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Indícios de superfaturamento na sede da Petrobras no ES

01 de julho de 2011 às 11:12

No dia 12 deste mês, o jornal Estado de S.Paulo estampou o aumento dos custos da obra da nova sede da Petrobras, localizada no Barro Vermelho em Vitória. A novo empreendimento da estatal orçada em 2005 em R$ 90 milhões, custará pelo menos seis vezes mais do que o valor previsto, consumindo R$ 580 milhões, 544% a mais do que valor inicial, conforme apurou o repórter Sergio Torres. A sede da Petrobras ocupa um terreno de 101 mil metros quadrados na Reta da Penha. São duas torres ligadas por um prédio central e construções anexas laterais. Além dos gastos previstos a mais na obra, a Petrobras propôs no concurso realizado em 2005 e promovido também pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) , o limite da área de 45 mil mil metros quadrados para a construção do novo prédio, mas uma placa em frente à obra informa que a área construída será de 91.336 metros quadrados, o dobro do planejado em 2005.

Em entrevista ao NN, a consultora em sustentabilidade, Katy Corban, acredita que deve ser feita uma investigação detalhada sobre os valores que foram previstos e os que foram efetivamente gastos na obra e quais foram os motivos (justificativas). "O que posso lhe adiantar é que em construções sustentáveis o valor é acrescido entre 5% a 30% do valor em comparação com uma obra comum e que isto se paga em curto à médio prazo, na relação custo-benefício do empreendimento", diz Katy. Segundo a consultora, esta grande variação em percentuais ocorre por conta de ofertas e demandas em materiais sustentáveis e o raio (distância percorrida) para obtê-los, que varia de Estado para Estado. Em São Paulo, por exemplo, este percentual gira em torno de 5% a 15%.

Em nota enviada para o NN, a Petrobras lembra que o projeto arquitetônico da nova sede da Companhia em Vitória contempla a aplicação das últimas tecnologias em equipamentos e sistemas voltados para a ecoeficiência do projeto, nas fases de construção e operação, requisitos do "LEED" (Leadership in Energy and Environmetal Design). Esses requisitos são utilizados pela companhia em suas construções, seguindo as diretrizes de responsabilidade socioambiental. Segundo a nota, ainda, o empreendimento possui sistema digital de iluminação, aquecimento solar de água, tratamento aeróbico e anaeróbico de 100% dos efluentes de esgoto e reúso de água. Alem disso, possui proteção solar nas fachadas, que inclui vidros de baixa absorção de calor, com redução de uso do sistema de ar condicionado. Essas características vão proporcionar uma redução significativa dos consumos de energia e água, manutenção e conservação das instalações, segurança e serviços de comunicação durante todo o seu ciclo de vida.

Problemas no entorno

Além de ter extrapolado o orçamento com a construção da sede, a obra vem causando inúmeros transtornos para os moradores do entorno desde o início da construção. A região do Barro Vermelho, principalmente das imediações da sede da empresa, é estritamente residencial e sofre reflexos dos impactos da obra. O trânsito de caminhões na região foi intensificado e as ruas do entorno ficaram todas esburacadas e o tráfego intenso tem provocado acidentes na região. Além disso, o barulho provocado pelo trânsito e pelas obras tem incomodado os moradores. Durante as chuvas, os problemas se intensificam, já que o empreendimento fica em cima de uma colina, que foi devastada para a construção do prédio, fazendo com que a água barrenta desça pelo morro e inunde as ruas do entorno. A área devastada também vira foco de criadouro de mosquitos, já que a água fica empoçada sob a construção.

Fonte: NN

 

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