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11ª RODADA

Mudança de estratégia confirmou avaliações do SINDIPETRO-RN

Foco da Petrobrás passa a ser águas profundas e pré-sal, em detrimento das áreas terrestres

10 de junho de 2013 às 10:04

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Foto: Arquivo

Por mais que as declarações oficiais insinuem o contrário, a Participação da Petrobrás na 11ª Rodada de Licitação de Blocos Exploratórios de Petróleo e Gás Natural confirma as avaliações que vêm sendo feitas pelo SINDIPETRO-RN: a Companhia está diminuindo o volume de investimentos em exploração de campos terrestres e se reorienta, cada vez mais, para atuar em águas profundas e, principalmente, no pré-sal. A estratégia foi evidenciada, mais uma vez, pelo resultado obtido no leilão promovido pela ANP, no dia 14 de maio.

Diferentemente das rodadas anteriores, quando atuou como protagonista, a Petrobrás preferiu as “parcerias” e abriu mão do papel de operadora em Grande parte dos blocos adquiridos. Nessa condição, ficou com apenas 12das 142 áreas arrematadas no leilão, sendo cinco em consórcio com outras empresas, e sete, isoladamente. No total, a Companhia terá participação em 34 dos 289 blocos oferecidos.

Em tom quase ufanista, o blog Fatos e Dados, editado pela Petrobrás, afirmou que “a empresa (foi a que) adquiriu o maior número de blocos ofertados pela 11ª Rodada“. No entanto, em 22 dos 34, ela entra apenas como consorciada.

Investimentos – O blog Fatos e Dados revela, ainda, que os recursos investidos pela Petrobrás e “parceiros”, na aquisição dos 34blocos, somam R$ 1.460,9 milhões. Dos “parceiros”, R$ 923 milhões (63,2%), e, da Petrobrás, R$ 537,9 milhões (36,8%). Em relação ao montante que será arrecadado pela ANP com os bônus de assinatura (R$ 2,8 bilhões), a participação da Petrobrás representa 19,2%. Mesmo na área que recebeu o maior “lance”, o bloco FZA-M-57, da Bacia da Foz do Amazonas, a participação da Petrobrás foi acanhada. Arrematado por quase R$ 346 milhões, o que indica o potencial da área, a operadora será a Total E&P Brasil, com 40% de participação, em consórcio com a Petrobras (30%) e com a BPEOC (30%).

Mudança –A mudança de estratégia da Petrobrás não passou despercebida da chamada “grande mídia”. Em matéria publicada no dia seguinte ao leilão, a Agência Estado afirma que “pelo Hotel Royal Tulip, onde aconteceu a rodada, não foi possível encontrar nenhum dos executivos de peso da estatal, diferente de anos anteriores”. Os jornalistas também informaram que “a presidente da estatal, Graça Foster, acompanhou o resultado de longe”, e que, para o presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo, João Carlos De Luca, “a nova posição da empresa permitirá maior dinamismo ao setor, já que novas empresas entraram no mercado".

Ainda mais esclarecedora, no entanto, foi a declaração da diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, publicada na mesma matéria da Agência Estado. Quando questionada sobre as razões da surpreendente condutada Companhia, ela afirmou: “é possível que a Petrobras se veja como empresa do pré-sal e de águas profundas".

 

Mobilização decisiva

Não se pode afirmar com absoluta certeza, mas ao que tudo indica as recentes manifestações contra a retração de investimentos da Petrobrás no Rio Grande do Norte influenciaram a conduta da Companhia, durante a 11ªRodada de Licitações de Blocos Exploratórios de Petróleo e Gás Natural. Protagonizadas pelo SINDIPETRO-RN, as mobilizações sensibilizaram diversos segmentos, fazendo ecoar os reclamos da sociedade norte-rio-grandense nos gabinetes da direção da Companhia.

 

Um primeiro dado relevante para a análise do comportamento da Petrobrás diz respeito ao número de blocos adquiridos no Estado comparado ao que a estatal arrematou em todo o leilão. Com uma estratégia de privilegiamento às “parcerias”, a Companhia conquistou um total de 34 blocos, sendo apenas 12 deles como operadora. Dentre estes, três estão no RN, significando 25% do total.

Já, quando a análise leva em conta apenas os blocos que a Petrobrás adquiriu sem “parcerias”, o percentual se torna mais significativo. Nos 12 blocos em que será operadora, a Petrobrás atuará sozinha em sete. Destes, dois estão no RN, e, coincidentemente, foram os primeiros que Companhia arrematou no decorrer do leilão. Os outros cinco blocos em que a empresa atuará sem “parceiros”, todos em terra, estão localizados na Bacia de Sergipe-Alagoas (02) e no Espirito Santo (03).

 

Outra informação significativa é obtida quando se investiga o esforço de Aquisição de blocos já que a participação no leilão é, hoje, a única forma de obtenção de novas áreas exploratórias. No RN, a 11ªRodada ofertou20 blocos em terra e três no mar, sendo que 16 foram adquiridos. A Petrobrás disputou cinco blocos – três em terra e dois no mar, sendo bem-sucedida em três deles, onde atuará como operadora. Já, na Bahia, o leilão disponibilizou um total de 54 blocos em terra, sendo que 36 foram arrematados. A Petrobrás pleiteou 16 áreas, sendo que, em oito, na condição de operadora e sem “parcerias”. O resultado, frustrante, foi de apenas três blocos adquiridos pela estatal, e, mesmo assim, como simples participante de consórcio. Resta saber como teria sido a atuação da Petrobrás, em relação ao RN, se as mobilizações em defesa de mais investimentos não tivessem acontecido.

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