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1º DIA DE GREVE

Greve tem forte adesão no Rio Grande do Norte e produção já é afetada

Petroleiros também reivindicam arquivamento do PL 4330 e cancelamento do leilão de Libra

17 de outubro de 2013 às 18:35

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Foto: SINDIPETRO-RN

Trabalhadores petroleiros de todo o País iniciaram, nesta quinta-feira, 17, uma greve nacional, com parada de produção, por tempo indeterminado. O movimento vem em resposta à contraproposta de Acordo Coletivo apresentada pela Petrobrás no último dia 7 de outubro, cujo conteúdo foi avaliado pelas entidades sindicais como “incompleto e insuficiente”.

A categoria reivindica melhores condições de trabalho e ganho salarial real de 5%, mas a Companhia ofereceu apenas 1,17%. A Petrobrás também não se posicionou sobre reivindicações consideradas fundamentais pelos petroleiros, tais como: saúde e segurança, fundo garantidor para os terceirizados, revisão do Plano de Cargos, combate ao assédio moral e melhoria de benefícios.

 

Não é só por melhores salários

Além de pressionar a direção da Companhia pela melhoria da proposta para o Acordo Coletivo, a greve nacional dos trabalhadores petroleiros exige o arquivamento do Projeto de Lei 4330, que tramita na Câmara dos Deputados, e o cancelamento do leilão do Campo de Libra.

De autoria do deputado-empresário Sandro Mabel (PMDB-GO), o PL 4330 vem sendo chamado pelos trabalhadores de “PL da Escravidão”. Isto, porque, sob o pretexto de regulamentar a terceirização no Brasil, o Projeto, em verdade, expande essa prática para todas as atividades econômicas, permitindo a contratação de mão de obra terceirizada para a realização de atividades-fim.

Além disso, caso venha a ser aprovado, o PL também acabará com a responsabilidade solidária das empresas contratantes, extinguindo, assim, qualquer forma de proteção aos trabalhadores contra calotes das empresas prestadoras de serviço, fato que é cada vez mais comum, inclusive, no setor petróleo.

 

Libra

Já, com relação ao Campo de Libra, cujo leilão foi agendado pela Agência Nacional de Petróleo – ANP – para 21 de outubro, os petroleiros defendem que a União se aproprie dessa riqueza – um patrimônio estimado em mais de US$ 1 trilhão, e que a exploração e produção fiquem 100% com a Petrobrás, conforme faculta e dispõe o Artigo 12º da Lei de Partilha.

Descoberto em 2010, na Bacia de Santos, na área do Pré-sal, Libra tem volume avaliado entre 8 e 12 bilhões de barris, significando o equivalente a quase 80% de todas as reservas brasileiras de petróleo comprovadas e possíveis de serem exploradas.

 

 Greve tem forte adesão no RN e produção já é afetada

No Rio Grande do Norte, trabalhadores do Sistema Petrobrás e de empresas terceirizadas aderiram fortemente à greve nacional da categoria. Na sede Natal, a paralisação teve início às 7h00, com a realização de um “trancaço”. A adesão de trabalhadores próprios e terceirizados superou 80%. Apenas os efetivos ligados a serviços essenciais, tais como atendimento de rede, segurança e plantão médico, tiveram acesso às instalações. Durante toda a manhã, houve concentração em frente ao principal portão de entrada da Unidade, com participação de cerca de 350 pessoas. Às 17h00, teve início um Ato Público, no centro da cidade, contra o leilão de Libra.

Em Mossoró, na Base 34, a adesão de trabalhadores Petrobrás chegou aos 80%. A unidade também amanheceu sob “trancaço” e foi promovido um ato público em frente ao principal portão de acesso. No campo de produção de Canto do Amaro, ao final do primeiro dia greve, mais de 300 poços já haviam sido fechados, significando corte de 60% da produção. Já, no campo de Riacho da Forquilha, houve “trancaço” na Estação Coletora e um ato público com cerca de 200 trabalhadores. Mais de 50% dos poços foram fechados, significando percentual semelhante de redução no volume de produção.

Em Alto do Rodrigues, a Termelétrica Jesus Soares Pereira – Termoaçu – parou. Nos campos de produção, a adesão de trabalhadores Petrobrás e terceirizados é superior a 90%. Cerca de 40% dos poços já estavam fechados ao final da manhã, interrompendo grande parte da produção de óleo.

No mar, a adesão de trabalhadores Petrobrás e terceirizados nas 22 plataformas foi de 100%. Cerca de 70% da produção de óleo e gás foi cortada, afetando o Polo Industrial de Guamaré. Com repasse de gás consideravelmente reduzido, a Unidade de Processamento de Gás Natural – UPGN foi afetada, diminuindo a produção de gás natural para 30%.

 

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