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América Latina

Equador: O que há por trás da exploração de petróleo em Yasuní

23 de agosto de 2013 às 12:09

A equação desenvolvimento mais proteção ambiental é um dos maiores desafios para os países emergentes. Frequentemente conflitos envolvendo populações originárias e governos, devido à realização de megaprojetos de infraestrutura ou de extração de recursos naturais, eclodem na mídia. O mais recente deles envolve o Equador e a exploração de petróleo no Parque Yasuní.

O Parque Yasuní, uma reserva ambiental de 9820 quilômetros quadrados, com populações indígenas não contatadas e, em 1989, a Unesco declarou a área como reserva da biosfera.

Para preservar a área e manter 20% de suas reservas petrolíferas enterradas na Amazônia, o presidente Rafael Correa, em 2007, lançou a campanha Yasuni ITT, referente aos campos de exploração Ishpingo, Tambococha e Tiputini. A iniciativa, proposta por ecologistas do país com o objetivo de impedir a exploração da área consistia que os países desenvolvidos do mundo destinassem US$ 3,6 bilhões ao longo de 12 anos (e, portanto, cerca de um bilhão para os três primeiros anos), o que seria equivalente à metade do valor que poderia ser gerado pelas reservas e, assim, ajudar o país a não ter que explorar a região. 

A iniciativa, no entanto, fracassou. “O mundo nos abandonou”, afirmou Correa. Apesar da biodiversidade da região, a comunidade internacional nunca manifestou grande entusiasmo por este negócio. Do montante previsto, foram arrecadados apenas US$ 13 milhões e o mandatário anunciou, na semana passada, que a reserva será explorada e deverá gerar US$ 18 bilhões para serem usados “para vencer a miséria, especialmente na Amazônia, que regista o maior índice de pobreza”, escreveu o mandatário no Twitter.

Como alguns dos lotes ITT ficam em zonas protegidas por serem território de povos isolados, a Constituição do país, que contém artigos garantindo a proteção da natureza e dos povos indígenas, exige que o Parlamento aprove a medida. De acordo com o deputado Carlos Viteri, o governo reconhece aos povos amazônicos não contatados e garantirá que serão protegidos onde quer que se encontrem.

Politização do tema


Desde o anúncio de que o parque terá o petróleo explorado, o presidente foi alvo de intensas críticas por parte de ecologistas e entidades nacionais e internacionais. O presidente, no entanto, criticou fortemente o que chamou de “politização da decisão” e reiterou que o parque será pouco afetado, pois, se explorará o um milésimo do seu espaço, que abarca cerca de um milhão de hectares.

Afirmou que as plataformas devastarão 500 hectares de bosques e que, na atualidade, 400 hectares diários são perdidos por desmatamento ilegal que não pode ser controlado por falta de recursos.

Correa confirmou as garantias para causar o menor impacto ambiental a essa reserva e afirmou que deseja realizar uma consulta para determinar a exploração do Yasuní, recolhendo as mais de 500 mil assinaturas necessárias.

Viteri declarou também que “a zona a ser utilizada são, em sua maior parte, de pântanos, e tudo o que tenha a ver com precaução, com os cuidados, com as medidas que sirvam para minimizar ao máximo qualquer tipo de contato, a implementação de protocolos realmente rigorosos, serão implementados”.

Enquanto isso, ecologistas denunciam que a medida ameaça a biodiversidade e a vida de populações indígenas, além de contribuir para a emissão de 410 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera. 

O desafio atual dos governos progressistas é encontrar alternativas viáveis e fundos de compensações para que os países desenvolvidos ajudem na manutenção da Amazônia que, não por acaso é chamada de “pulmão do mundo”. A proposta de Correa neste sentido fracassou e com ela, o mundo. 

Portal Vermelho

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