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ENTREVISTA

Márcio fala da luta pela Unidade no Movimento Sindical Petroleiro

"Toda e qualquer ação que tenha como prioridade a luta pela unidade sempre será muito apreciada pela categoria"

08 de dezembro de 2011 às 12:12

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Foto: Jana Sá

Em entrevista, o coordenador geral do SINDIPETRO-RN, Márcio Dias, aborda o panorama da organização nacional dos petroleiros, a luta do Sindicato na construção da Unidade, e a importância desta ação para a garantia de novas conquistas pelo Movimento Sindical Petroleiro. O sindicalista aponta, ainda, para os desafios da categoria para o ano de 2012.

1.       Como o SINDIPETRO-RN avalia a campanha reivindicatória dos petroleiros deste ano?

Márcio - Continuamos ainda no campo das recuperações de direitos e benefícios, mas, dentro desse campo de limitação, o resultado final foi positivo e destaco a (re)conquista do nível automático como de grande relevância. Entretanto, é preciso reconhecer que o método de construção desse resultado ainda se deu dentro de uma prática que já se mostrou superada politicamente, ou seja, a negociação foi muito mais priorizada do que as mobilizações. Faltou agilidade - mais uma vez a empresa "ditou" o ritmo da campanha - e mais contundência para encaminhar a campanha com objetividade e convicção de que os espaços para uma discussão menos autoritária com a Petrobras e com o governo estão ficando cada vez mais difíceis. O fechamento das negociações da nossa campanha expressa bem isso, pois o próprio presidente da empresa teve que se envolver diretamente na negociação, numa demonstração de que  a "linha dura" é que está prevalecendo na companhia.  Poderíamos ter uma campanha com a marca da combatividade em primeiro lugar. Para finalizar, diria que essa campanha terminou de direito, mas não de fato, já que ainda existem muitas questões pendentes a serem encaminhadas, fazendo-se necessário retomar, o quanto antes, essa discussão com a empresa e, principalmente, com a categoria que identifica muito bem essas questões e cobra, com razão.   

2.       Qual foi o nível de organização e mobilização da categoria?

Em primeiro lugar, a pauta foi entregue no final de agosto e não foi acompanhada com o devido calendário de mobilização que contemplasse agilidade, combatividade e acúmulo para dar maior impulso às mobilizações. Nos fóruns que o SINDIPETRO-RN participou, buscamos fazer esse debate, porém sem êxito. O que prevaleceu foi um ritmo lento na convocação das mobilizações e não conseguimos acumular politicamente, no sentido do consenso, para uma campanha com mais combatividade. 

Não quero dizer, com isso, que não ocorreram mobilizações e que devemos fazer uma campanha tendo como objetivo a greve. A greve é o último recurso a ser utilizado para tentar romper com a intransigência da empresa e, nesse caso, temos algumas questões importantíssimas a observar como, por exemplo, a definição de como fazer a greve numa empresa como a Petrobras, que tem um nível absurdo de terceirização e uma equipe de contingência - leia-se fura-greve - sempre pronta a servir aos intentos da empresa e se postarem contra seus próprios companheiros. No nosso entendimento, uma atitude equivocada e que não deveria existir. Essa é a vergonhosa realidade do que tem acontecido na não apenas na Petrobras.

Porém, mesmo com essas questões, a greve foi marcada para ser deflagrada "a partir do dia 16 de novembro". O SINDIPETRO-RN já havia defendido a greve para o dia 10 de outubro, porém, entre idas e vindas, apenas o SINDIPETRO-BA - no campo da FUP - deflagrou uma greve de pessoal de forma isolada, juntamente com o SINDIPETRO-PI - do campo da FNP. Claro que essa greve não teria condições de resistir ao poder da Petrobras e teve que recuar, mas cumpriram um papel positivo dentro de uma campanha reivindicatória sem maiores convicções para deflagrar uma greve unitária com toda categoria petroleira.

3.       Desde o início da campanha, o SINDIPETRO-RN defendeu a construção da unidade nacional da categoria na luta por um acordo coletivo que atendesse às reivindicações dos petroleiros. Como e por que começou esta luta?

O SINDIPETRO-RN tem como um dos seus princípios a unidade, inclusive, isso é estatutário. O Sindicato fez esse debate com a diretoria e com a categoria nas assembleias e congresso estadual e não apenas nesta campanha, mas em todas as campanhas, seja salarial ou de cunho político mais geral. Temos procurado fazer a nossa parte, pois consideramos que esse é o principal problema que afeta o movimento sindical petroleiro e, consequentemente, a luta da categoria. Não podemos mais conviver com essa divisão absurda.

Nessa campanha, tivemos alguns avanços muito tímidos sobre essa questão. Conseguimos nos reunir com oito sindicatos, sendo quatro da FNP e três da FUP, além do SINIPETRO-RJ, que é independente, para tratar dessa questão. Conseguimos fazer mobilizações conjuntas e, num certo sentido, conseguimos uma "trégua" nas agressividades, enfim foi o que foi possível fazer.

Vamos continuar levantando essa bandeira - e não apenas o SINDIPETRO-RN -, pois sabemos muito bem que jamais poderemos enfrentar a luta contra a Petrobras e o governo se não tivermos o mínimo de unidade, mesmo que seja apenas na luta. Só não entende quem não quer entender.

4.       Qual a importância da unidade na garantia das conquistas para a categoria?

Século e meio atrás, Karl Marx já disse a celebre frase: "proletários de todos os países uni-vos!". A afirmação continua atual, pois não há perspectiva de enfrentar o capital e seus instrumentos de opressão e exploração se não tivermos o mínimo de unidade, seja na luta política mais geral ou nas lutas mais específicas, como é o caso de uma campanha salarial. A categoria identifica muito bem e não é à toa que em todo o território nacional clama por unidade, porque sabe que para enfrentar a Petrobras essa ferramenta política é imprescindível. Para uma campanha ser exitosa com greve ou sem greve a unidade é a chave da vitória e qualquer coisa diferente disso é mera bravata. Mas, também, é verdade que o movimento sindical sempre teve muita dificuldade em preservar sua unidade e no movimento sindical petroleiro não é diferente, mas é preciso ter grandeza para saber superar divergências em prol da luta da categoria.

Não lutar pela unidade da categoria devido a questões menores é um deserviço à história da luta dos trabalhadores ou, então, pregar mais divisionismos e ter a atitude de simplesmente desistir - "jogar a toalha" - e não ter humildade para buscar a unidade é muita miopia política. Nós temos feito a nossa parte. Como diz Fernando Pessoa, "tudo vale a pena quando a alma não é pequena".

5.       É possível avaliar a repercussão dessas ações no movimento sindical petroleiro?

Toda e qualquer ação que tenha como prioridade a luta pela unidade sempre será muito apreciada pela categoria, mas, se, ao contrário, tiver como objetivo a pregação de mais divisão será repudiada. As repercussões de uma e outra atitude serão julgadas pela história e pelos trabalhadores. Estamos muito convictos disso porque é o correto.

6.       O que representa a assinatura deste acordo para a categoria?

Representa mais um passo na construção de nossa história de lutas. Uma ACT é sempre muito marcante para a categoria porque expressa no seu conteúdo o tamanho e a forma da luta que foi desenvolvida. Como em todo ACT, várias reivindicações ainda ficaram pendentes. Fomos atendidos e até surpreendidos em  outras, como foi o caso do nível automático. Isso não é uma conquista qualquer. Conseguimos reconquistar um direito importantíssimo que tínhamos no passado e, independentemente da vontade de um ou outro gestor, o petroleiro e/ou petroleira terá o seu reconhecimento por mérito no máximo em 24 meses. No geral ,qualifico o ACT como uma vitória razoável mas que poderia ter sido dentro de um contexto de mobilizações mais ágeis e contundentes. 

7.       Quais os desafios da categoria para 2012?

Continuar lutando e contribuindo politicamente, principalmente pela reconstrução da unidade do movimento sindical petroleiro. Disso não abrimos mão. E, mais especificamente, eu diria que os grandes desafios se situam, pela ordem, na luta pela AMS, SMS, Fim do Administrativo no Campo, regramento da PLR, buscar um acordo nos autos para a questão  daação jurídica dos níveis para os aposentados que já teve sentença favorável e, enfim, avançar na luta pela melhoria na organização dos trabalhadores e seus fóruns, procurando dotar o SINDIPETRO-RN de instrumentos mais ágeis e modernos, visando uma ação política mais eficaz e, sem querer ser dono da verdade e sem qualquer arrogância, procurar ter a humildade necessária para aprimorar o que está dando certo e corrigir o que estiver errado. Faz-se necessário, ainda, avançar na organização da luta dos trabalhadores do setor privado, na busca de novas conquistas e Acordos.

A luta, literalmente, continua porque o próximo período, certamente, não vai ser fácil, pois enfrentaremos um acirramento da crise capitalista e teremos uma conjuntura difícil com muitos embates com as empresas do setor estatal e do setor privado. Posso até estar enganado, mais teremos um período de ataques e perseguições à organização sindical, mas, como sempre, saberemos ter discernimento para enfrentar a luta da categoria com muita firmeza. Mas, vamos viver um dia de cada vez. Um feliz natal e um ano novo de muitas lutas e conquistas para todos nós.

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