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Fim do Regime Administrativo no Campo tem rodada de negociação

Primeira de uma série, reunião foi realizada na última terça-feira, 9, em Natal

11 de junho de 2015 às 11:21

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Foto: Graziella Sousa

Quão atrativo seria para a Petrobrás implantar um Regime Especial de Campo para os trabalhadores que exercem atividades eminentemente administrativas no Ativo de Produção do Alto do Rodrigues? Para o gerente do ATP-ARG, Fernando Ribeiro, a resposta a este questionamento é ponto primordial para a evolução das negociações acerca da implantação da nova jornada de trabalho na área remota em questão. A discussão foi realizada na última terça-feira, 9, na sede administrativa da Empresa, em Natal, e foi a primeira de uma série de reuniões, que acontecerão, quinzenalmente, até o fim de julho.

No próximo encontro, o SINDIPETRO-RN deverá apresentar um novo relatório à Direção da Petrobrás enumerando os principais argumentos que justificam adoção de um novo regime. A perda de mais de cinco meses de convívio familiar no período de um ano ocasiona danos ao desenvolvimento afetivo e social com repercussões na saúde e representa uma das principais queixas dos trabalhadores e trabalhadoras. O Sindicato também tem tentado há anos que a Petrobrás dê ao Ativo o devido tratamento de área remota, pois a unidade está localizada em área rural de município do interior do Estado, com infraestrutura, educação e saúde deficientes.

Benefícios – A ambiência, ou qualidade de vida no local de trabalho, é fator de extrema importância para a manutenção da saúde física, mental, emocional e espiritual dos trabalhadores e trabalhadoras. Mas, apesar disso, a direção nacional da Petrobrás têm insistido em saber quais benefícios tangíveis teria, no caso de atendimento das reivindicações apresentadas. Isto ocorre porque para alguns dirigentes esse entendimento pode parecer abstrato, sem qualquer conexão com a realidade. É a ideia – herdada do escravagismo – de que trabalho e prazer não se misturam, e de que o seu único objetivo é dar lucro para o patrão.

Na contramão desse entendimento arcaico, o pensamento moderno nos leva a entender que o trabalho mais produtivo é o trabalho livre. E o aperfeiçoamento desta concepção tem nos feito compreender que quanto mais livre e feliz é o trabalhador, melhor é a qualidade do produto do seu trabalho e, consequentemente, no regime capitalista, maiores são os lucros obtidos pelo empregador. Usando termos mais compatíveis com a administração moderna, podemos afirmar que quanto mais o ambiente de trabalho proporciona satisfação, maior será a produtividade da equipe.  

No caso específico do ATP-ARG, a Diretoria do Sindicato entende que a adoção de um regime especial para os trabalhadores submetidos a jornadas administrativas propiciaria uma acentuada melhoria da ambiência. O retorno para a Companhia se daria em forma atratividade para o Ativo, que atualmente anda baixa. De acordo com o coordenador-geral do SINDIPETRO-RN, José Araújo, um claro exemplo desta constatação é a saída frequente de trabalhadores novos daquela área. "O fato dos jovens representarem uma minoria naquela unidade confirma a pouca atratividade do local", justifica Araújo.

Relembre – É importante frisar que o processo de negociação em curso, entre Sindicato e Petrobrás, não é uma dádiva. Ele resulta das mobilizações que a categoria tem realizado, a exemplo da paralisação de 48 horas, protagonizada pelos trabalhadores das bases do Alto do Rodrigues (ATP - ARG), UTE-JSP, Canto do Amaro e Fazenda Belém, nos últimos dias 27 e 28 de maio. O movimento teve por objetivos criar mecanismos capazes de proporcionar aos trabalhadores a oportunidade de serem ouvidos a respeito das tarefas que executam e das condições de trabalho a que estão submetidos, em busca de soluções que conduzam à melhoria da ambiência.

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