

“A maioria das pessoas que procuram os cursos técnicos já trabalha na área ou tem pais e amigos que trabalham. Alguns trabalham no comércio e querem mudar de área e outra pequena parte ainda não tem nenhuma qualificação e quer ingressar no mercado de trabalho”, destaca.

A baixa na procura por matrícula tem feito com que as escolas demorem a formar turmas. Gisele Neres conta que em um mês e meio conseguia formar uma turma de Mecânica, agora o tempo para formar uma turma é de seis meses.

“Mecânica e Eletrotécnica a gente consegue formar turmas com mais rapidez e demora esse tempo todo. Nos outros cursos, a demora é de mais de oito meses ou um ano. Tem turma que a gente abriu inscrições há mais de um ano e não conseguiu juntar os 40 alunos para iniciar o curso. Petróleo e Gás é um exemplo de um curso que já foi bem concorrido e hoje não tem procura”, afirma a secretária do Cepep.

Na Escola Técnica Apoena, a crise no setor petrolífero também tem afetado a procura pelos cursos técnicos. A escola está com uma turma de Edificações e duas de Segurança no Trabalho em andamento. Porém, há mais de seis meses está tentando formar novas turmas e não consegue por falta de candidatos.  

“Nós estamos sentindo a diminuição na procura sim. Para formar as primeiras turmas foi rápido e agora estamos vendo a ausência de interessados”, comenta.

A diretora da Apoena, Karenina Fernandes, revela que 50% das pessoas que procuram os cursos técnicos já trabalham na área petrolífera, 30% trabalham em outro setor e 20% são estudantes que buscam a primeira qualificação e uma vaga no mercado.

“Uma coisa interessante é que as mulheres estão ingressando nessa área do petróleo. Praticamente metade dos nossos alunos são mulheres e a evasão delas é bem menor do que a dos homens. Vamos esperar essa fase ruim passar e manter a aposta nos cursos técnicos”.

Além das escolas técnicas, os proprietários de hotéis e pousadas também já estão preocupados com a crise no setor petrolífero. Estima-se que houve uma redução de 60% na ocupação dos hotéis. Profissionais que saíam de suas cidades e passavam a semana trabalhando em Mossoró estão fazendo falta ao setor hoteleiro.

Para João Sabino, proprietário de uma rede de hotéis na região Oeste, a diminuição de hóspedes nos hotéis já vem sendo registrada há cerca de dois anos, contudo o agravamento dessa crise apareceu nos últimos meses. Ele revela que 55% dos seus clientes eram oriundos do setor petrolífero.

“Essa queda já vinha acontecendo há algum tempo, mas o acentuou recentemente. Hoje, as reservas caíram em cerca 70%. A crise no petróleo gera uma crise em toda a cidade. Para de movimentar dinheiro nos hotéis, restaurantes e no comércio. É prejuízo para todos”, declara.

Em algumas lanchonetes e restaurantes da cidade, o movimento também despencou este ano. Os proprietários acreditam que a queda nas vendas está ligada com a crise do petróleo. Segundo Tiago Henrique, proprietário de duas lanchonetes, as vendas caíram em quase 50%.

Ele conta ainda que durante o mesmo período do ano vendia em um domingo cerca de 800 sanduíches e agora vende 600. De segunda a sexta-feira, a venda diária era 200 sanduíches e este ano tem sido de 120.

“São quase mil sanduíches a menos por semana. A venda está menor e os gastos estão do mesmo jeito ou maiores. Temos que manter o quadro de funcionários, pagar energia, água e as demais despesas de uma empresa”, comenta.

Tiago Henrique já mantém lanchonetes há mais de 10 anos. Ele confessa que logo no início da redução nas vendas se preocupou por achar que o problema fosse com sua lanchonete e com o sanduíche. No entanto, ao conversar e compartilhar do problema com outras pessoas percebeu que a baixa nas vendas é generalizado.

“O problema não é na qualidade do sanduíche ou de administração na lanchonete, é porque a situação está difícil para todo mundo. Todo tipo de comércio está passando por dificuldades. O petróleo movimenta a economia da cidade e o dinheiro que deixa de circular faz falta a todos os setores”, destaca.

Gazeta do Oeste

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