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Dilma diz que cortes não afetarão Nordeste e reafirma “pacto” com governadores contra miséria

21 de fevereiro de 2011 às 16:35

A presidente Dilma Rousseff garantiu nesta segunda-feira (21) aos governadores do Nordeste que os cortes do Orçamento em 2011 – na casa de R$ 50 bilhões – não afetarão os investimentos na região que, segundo ela, é fundamental para erradicar a pobreza no país, uma das prioridades do novo governo. Em seu primeiro discurso oficial no Nordeste,  em Aracaju (SE), Dilma disse que o governo começará a preparar o programa de erradicação da pobreza a partir de março, e pediu a colaboração dos governadores para a elaboração de medidas.

“O nosso corte de R$ 50 bilhões vai preservar os investimentos”, garantiu a presidente. Entre os investimentos que não sofrerão cortes, ela citou o programa Minha Casa, Minha Vida, o Programa Emergencial de Financiamento (PEF) e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que inclui projetos de mobilidade urbana e obras para a Copa do Mundo de 2014.

“Nós estamos sim fazendo uma adequação fiscal, mas não é igual ao que aconteceu em 2003, quando nós tínhamos uma inflação acima do controle. [...] Nós não tínhamos R$ 300 bilhões de reserva como temos hoje, nem tampouco tínhamos um projeto em que todos, investimento público e privado, mantiveram o padrão. [...] Daí porque nós manteremos integralmente os investimentos com PAC, Minha Casa, Minha Vida, a Copa, [...] mobilidade urbana, o PAC 2, e o PEF”, ressaltou.

O corte de investimentos na região era a principal preocupação dos governadores nordestinos que, logo ao chegar ao encontro, disseram que levariam à Dilma um pedido para que poupasse seus Estados da tesoura da União. De acordo com a presidente, nos próximos quatro anos, o governo deve investir cerca de R$ 120 bilhões em ações na região.

Em discurso que durou aproximadamente 50 minutos, a presidente demonstrou que irá atender à outra reivindicação dos Estados: dar um tratamento “diferenciado” à região. Para a presidente, resolver os problemas do Nordeste é uma questão estratégica para a política de erradicação da miséria, já anunciada como prioridade do governo.

“Nós só conseguiremos diminuir a desigualdade social se aqui nós fizermos um pouco mais que nas demais regiões. Porque aqui há uma trajetória de desigualdade que vem das oligarquias, da escravidão e de vários fatores. [...] É esse o grande desafio. Nós temos que manter aqui o PIB [Produto Interno Bruto, ou a soma de todas as riquezas do país] crescendo a taxas acima da taxa nacional”, afirmou.

Como parte do plano de fortalecimento da economia local, a presidente confirmou a criação do Ministério de Pequenas Empresas e da Secretaria Nacional de Irrigação, que fará parte do Ministério da Integração. As pastas deverão ser responsáveis, respectivamente, por ações para incentivar o empreendedorismo econômico na região e combater a seca no semi-árido nordestino. Para tanto, porém, ela voltou a pedir a colaboração dos governadores.

“Eu acredito que nós temos que combinar um projeto ambicioso e específico só para o semi-árido [no interior do Nordeste]. Por isso, quando começarmos a discutir em março o nosso programa de erradicação da pobreza, espero que a gente conte com propostas de vocês [governadores] para o semi-árido”.

As ações do chamado programa de erradicação da miséria devem começar a ser discutidas entre União e Estados a partir do próximo trimestre. A presidente, porém, não detalhou como funcionarão as novas pastas, que ainda não têm data para começar a funcionar.

Em coro com os administradores, Dilma defendeu investimentos na Sudene, mas evitou tocar em um ponto polêmico defendido pelos governadores nordestinos: a criação de um novo tributo para a área da saúde, em substituição à CPMF (imposto do cheque).

Agradecimento

Esta é a primeira vez que Dilma visita a região, onde ganhou em todos os Estados nas eleições de 2010. Logo ao começar seu discurso, a presidente fez questão de agradecer os votos que obteve e, como fez ao longo de toda sua campanha, exaltou as ações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na região.

“A minha primeira fala só poderia ser de agradecimento. Agradecimento ao povo do nordeste, que soube me dar um apoio e ao mesmo tempo assumir um compromisso comigo ao me dar uma das votações mais expressivas que um presidente da República teve na região. [...] O agradecimento é do fundo do coração e o compromisso com a região é baseado na grande convicção de que o Nordeste é o grande desafio da minha gestão, como foi na gestão do governo Lula.”

Dilma chegou a Aracaju por volta das 12h, onde foi recebida pelo governador Marcelo Déda (PT). À tarde, ela discutirá com os governadores as demais medidas para a região a portas fechadas e, ao final do encontro, uma carta de compromissos deverá ser divulgada pela organização do 12º Fórum dos Governadores do Nordeste.

Participam do encontro, além de Marcelo Déda, os governadores Rosalba Ciarlini (Rio Grande do Norte), Teotônio Vilela (Alagoas), Jaques Wagner (Bahia), Cid Gomes (Ceará), Ricardo Coutinho (Paraíba), Eduardo Campos (Pernambuco), Wilson Martins (Piauí) e Antonio Anastasia (Minas Gerais). A governadora do Maranhão, Roseana Sarney, cancelou em cima da hora a ida ao evento, pois se recupera de uma cirurgia, e foi substituída pelo vice Washington Luiz.

Com informações da R7 e Agência Brasil

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