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Dilma pressiona Petrobras para reduzir preço do gás

30 de junho de 2011 às 12:27

A presidente Dilma Rousseff vem pressionando sem alarde a gigante Petrobras para que reduza os preços do gás natural, disseram fontes à Reuters, uma iniciativa que corre o risco de desagradar investidores preocupados com a interferência crescente do governo nos assuntos da companhia.

Dilma e outros altos funcionários do governo vêem a iniciativa como parte de uma estratégia mais ampla para reduzir os custos ao consumidor - especialmente para as fábricas brasileiras, que enfrentam dificuldades em função da moeda sobrevalorizada e da alta dos custos da mão-de-obra.

Ex-ministra de Minas e Energia, Dilma está envolvida pessoalmente nas discussões sobre como reduzir os preços do gás, que ainda se encontram em fase preliminar segundo fontes informadas sobre a situação e que pediram anonimato. "A missão é que a Petrobras reduza os preços do gás (natural), que estão altos demais no Brasil", falou uma das fontes.

As ações da Petrobras já caíram 11% nos últimos 12 meses, apresentando desempenho muito inferior ao de outras companhias energéticas globais, em parte devido a outras políticas induzidas pelo Estado, como o virtual congelamento dos preços da gasolina e do diesel desde 2009.

Uma das fontes disse que o governo está aberto a um plano que reduza os preços do gás natural sem prejudicar os ganhos da estatal. O gás natural foi responsável por menos de 5% dos ganhos da empresa no primeiro trimestre deste ano.

Uma possibilidade seria reduzir os altos impostos sobre o valor adicionado cobrados pelos Estados, principal razão pela qual o gás natural pode ser três vezes mais caro para os consumidores industriais do Brasil do que nos Estados Unidos.

O preço também é inflado devido ao contrato de compra do gás da Bolívia, feito em 1999 com prazo de 20 anos e com valor baseado em uma cesta de óleos. O gás boliviano atende um pouco menos da metade do consumo brasileiro atualmente.

O mercado também poderia reduzir os preços por conta própria, especialmente na medida em que surgem novas fontes de oferta e que outras companhias desafiam o quase monopólio exercido pela Petrobras nos últimos anos.

Mas uma mudança no regime tributário precisaria ser aprovado pelo Congresso - um obstáculo que pode desencorajar o processo, em um momento em que mesmo projetos de lei básicos apoiados pela presidente estão empacados.

Um porta-voz do gabinete de Dilma encaminhou perguntas para o Ministério de Minas e Energia, que lidera a iniciativa sobre o gás. O ministério não respondeu imediatamente a um pedido de declarações. Um representante da Petrobras se negou a comentar o assunto.

Intervenção atinge ações

Outras empresas brasileiras têm visto os preços de suas ações caírem recentemente em função da intervenção do governo. As ações da Vale, maior empresa mundial de mineração de ferro, despencaram 8% desde que Dilma chegou ao poder, em janeiro, e começou a usar a influência do governo - exercida através da Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil - para afastar o então presidente Roger Agnelli, substituído no cargo por Murilo Ferreira.

Alguns acionistas viram essa iniciativa como maneira de Dilma assegurar que a mineradora invista em siderurgia, movimento que ela acredita ser crucial para a geração de empregos no Brasil, mas que são menos rentáveis que a extração de minério de ferro.

As dificuldades enfrentadas pela Vale e a Petrobras - que, juntas, respondem por cerca de um quarto da ponderação do Ibovespa, principal índices das ações brasileiras- são a razão principal pela qual o mercado de ações brasileiro vêm enfrentando dificuldades este ano.

A divulgação anual pela Petrobras de seu plano quinquenal de investimentos também sofreu atrasos, na medida em que a administração de Dilma discute com diretores da companhia sobre o valor total dos gastos e quanto investir em projetos de refino, que oferecem aos acionistas retornos mais baixos que a produção de petróleo.

Analistas de energia dizem que existem boas chances de a questão do gás natural se resolver por si mesma.Os altos preços atuais do gás são em grande medida fruto de uma política de preços criada pela Petrobras em 2007. Na época, a empresa estava preocupada com a possibilidade de escassez do gás - que geraria multa pela agência reguladora do setor elétrico, Aneel - e decidiu cobrar preços altos aos consumidores industriais para desencorajar o consumo. Com isso garantiu fornecimento suficiente para a geração termoelétrica, disse Marco Tavares, da consultoria brasileira Gas Energy.

A situação hoje é a oposta, disse Tavares, graças em parte à presença de novas fontes no Brasil e de novos volumes, além do gás natural liquefeito (GNL). A Petrobras terá que renegociar acordos de fornecimento de gás natural quando seus contratos com distribuidores chegarem ao fim, em 2012. Nesse momento, é provável que a mudança nos fatores de mercado empurre os preços para baixo. "Os preços vão cair inevitavelmente", disse Tavares.

Em abril a estatal anunciou a redução de 9,7% no preço do gás natural e há dois anos vem realizando leilões também para dar chance às distribuidoras de comprarem o insumo mais barato.

Fonte: Portal Terra

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