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Investimentos levarão tombo no RN

22 de abril de 2013 às 09:38

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Foto: Alex Régis

Publicado em 21 de abril / Andrielle Mendes - Repórter

Dados publicados pelo SINDIPETRO-RN mostram que os investimentos da Petrobras na Bacia Potiguar poderão cair 69,87% entre 2013 3 2017. A estatal diz, porém, que os planos podem ser revistos

A Petrobras planeja reduzir o nível de investimento no Rio Grande do Norte. É o que revela o Plano de Negócios e Gestão da estatal para o RN e o Ceará em vigor. O PNG, que traz os investimentos a serem aplicados entre 2013 e 2017, mostra uma redução de 69,87% no valor a ser investido na Bacia Potiguar nos próximos quatro anos. A companhia, que pretende investir R$ 1,31 bilhão no RN e CE este ano, sinaliza que investirá R$ 397 milhões nos dois estados em 2017 - quase R$ 1 bilhão a menos. 

Os números foram apresentados pela Petrobras em audiência pública em Mossoró na semana passada e disponibilizados esta semana pelo Sindicato dos Petroleiros do RN em audiência pública em Natal. A companhia nem confirmou nem desmentiu a informação. O gerente geral da Unidade de Operações de Exploração e Produção do Rio Grande do Norte e Ceará, Luiz Ferradans Mato, que participou das duas audiências, limitou-se a dizer que o plano é revisto anualmente e que o valor a ser investido entre 2015 e 2017 pode ser alterado. 

Os dados foram divulgados dias após a presidente da Petrobras, Graça Foster, receber uma comitiva potiguar comandada pelo presidente da Câmara de Deputados, Henrique Alves, e garantir a manutenção dos investimentos no Rio Grande do Norte. O encontro na sede da estatal no Rio de Janeiro ocorreu após uma série de protestos em Mossoró. 

A companhia tem sido acusada por entidades sindicais de reduzir o nível de investimento no Rio Grande do Norte e provocar uma onda de demissões no Município, principal polo produtor. Só em 2013, foram registradas mais de mil demissões. O número de prestadoras de serviço caiu e o de sondas em operação no estado despencou, segundo Pedro Idalino, diretor do Sindipetro em Mossoró.

Os hotéis do município registram queda de até 55% na taxa de ocupação, segundo o Sindicato dos Bares, Restaurantes e Hotéis de Mossoró. A tendência, segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas local, era de que o quadro se agravasse, se nenhuma medida fosse tomada.   

Para reverter a situação, a companhia assegurou que os terceirizados demitidos serão recontratados e explicou que tem se esforçado para evitar que a produção de gás e petróleo caia ainda mais no estado. 

Nos últimos anos, o volume de barris de petróleo produzido pelo RN caiu de 100 mil para 70 mil barris. A produção apresentou uma leve recuperação no último ano, mas segundo o coordenador do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia e ex-secretário de Energia do RN, Jean Paul Prates, o quadro geral ainda é de ‘desaquecimento’. 

Aldemir Freire, economista e chefe do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no estado, reconhece o impacto da desaceleração da produção na economia do estado, e afirma que é hora do estado procurar outra alternativa. Os poços do RN, apesar dos projetos de revitalização, têm perdido a capacidade de produção. Luiz Ferradans, um dos gerentes gerais da Petrobras, diz que “se a Petrobras não atuasse de forma firme, a possibilidade de extração já teria se esgotado”.

Novas áreas são apostas para retomada

A produção de petróleo e gás no Estado só aumentará com a aquisição de novas áreas de exploração, afirma Luiz Ferradans Mato, gerente geral da Petrobras no RN e Ceará. As entidades sindicais, que representam os trabalhadores demitidos, concordam e depositam esperanças no leilão de novos blocos de exploração que será realizado pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) em maio. O Rio Grande do Norte está entre os quatro estados com maior oferta de blocos no leilão. 

A Petrobras admite que está analisando o ‘potencial petrolífero dos blocos’, mas evita entrar em detalhes. “É uma questão de estratégia”, justifica Ferradans. Caso algum bloco seja arrematado na Bacia Potiguar, o valor a ser investido pela estatal na região subirá, adianta o gerente geral da estatal.

“É preciso avançar em novas áreas e na exploração em águas profundas”, defende Aldemir Freire, economista e chefe do IBGE no estado. O economista, no entanto, reconhece que “o problema do petróleo vai além da situação da Petrobras e da crise momentânea vivida pelo setor”.

Jean-Paul Prates, diretor-geral do Cerne e ex-secretário de Energia do RN, concorda: “o mundo do petróleo não se resume à Petrobras. Quem está por trás dessa política é o governo federal. É preciso interrogar o governo federal a respeito das políticas voltadas para os campos maduros (as reservas antigas) de petróleo”. 

O grande temor é que, com a exploração do pré-sal, a companhia deixe de investir na revitalização dos poços maduros, que exigem um maior nível de investimento para continuar em operação – como é o caso do RN.

“A Petrobras, a meu ver, não voltará a investir maciçamente no Rio Grande do Norte, a não ser que tenha uma mega surpresa com a exploração de novos poços”, diz Prates.

Tribuna do Norte

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