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Greve de ônibus termina, mesmo sem reajuste salarial

26 de maio de 2011 às 12:33

As linhas de ônibus voltaram a funcionar normalmente a partir da meia-noite de hoje. A classe patronal e o Sindicato dos Rodoviários atenderam ao pedido de desembargador do TRT e entraram em acordo. Apesar de o retorno dos serviços prestados à população ter sido concretizado, questões relativas a reajustes salariais e econômicos ainda não estão definidos. A próxima rodada de negociação acontece no dia 8 de junho e uma nova greve não está descartada.

A conciliação surgiu no início da tarde de ontem após três dias de paralisação que castigaram a população e potencializaram os problemas causados pela chuvas. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários (Sintro), Nastagnan Batista, afirmou que o objetivo foi atingido ao chamar atenção para os problemas da categoria. Nos mais de dez dias que irão anteceder a próxima rodada no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), as partes têm a liberdade para tentar chegar a um acordo quanto às questões salariais e também sobre os vales-alimentação.

Este é um ponto determinante para o impasse. O Sintro reivindica um reajuste unificado de modo que tantos os motoristas quanto os cobradores passem a receber o mesmo valor para se alimentarem: R$ 150. O advogado do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros (Seturn), Eduardo Rocha, mostrou-se irredutível quanto a uma proposta diferenciada.

“Teremos mais de dez dias para conversar, mas não acredito que o Seturn irá alterar a proposta que fez. O reajuste dos vales-alimentação ocorre dessa forma há mais de dez anos”, afirmou. A volta aos serviços ocorreu mediante acordo de que haveria abono das faltas dos funcionários que integraram o movimento grevista, assim como a garantia de que não existiriam demissões. O reajuste salarial está perto de um consenso: O Sintro pede 7,5%; O Seturn ofereceu 6,5%.

O desembargador do TRT José Rêgo Júnior, mediador da negociação, exaltou a maturidade das partes em concordarem com o retorno dos serviços. “A população já estava pagando um preço muito alto. Temos que exaltar a maturidade tanto do Seturn quanto do Sintro por optarem pela volta da circulação normal”, declarou, enquanto ressaltava que as negociações continuam.

O movimento grevista estava prestes a sofrer medidas judiciais para o aumento da frota emergencial. A decisão seria do próprio desembargador José Rêgo. Ele iria propor o aumento da frota em 20%, sobre os 30% emergenciais. Além disso, oficiais de justiça do TRT estariam nas ruas fiscalizando o cumprimento da medida. Multas de até R$ 50 mil seriam aplicadas por dia caso houvesse negligência por parte das empresas ou dos servidores.

A próxima negociação ocorre às 14h30 do dia 8 de junho. Se não houver um acordo sobre as questões salariais, o caso irá a julgamento.

Comerciantes sofrem com atrasos e queda nas vendas

Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Natal (CDL Natal), Amauri Fonseca Filho, o efeito da greve dos ônibus no movimento do comércio nesses três dias de grande paralisação foi negativo, chegando a diminuir em até 50% as vendas em alguns centros comerciais. “Normalmente esse período chuvoso já afeta o comércio, que sente uma diminuição no fluxo de no máximo 20%.

A junção das chuvas com a greve dos transportes coletivos só potencializou esse prejuízo, que esperamos ser sanado com a volta da circulação normal da frota a partir desta quinta-feira”, disse o presidente.

Anualmente é comum o comércio sentir essa baixa no período das chuvas fortes que atingem a cidade, que acaba dificultando o trânsito das pessoas não só no comércio, mas em todos os setores produtivos. “Todos acabam deixando para resolver fora de casa somente o indispensável”, completa Amauri.

Maratona

Uma maratona. É assim que Silvana Santos, supervisora de uma loja no Alecrim, resume sua chegada ao local de trabalho. Moradora do Golandim, bairro de São Gonçalo do Amarante vizinho à zona norte de Natal, ela primeiro conseguiu carona até o terminal de ônibus de Regomoleiro. Não havia ônibus. Depois seguiu até o terminal do Golandim. Novamente nada. Até que decidiu ir para a parada da Tomaz Landim. “Foi mais de uma hora de espera, por isso cheguei aqui no trabalho a essa

hora (9h50)”, explica a supervisora. “Realmente o pessoal que deveria estar de 8h tem chegado até de 10h, por conta da greve”, reconhece João Maria Willians, gerente de uma loja do bairro. Até na hora de ir para casa a situação está difícil.

No Shopping de Pequenos Negócios do Alecrim (Shoppene), ainda conhecido como “camelódromo”, grande parte dos 415 boxes está sendo aberta mais tarde e fechada mais cedo, devido à greve dos coletivos. Isso, somado à dificuldade dos compradores saírem de casa, resultou na redução das vendas. “Caiu com certeza mais de 50%. Esses dias têm sido horríveis. Alguns só conseguem abrir lá pras 10h e quase ninguém aparece”, reclama uma funcionária da administração do Shoppene, Joana Darc Cardoso.

 

Fonte: Tribuna do Norte

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