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Formulando

Editorial reflete sobre possíveis consequências da exploração Gás de Xisto

Antecipar tal exploração pode contribuir para baixa nos preços internacionais de combustíveis

12 de dezembro de 2013 às 11:24

Segundo declarou a diretora-geral da Agência Nacional de Petróleo – ANP, Magda Chambriard, a 12ª Rodada de Licitações, realizada em 28 de novembro, teve por objetivo “semear a cultura do gás". Mas, de acordo com os resultados alcançados no certame, parece ter faltado uma precisão maior à declaração da dirigente. “Introduzir a cultura do gás de xisto” teria sido uma definição mais próxima da realidade.

Isso, porque, durante o leilão, o interesse maior dos participantes ficou evidente. Foram oferecidos a empresas nacionais e internacionais 240 blocos exploratórios, em sete bacias sedimentares, distribuídas por 12 Estados. Mas, desse total, apenas 72 (30%) blocos foram arrematados, sendo que 54 deles (75%) apresentam alto potencial para a exploração de gás não convencional, o chamado gás de xisto ou, em inglês, shale gas.

A produção do gás de xisto vem sendo amplamente questionada em diversos países. E antes de “semear” essa “cultura” no Brasil, Governo e ANP deveriam investigar melhor as consequências ambientais e econômicas desse tipo de exploração. Para a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária – Abes, o método de produção do gás de xisto conhecido como fraturamento hidráulico, também chamado de fracking, é muito arriscado.

Para liberar o gás, a rocha (xisto) é fraturada a partir da injeção de milhões de litros de água, misturada com areia e produtos químicos. Teme-se que a mistura possa vazar para aquíferos e redes de abastecimento, e que as águas residuais possam contaminar rios e lagos, ameaçando a fauna e a flora. Além disso, os ambientalistas também alertam para a possibilidade de aumento significativo do efeito estufa, a partir do escapamento de metano para a atmosfera.

Já, do ponto de vista econômico, para quem tem um pré-sal de oportunidades, as consequências da exploração do gás de xisto poderão ser um “tiro no pé”.  Isto, porque se arriscam nessa empreitada apenas os países que não tem petróleo ou que possuem elevada demanda de combustíveis. Assim, precipitando esse tipo de exploração, poderemos contribuir para baixar os preços internacionais dos combustíveis, inviabilizando a extração de petróleo a grandes profundidades e, consequentemente, depreciando o valor de nossas reservas.

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