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Manifestantes contrários e simpatizantes de Mubarak entram em choque

02 de fevereiro de 2011 às 15:49

Manifestantes opositores e partidários do governo egípcio se enfrentaram nesta quarta-feira na praça Tahrir, epicentro dos protestos pela queda do ditador Hosni Mubarak, no poder há 30 anos.

Os grupos de oponentes agrediram-se com paus e jogaram pedras uns nos outros sob os olhares dos militares, que não interferiram a princípio.

Portando paus e chicotes, partidários de Mubarak entraram com cavalos e dromedários na praça localizada no centro do Cairo contra os oposicionistas.

A oposição acusou policiais de terem se infiltrado no local, rompendo o cerco dos militares, disfarçados de partidários do governo, neste que é o nono dia de protestos contra o regime de Mubarak. Na TV estatal, o Ministério do Interior negou a acusação.

"O PND (Partido Nacional Democrata) pró-Mubarak e a polícia secreta vestida à paisana invadiram a praça para acabar com o protesto", afirmou o manifestante Mohammed Zomor, 63.

Mais cedo, um porta-voz das Forças Armadas pediu para os manifestantes voltarem para casa, notando que a mensagem que eles queriam passar já tinha sido escutada. O pedido veio horas depois de Mubarak falar que não vai concorrer à reeleição em setembro.

Oposicionistas disseram que, apesar do confronto, não deixariam a praça, em que estão acampados nos últimos dias.

Os confrontos intensificaram-se ao cair da noite e deixaram um morto e 403 feridos, segundo estimativa divulgada na noite desta quarta-feira (2) pelo Ministério da Saúde.
Forças Armadas

Antes dos confrontos em Tahrir, as Forças Armadas do Egito reduziram nesta quarta-feira o toque de recolher em três horas e pediram para que os manifestantes encerrem os protestos.

As medidas, além da retomada da internet após cinco dias, parecem um esforço do governo para retomar aos poucos a normalidade no país, horas depois de um pouco convincente discurso de Mubarak na TV estatal prometendo não concorrer novamente.

O toque de recolher será imposto agora das 17h às 7h (13h às 3h em Brasília), em vez das 15h às 8h (11h às 4h).

Ele foi imposto na sexta-feira passada (28), dia de violentos confrontos entre manifestantes e as forças de segurança em todo país, mas foi violado sistematicamente por centenas de manifestantes que dormem há dias na praça Tahrir, no centro de Cairo, epicentro da revolta popular.

Em comunicado lido na TV, o porta-voz das Forças Armadas pediu ainda nesta quarta-feira o fim dos protestos. "É possível que vivamos uma vida normal, é possível para os netos dos faraós e os construtores das pirâmides superar as dificuldades e conquistar segurança", disse.

"Sua mensagem chegou, suas demandas foram conhecidas, vocês são capazes de trazer a vida normal ao Egito", completou.

O Exército tem um papel crucial na crise política no Egito. Diferentemente da polícia e das forças antidistúrbios, os militares recebem confiança dos manifestantes --que veem neles uma força menos violenta e menos submissa a Mubarak.

Os egípcios dizem que os militares não atacariam com violência os manifestantes, já que muitos têm parentes e amigos entre os que protestam pelo fim do regime.

A Irmandade Muçulmana, mais organizado grupo de oposição, afirmou recentemente querer negociar com o Exército, 'o único no qual as pessoas confiam', para chegar a um acordo sobre a transferência de poder de forma pacífica.

Em outro gesto aparentemente conciliador do governo, a internet voltou a funcionar nesta quarta-feira no Egito. Essencial para articular os protestos, o serviço estava bloqueado desde a última sexta-feira (28), quando os manifestantes opositores ocuparam a praça Tahrir.

Com Agências

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