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Água fria

Descoberta na Bacia Potiguar: uma no cravo e outra na ferradura

Venda de direitos de concessão da área de descoberta funcionou como contraponto

28 de janeiro de 2014 às 14:42

Ao apagar das luzes de 2013, a mídia norte-rio-grandense comemorou notícia divulgada pela Petrobras dando conta da descoberta de petróleo em águas profundas da Bacia Potiguar, na porção situada no litoral do RN. No entanto, no mesmo comunicado em que a boa nova foi publicada, a Companhia trouxe uma informação preocupante, praticamente ignorada por veículos e analistas.

Operadora da concessão com 80% de participação, em consórcio com a lusitana Petrogal, que detém 20%, a Petrobrás também anunciou que “em decorrência do processo de farm-out, em andamento, e depois de obtida a aprovação da ANP, a BP Energy passará a atuar como concessionária (no bloco em que o petróleo foi descoberto), e as participações das consorciadas serão: Petrobras – 40%, BP Energy – 40% e Petrogal – 20%”.

Notícia alvissareira – A descoberta de petróleo em águas profundas da Bacia Potiguar, sobretudo por acontecer em bloco situado no litoral norte-rio-grandense, é, sem dúvida, uma notícia alvissareira. Segundo dados publicados pela Agência Nacional de Petróleo – ANP, em novembro de 2013 a produção potiguar, em terra e mar, chegou a pouco mais de 69 mil barris/ dia (bep/dia), um volume que representa 25 mil barris a menos do que a quantidade média extraída diariamente no ano 2000.

O recente achado, portanto, poderá significar um alento para o setor petrolífero e para a economia do Estado. Quiçá, ainda mais: a abertura de uma nova fronteira exploratória, capaz de reverter o declínio da produção, hoje quase que exclusivamente oriunda de nossos campos maduros. Isto, porque, devido a algumas similaridades geológicas, acredita-se que a margem equatorial brasileira, onde se situa a Bacia Potiguar, tenha potencial comparável ao da costa oeste africana, sobretudo em Gana e Costa do Marfim, onde estão ocorrendo grandes descobertas.

Água fria – Diante de tais perspectivas otimistas, o anúncio de que a Petrobrás está negociando a venda de direitos de concessão da área em que foi realizada a descoberta funcionou como contraponto à euforia da mídia e uma verdadeira ducha de água fria para os trabalhadores do setor, que enfrenta grave crise.

É certo que a exploração do pré-sal exige pesados investimentos e que esta necessidade tem levado a Petrobrás a se desfazer de ativos como forma de se capitalizar.

Porém, no mínimo, é preocupante que isso ocorra em área onde a presença de petróleo já foi confirmada, e em que ainda não se tem dimensão mais precisa dos volumes existentes, tornando difícil, até mesmo, uma precificação. Além disso, a Petrobrás é uma Companhia em que a União exerce o controle acionário, detendo a maioria do capital votante. A lógica da gestão não deveria se restringir à obtenção do lucro-máximo a fim de atender aos interesses dos acionistas privados. Para o povo brasileiro, a Companhia também é um instrumento do Estado de promoção do desenvolvimento e de combate às desigualdades regionais.

Ou, pelo menos, deveria ser!

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