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Frotas de Rio e SP farão testes com diesel de cana-de-açucar

06 de julho de 2011 às 11:33

O mesmo caldo de cana que serve como matéria-prima para a produção de açúcar e álcool servirá em breve, também, para a produção de diesel. A nova tecnologia, desenvolvida pela empresa Amyris, da Califórnia, foi colocada em prática no interior paulista em 2010, em sociedade com a Votorantim Novos Negócios e a Usina Santa Elisa, de Sertãozinho. A meta é produzir 400 milhões de litros no primeiro ano e 1 bilhão de litros, em 2012. A Secretaria do Meio Ambiente do Rio de Janeiro entrou em contrato com a Fetranspor, para integrar Niterói no teste que adicionará 30% de diesel de cana-de-açúcar no combustível convencional da frota de ônibus.

O processo é muito parecido com o da produção de álcool combustível, que utiliza leveduras - um tipo de fungo microscópico - para fermentar os açúcares presentes na cana e secretar etanol. A diferença crucial - que foi a grande inovação produzida pela Amyris - está no DNA da levedura, que foi geneticamente modificada para secretar diesel no lugar de álcool. O diesel de cana-de-açúcar, além de ser livre de enxofre, o que reduz o impacto sobre a poluição urbana - é renovável em relação ao carbono que emite para a atmosfera, o que reduz o impacto sobre o aquecimento global.

A exemplo do que já ocorre com o etanol, o CO2 que sai do escapamento é reabsorvido, via fotossíntese, pela nova cana que está brotando no campo. Quando a cana é colhida, o carbono é convertido novamente em combustível, reemitido, reabsorvido e assim por diante. O acordo entre a São Martinho e a Amyris prevê investimentos de US$ 35 milhões na construção da unidade de produção de produtos químicos, batizada de SMA Indústria Química S.A., que deverá utilizar 1 milhão de toneladas de cana-de-açúcar fornecidas pela Usina São Martinho. A Amyris também possui acordos com a Cosan, Açúcar Guarani e Bunge que devem ser celebrados a partir de 2012.

Emissões

A utilização de diesel de cana-de-açúcar, de acordo com estudos de emissão realizados anteriormente, resulta em redução significativa nos teores de material particulado, óxidos de enxofre, monóxido de carbono e hidrocarbonetos. Com isso, o que se espera é a redução das emissões de fontes móveis, que, de acordo com o inventário da Região Metropolitana do Rio, respondem por 77% das emissões. Segundo a Amyris, os testes internos mostraram que a mistura contendo diesel de cana apresentou 9 por cento de redução nas emissões de materiais particulados à atmosfera quando comparado ao diesel derivado do petróleo, mantendo inalterados os parâmetros de desempenho do motor.

Fonte: NN

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