Pular para o menu
1315922577

Ex-diretor do Ipem é preso e tem bens bloqueados por juiz

13 de setembro de 2011 às 11:02

Uma operação realizada pelo Ministério Público Estadual e a Polícia Militar prendeu três pessoas, apreendeu documentos e bens e resultou no seqüestro judicial de quatro empresas: o Supermercado É Show, a Casa do Pão de Queijo (loja do Carrefour), a Platinum Automóveis e o Restaurante Piazzale Mall. Com o nome de Operação Pecado Capital, a ação do MPE teve como base investigações dentro do Instituto de Pesos e Medidas do Rio Grande do Norte (Ipem/RN). Rychardson de Macedo Bernardo, ex-diretor do órgão, foi preso e apontado pelos promotores como cabeça de quatro esquemas de desvio de dinheiro público.

O seqüestro judicial é, de acordo com o MP, um fato inédito na história do Judiciário potiguar. É a primeira vez que a Justiça decreta intervenção pública dentro de empresas privadas por suspeita de crimes, dentre eles peculato e lavagem de dinheiro. Os quatro interventores irão administrar as empresas envolvidas enquanto a investigação sobre lavagem de dinheiro é aprofundada. Para o MPE, foram utilizados recursos provenientes de fraudes em licitações, contratações de funcionários fantasmas, cobrança de propinas e concessão indiscriminada de diárias no capital dessas empresas.

Os administradores nomeados pelo juiz da 7ª Vara Criminal José Armando Pontes Dias Júnior são: Flávio Holanda Pinto para as duas lojas da Platinum Automóveis; Ludmilla Mirza Moreira para o Restaurante Piazzale Mall, José Maria de Castro Neto para as duas lojas do Supermercado É show; e Tércio Bento da Silva para a franquia da Casa do Pão de Queijo. Os bens dos três presos (Rychardson de Macedo Bernardo; Rhandson Rosário de Macedo Bernardo; e Daniel Vale Bezerra) foram considerados indisponíveis pela Justiça. Outros dois acusados tiveram mandados de prisão, mas estão foragidos. São eles: Adriano Flávio Cardoso Nogueira e Aécio Aluízio Fernandes de Faria.

Todos os acusados pelo MPE estavam ligados à administração do Ipem nos anos de 2007 a 2010, sob a coordenação de Rychardson de Macedo. Rhandson é irmão de Rychardson. Além disso, José Bernardo e Maria das Graças Macedo Bernardo, pai e mãe do ex-diretor do Ipem, foram citados pelo MPE e tiveram pedido de prisão temporária não concedido pelo juiz. Jeferson Witame Gomes, dono do Restaurante Piazzale, também foi implicado, mas a Justiça negou o pedido de prisão.

Segundo a petição, assinada pelos promotores do Patrimônio Público Eudo Rodrigues e Afonso de Ligório Bezerra, as empresas implicadas na Operação movimentaram mais de R$ 39 milhões entre 2009 e 2010, o que é incompatível com a renda dos acusados. O trecho está na página 67 do documento. "De acordo com as investigações levadas a efeito, foi possível constatar que os acusados atuaram com estabilidade e nítida divisão de tarefas, tratando-se inegavelmente de uma organização criminosa", garantem. A petição não esclarece a quantidade de recursos "desviados" e arrecadados de forma ilícita, dizendo apenas que "se pode concluir com segurança que os desvios de recursos públicos podem ter chegado a um patamar da ordem de milhões de reais".

As evidências apontam para os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e fraudes em licitação. Vinte e um promotores participaram da operação, que iniciou ainda durante a madrugada, além de mais de 100 policiais militares. Foram apreendidos R$ 400 mil, sendo R$ 200 mil em espécie na casa do ex-diretor do Ipem e R$ 115 mil no Supermercado É show, documentos e uma arma de fogo com munição.

Operação muda rotina de empresas citadas pelo MPE: http://tribunadonorte.com.br/noticia/ex-diretor-do-ipem-e-preso-e-tem-bens-bloqueados-por-juiz/195698

Tribuna do Norte

Compartilhar: