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Homenagens e protestos no desfile cívico em Natal

08 de setembro de 2011 às 10:08

O tradicional desfile de comemoração à Independência do Brasil em Natal, foi marcado por protestos. Prefeitura Municipal e Governo do Estado foram os alvos dos cartazes e faixas exibidos durante a passagem dos alunos de escolas públicas e particulares, além dos militares, durante as comemorações do 7 de Setembro na Praça Cívica. Estudantes da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), protestavam pelo fim da greve dos professores que se estende por mais de 90 dias.

Os aprovados nos concursos para a Polícia Militar e Corpo de Bombeiros pediam a convocação alegando a existência de vagas nas corporações, além do aumento do efetivo ser uma necessidade à realização da Copa do Mundo de 2014. Os fiscais de Trânsito do Município,  cobravam o pagamento das gratificações atrasadas há nove meses. A prefeita Micarla de Sousa não compareceu ao evento devido ao falecimento de um ente familiar.

 "São 824 aprovados no exame físico que ocorreu no início do ano e ainda não foram chamados para as demais etapas. Nós viemos prestigiar o desfile, pois temos vontade de desfilarmos também como policiais militares. Além disso, estamos cobrando a nossa convocação", afirmou Rivailton Santana, representante dos aprovados para a PM. Além dele, habilitados no último concurso para o Corpo de Bombeiros Militar também pediam à governadora Rosalba Ciarlini, o chamamento para o preenchimento das vagas.

 Os manifestantes se posicionaram em frente ao palanque principal, no qual estavam todas as autoridades militares, a governadora e o representante da prefeita, o secretário municipal de Defesa Social, Carlos Paiva. Com o intuito de chamar a atenção da chefe do Executivo Estadual e do comandante da Polícia Militar, coronel Araújo, os aprovados gritavam os nomes do coronel e da governadora. Não houve, contudo, nenhum insulto verbal ou gestual às autoridades. Entretanto, nos dois momentos em que Rosalba Ciarlini utilizou o microfone, vaias foram ouvidas vindas da população que assistia o desfile.  Mesmo assim, a comemoração prosseguiu.

Público

De acordo com o capitão de fragata, Cléber Ribeiro, dez mil pessoas eram esperadas para acompanhar a festa. Neste ano, coube ao Comando do 3º Distrito Naval a organização do evento. Após a revista à tropa, procedimento militar feito pela governadora, o desfile foi oficialmente aberto. Em posição de ordem (de pé), autoridades civis e militares assistiram a passagem  de escolas municipais, estaduais e particulares, além dos militares com suas respectivas bandas marciais, do palanque.

 O desfile militar foi aberto pelo Exército, seguido da Aeronáutica, Marinha, Polícias Federal, Civil, Rodoviária Federal, Militar, Corpo de Bombeiros e sendo encerrado pela cavalaria da Polícia Militar. Todos apresentaram os equipamentos utilizados em salvamento e nas operações. A população acompanhava e aplaudia a cada nova exposição. Os policiais militares empinaram motos, fizeram simulação de ocorrência e utilizaram fumaças coloridas na apresentação. 

Nem mesmo o sol forte afastou os cidadãos que foram à Praça Cívica. Algumas crianças foram vestidas de policiais, soldados do exército e bombeiro. Samuel Levi, de 4 anos, era um deles. "O sonho dele é ser bombeiro, assim como eu", dizia o  pai Otto Ricardo Saraiva, que é comandante do Corpo de Bombeiros. Mesmo sozinha, a aposentada Odete Soares, 74 anos, assistia ao desfile com muita alegria. "Eu venho há muitos anos. É sempre uma alegria. É tão bonito", ressaltava.

PMs fazem homenagem a policiais mortos

Centenas de policiais militares aproveitaram o desfile cívico de 7 de setembro para mostrar o luto da categoria. Não somente o referente às baixas dos 11 companheiros de farda que morreram este ano, como também pela situação da segurança pública do Estado, que eles julgam caótica.

"Não se mata a segurança somente quando o policial tomba, mas também com o descaso", afirmou o presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar do RN, o cabo PM Jeoás Nascimento, dando o tom do protesto da categoria.

Segundo dados fornecidos pelo representante de classe, se durante todo o ano de 2010 foi registrada a morte de seis PMs e notificados quatro deles feridos, somente nestes nove primeiros meses, 11 morreram e 12 foram feridos, seja em serviço ou na vida civil.

O fato mais recente que alimenta esta estatística ocorreu na tarde desta segunda-feira quando o cabo PM Francisco Osmar dos Santos,48, foi morto durante embate da polícia e a quadrilha que roubou um malote cujos valores seriam depositados na agência do Banco do Brasil, localizado no centro de Parnamirim. Na ocasião, o soldado PM Anderson Carlos dos Santos também foi ferido. A dupla estava de folga e fazia um "bico" como segurança privado para uma rede de farmácias.

A necessidade  que alguns policiais sentem em complementar a renda com trabalhos informais também foi citada por Jeoás como um indício de desvalorização profissional. Ele  mencionou que o Governo mesmo acenando com a aceitação do projeto do Subsídio e equiparação de salários entre os agentes de segurança das diversas instituições que compõem o quadro da segurança pública, não houve uma determinação de data para a implementação das mundanças.

"Precisamos que o Governo envie este projeto para a Assembléia Legislativa para que os recursos destinados a esse reajuste seja inserido na LOA (Lei Orçamentária Anual) do Estado que está prevista para ser ordenada ainda neste mês", destacou Nascimento, acrescentando que 2,3% do orçamento estadual é destinado ao investimento no setor da segurança.

No julgamento dele, não se pode construir uma adequada estrutura de segurança investindo apenas em viaturas e armamentos, e em contrapartida esquecendo daquele que é o maior bem das institucional, que é o policial.

Tribuna do Norte

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