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Exposição retrata profissões que representam tabu no universo feminino

06 de março de 2012 às 09:55

Um olhar sobre aquestão de gênero no mercado de trabalho é o que propõem os fotógrafos Américo Barros e Wilde Barreto na exposição “Profissão Mulher”, em cartaz no Salvador Shopping, entre os dias 5 e 11 de março, mês dedicado à elas. São dez paineis com fotografias de mulheres baianas no cotidiano de suas profissões, em funções consideradas ainda tabus para o universo feminino, a exemplo da mecânica, taxista, empresária e política.

De acordo com os fotógrafos, “a ideia é também desmitificar na sociedade a noção da divisão de ofícios pelo sexo, ideologia construída por uma cultura patriarcal que desvaloriza a posição da mulher”, explica Wilde Barreto, jornalista e produtora. Ela afirma que tais atividades, antes inconcebíveis ao sexo feminino, hoje são inegáveis a elas e a exposição dará visibilidade social a isso.

Apesar de registrar avanços, pesquisas recentes mostram grande dificuldade de inserção e ascensão da mulher no mercado de trabalho do Brasil. Aqui, de cada 10 cargos executivos existentes nas grandes empresas, apenas um é ocupado por mulher. Elas também estão em menor número no chão das fábricas e nos cargos funcionais e administrativos, representando apenas 35% desta mão de obra.

O fotógrafo Américo Barros, que já registrou diversas ações de movimentos sociais e sindicatos de trabalhadores no estado, lembra que a Bahia tem um motivo especial para debater este tema. “Salvador é a capital brasileira com o maior número de mulheres chefiando famílias [43,5%], por isso é tão especial lutar pelo fim dessa discriminação e alertar às empresas sobre a necessidade de ampliar o espaço da mulher no mercado de trabalho”, explica.

A taxista Lídia Barbosa é uma das fotografadas. Há cinco anos ela passou a “rodar” o táxi do pai para ganhar um dinheiro extra e manter os estudos. Apaixonada por direção ela diz ter orgulho do que faz. “Todo mundo estranha muito, meu pai resistiu na época, mas logo convenci ele. Sinto que os colegas respeitam e ajudam muito”, diz. Quando perguntada sobre a reação dos clientes, ela lamenta que dois passageiros já tenham questionado e até deixado de fazer a corrida por se tratar de uma mulher ao volante. “O mais triste é que eram mulheres. Aí a gente percebe que o preconceito também está na gente”, reclama.

Entre as mulheres fotografadas estão também a deputada federal Alice Portugal, única mulher entre os 39 deputados baianos; a presidente do Grupo Master Glasses, Elisabete Valverde; e Alessandra Godinho, única pescadora baiana a passar dias no mar e trabalhar entre os 600 pescadores registrados na colônia do Rio Vermelho.

Ao mesmo tempo em que em que homenageia o público feminino pelo Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, a exposição propõe um diálogo sobre inúmeras questões relacionadas a equidade de gênero no trabalho. “É preciso atentar que além de serem minoria, elas   chegam a ganhar 30% menos para exercer a mesma função que um homem. É comum também cumularem duplas e triplas jornadas, dividindo-se muitas vezes entre tarefas da casa, dos estudos e da profissão”, reflete Barros, indicando, que mesmo com os avanços alcançados com pílula anticoncepcional e a revolução feminista no meado do século XX, a inserção da mulher no mercado de trabalho ainda é um desafio a ser enfrentado pela sociedade.

Fonte: CTB

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