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INSEGURANÇA

Insegurança na Petrobras mata mais um trabalhador terceirizado

Desde 1995, somam 310 as mortes por acidente de trabalho no Sistema Petrobras. Só este ano, foram 16.

03 de novembro de 2011 às 16:14

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Foto: Arquivo

Enquanto os gestores da Petrobras seguem sem cumprir o que foi acordado com a FUP e sindicatos no Fórum Nacional de Práticas de SMS, realizado no dia 06 de setembro, mais um trabalhador perde a vida em acidente de trabalho na empresa. Só este ano, já somam 16 as mortes no Sistema Petrobras, três delas ocorridas após a realização do Fórum. A mais recente vítima desta política de insegurança que coloca em risco diariamente os petroleiros em todo o país foi o eletricista Antônio Carlos Oliveira, 57 anos, que deixa viúva e quatro filhos órfãos. Ele era contratado da Proen, empresa que presta serviços para a Petrobrás no campo de produção terrestre de Taquipe, na Bahia.

O acidente ocorreu no dia primeiro de novembro, mas as informações preliminares recebidas pelo Sindipetro-BA apontavam que o trabalhador havia sido vítima de ataque cardíaco. Somente após a realização da autópsia, descobriu-se que a causa da morte foi politraumatismo. Imagens da segurança patrimonial revelam que o eletricista caiu de um tanque de água, com cerca de 17 metros de altura, ao tentar regular o nível da bóia. O Sindipetro-BA e o Siticcan (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil, Montagem e Manutenção Industrial) já requisitaram participação na comissão de investigação do acidente.

Desde 1995, ocorreram no Sistema Petrobrás pelo menos 310 mortes por acidentes de trabalho, das quais 251 foram com trabalhadores terceirizados

Fórum de SMS: 60 dias sem respeito à vida!

Após quase 60 dias da realização do Fórum Nacional de Práticas de SMS, onde a FUP e seus sindicatos apresentaram suas propostas à presidência e à diretoria da Petrobrás, a empresa continua desprezando as reivindicações de saúde e segurança, demonstrando que de fato não se preocupa com vida, nem com a família de seus trabalhadores.

O Fórum foi realizado no dia 06 de setembro, um ano após compromisso assumido pela Petrobrás na campanha salarial de 2010. Uma das proposições do Fórum foi a realização de um diagnóstico conjunto das práticas e da política de SMS, com representantes da empresa e da FUP.

Até hoje, no entanto, a Petrobrás continua enrolando a categoria. Nas rodadas de negociação com a Federação, a empresa informou que montou um grupo de trabalho para realizar um diagnóstico interno e só então apresentará o resultado para a FUP.

Ou seja, descumpriu o que foi acordado com o presidente a direção da Petrobrás. Desde a realização do Fórum, mais dois trabalhadores morreram em acidentes e inúmeras ocorrências graves já foram denunciadas pela FUP e seus sindicatos.

As evasivas respostas da empresa para as reivindicações de SMS confirmam o que o movimento sindical vem denunciado há anos: segurança não é prioridade da Petrobras.

Para atenderem a qualquer custo as metas de produção, os gerentes Grabriecontinuam expondo diariamente os trabalhadores a diversas situações de risco. Através da “Operação Gabrielli”, a categoria está desafiando os gestores, provando para o presidente da empresa que os acidentes que já mataram 310 trabalhadores nos últimos 16 anos não foram por “indisciplina operacional”, como ele alegou no Fórum de SMS. As mortes, mutilações e subnotificações de acidentes na Petrobrás são resultado da falta de vontade política da empresa de se contrapor à cultura autoritária das gerências, que violam leis, atropelam acordos, descumprem normas internas e desprezam os alertas dos trabalhadores sobre a insegurança e os riscos a que são submetidos no dia a dia.

Fonte: Imprensa da FUP

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