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Juro cai, mas trabalhadores e empresários consideram insuficiente

01 de setembro de 2011 às 11:19

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) anunciou na noite desta quarta-feira, 31, uma redução de 0,5% na taxa básica de juros (Selic), que cai para 12%.

O gesto surpreendeu os analistas do “mercado”, que apostavam na manutenção dos 12,5%, e pode sinalizar mudança na política monetária. Mas empresários e trabalhadores mantiveram um tom crítico, condenando o patamar excessivo da Selic (ainda uma campeã mundial no ranking das taxas reais de juros) e a timidez do Copom.

Para a Federação da Indústria de São Paulo (Fiesp), a “redução é positiva, mas insuficiente". A CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) cobra mais coragem, argumentando que “existem razões de sobra para dar início a um processo mais ousado de diminuição da chamada Selic”. A Força Sindical argumenta: “remédio certo, dose errada”. A UGT (União Geral dos Trabalhadores) considera que “faltou ousadia ao Copom ao optar pela queda reduzida da Selic”. CUT, CGTB e Nova Central não se manifestaram acerca da decisão do Copom até o momento em que esta matéria foi publicada.

Leia abaixo as notas das centrais sindicais e o pronunciamento da Fiesp:

Nota da CTB:


A CTB considera que a queda da taxa de juros em 0,5% – para 12,00% ao ano – significa ainda um gesto insuficiente do governo para conter a crise financeira que pode atingir o país em um curto prazo. Após cinco aumentos consecutivos ao longo de 2011, o Banco Central reafirma sua pouca sensibilidade aos anseios da classe trabalhadora, mantendo os juros brasileiros como os mais altos do mundo.

Não há qualquer argumento plausível que sirva para manter a taxa de juros no atual patamar. Ao contrário, existem razões de sobra para dar início a um processo mais ousado de diminuição da chamada Selic: a inflação se mostra controlada, o real permanece sobrevalorizado e o governo decidiu, em péssima hora, aumentar o superávit primário e pagar mais juros de sua dívida pública.

O Banco Central parece ignorar a iminência da crise econômica que está por vir. Para a CTB, é preciso reduzir imediatamente os juros, como elemento fundamental para o projeto nacional de desenvolvimento que o país necessita. O governo federal, por sua vez, precisa adotar medidas que sejam capazes de controlar o câmbio do país e sinalizar que colocará um freio no processo de desindustrialização que já está em curso.

A CTB insistirá na tecla de que a política de juros altos e de favorecimento ao mercado financeiro fazia parte do projeto que foi derrotado nas últimas eleições. Dilma Rousseff teve o apoio da classe trabalhadora ao prometer mudanças macroeconômicas, mas até agora seu governo nada fez nesse sentido.

O Brasil precisa de juros cada vez menores para enfrentar a crise. A classe trabalhadora permanecerá atenta!

Wagner Gomes
Presidente nacional da CTB
São Paulo, 31 de agosto de 2011


Força Sindical: Remédio certo, dose errada


A decisão do Copom é extremamente tímida e insuficiente. O Banco Central acertou no remédio, mas errou na dose.

Infelizmente está prevalecendo uma maléfica simpatia da equipe econômica pelo mercado especulativo. Entendemos que há espaço para uma redução mais drástica na taxa Selic, principalmente com o ajuste fiscal anunciado recentemente pelo governo.

Vale sublinhar que o atual governo já subiu, em apenas seis meses, cinco vezes a taxa básica de juros, criando um cenário extremamente adverso à produção e à geração de emprego e renda.

A Força Sindical continuará realizando protestos em todos os Estados visto que, diante das incertezas econômicas mundiais, o Banco Central continua atuando na contramão da produção e da geração de empregos.

Mais uma vez o Banco Central, mostrando-se surdo aos apelos da classe trabalhadora, frustra os nossos anseios por uma sociedade mais justa e igualitária.

Paulo Pereira da Silva (Paulinho)
Presidente da Força Sindical


UGT: Faltou ousadia ao Copom



Para a União Geral dos Trabalhadores (UGT), a queda de 0,50 ponto percentual na taxa Selic é um começo para trazer os juros no Brasil a um patamar aceitável, mas ainda faltou ousadia ao Copom, que optou por uma queda tímida, sem tirar do país o nada honroso título de campeão mundial em juros.

Vários indicadores sinalizam que a economia brasileira está se desacelerando, e a inflação já não pode ser usada como desculpa para manter os juros abusivos. Por isso, a UGT defende a revisão urgente dessa política de juros extorsivos a pretexto de estabilização da economia.O Brasil precisa continuar crescendo para gerar emprego e renda e com o juro nesse patamar isso é impossível.

Ricardo Patah, presidente da UGT


Fiesp: "Redução é positiva, mas insuficiente", diz João Guilherme Ometto


O Banco Central deveria se preocupar mais com o crescimento econômico e com o emprego, alerta presidente em exercício da Fiesp

O Copom decidiu reduzir a taxa Selic para 12% a.a., demonstrando timidez diante do quadro de arrefecimento da economia doméstica e internacional.

A crise financeira internacional faz estragos consideráveis nas economias americana e europeia. Ao preservar uma postura pouco sensível ao momento global e nacional, a autoridade monetária brasileira pode, assim como aconteceu na crise de 2008, estar incorrendo no grave erro do excesso de conservadorismo e intensificando a desaceleração da atividade econômica, já em curso.

“Só uma forte redução de juros pode fazer com que o País mantenha o ritmo de crescimento, sem comprometer o controle dos preços. Hoje ainda temos no Brasil o que o resto do mundo não tem, a demanda interna. Ao manter os juros elevados, o Copom acaba retraindo o consumo e trazendo para o Brasil os efeitos da crise internacional”, afirmou João Guilherme Ometto, presidente em exercício da Fiesp.

Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)

 

Fonte: Portal Vermelho

 

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