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Estudo do Ipea discutiu mobilidade e poluição veicular

23 de setembro de 2011 às 11:36

No Dia Mundial sem Carro, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou um estudo que aborda a poluição atmosférica provocada por veículos automotores. O Comunicado do Ipea nº 113 foi apresentado nesta quinta-feira (22), em uma coletiva pública que integrou a programação da Semana da Mobilidade.

O Comunicado revela, com base em dados do Ministério do Meio Ambiente, que entre 1980 e 2009, a emissões, por veículos, de gases do efeito estufa cresceram 3,6% ao ano, em média. Com o aumento da frota e o uso maior do transporte individual, a quantidade de dióxido de carbono (CO2) lançada na atmosfera deve crescer em ritmo mais acelerado até 2020 (4,7% ao ano).

“Nossa taxa de motorização é muito inferior a de países desenvolvidos, nos EUA e Europa a média é de 70 veículos por habitantes e, no Brasil, apenas 15. A tendência, no entanto, é que ela suba muito rapidamente. O automóvel emite, por pessoa, até 36 vezes mais CO2 que o metrô”, argumentou Carlos Henrique Ribeiro, técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea.

Se os poluentes causadores do efeito estufa estão aumentando, por outro lado, a contaminação das cidades por gases locais, que afetam diretamente a saúde das pessoas, foi reduzida nos últimos quinze anos. Desde meados da década de 1980, a emissão de poluentes como o monóxido de carbono, o óxido de enxofre e o ozônio foi controlada, principalmente por causa de políticas públicas que exigiram melhorias na tecnologia dos carros.

“Hoje o veículo a diesel emite 10% de gases locais que emitia há anos atrás. Isso ocorreu porque o Proconve (Programa de Redução de Emissões de Veículos Automotores) foi bem sucedido. O problema é que já chegamos ao limite da tecnologia, daqui para frente teremos poucos ganhos”, comentou Carlos Henrique.

Políticas Públicas

Os pesquisadores do Ipea alertam que o país chegou a um ponto de inflexão e que o aumento da frota vai, consequentemente, elevar os níveis de contaminação do ar nas metrópoles brasileiras. A solução passaria por dois caminhos: mudanças nas tecnologias automotivas, com o uso de carros híbridos ou elétricos, por exemplo; e políticas públicas que priorizem o uso do transporte coletivo.

“Precisamos de coordenação nas políticas públicas, sejam fiscais, urbanas, de mobilidade ou ambientais. Elas interagem entre si. Cada vez que o poder público prove estacionamento público, no fim, está estimulando o transporte individual, com impacto sobre toda a cidade. A tarifação sem critério sobre os combustíveis afeta o balanço entre transporte coletivo e individual. Toda a sociedade deveria ter essa noção e cobrar ações planejadas”, afirmou Bernardo Furtado, técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea.

Fonte: Portal do Ipea

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