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Multinacionais do petróleo "são corsários", diz geólogo

15 de junho de 2018 às 09:48

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Foto: Gilson Sá

Considerado o principal responsável pela descoberta do pré-sal, o geólogo Guilherme Estrella destaca o desmonte que vem sendo praticado contra a Petrobras e observa que as rodadas de leilão do petróleo brasileiro pelo Governo Michel Temer desde 2016 são "a conclusão de um projeto de país inaugurado com os 2 governos FHC".

"Está comprovado que o golpe foi preparado lá fora. E em dois anos e pouco vemos essa coisa absurda que está acontecendo no Brasil. Como diz o nosso cientista Miguel Nicolelis, o golpe veio para exterminar a soberania nacional", ressalta Estrella.

Segundo o geólogo, o primeiro passo para a construção do projeto de um país "submisso e subalterno" começou no governo de Fernando Henrique Cardoso. "No primeiro passo ele reviu a Constituição. Iniciou-se então a construção deste projeto de país preparado lá fora agredindo, na minha visão, os interesses brasileiros. Cai o monopólio estatal do petróleo, as bacias prospectivas para o petróleo são abertas ao capital estrangeiro e se inicia uma série de privatizações das nossas empresas estatais, principalmente na área de energia e das comunicações.", diz.

"A Petrobras estava nesta lista e só não foi privatizada porque, ainda que tivessem sido tomadas as medidas mais esdruxulas, mais estapafúrdias – pensamos em mudar o nome da Petrobras para Petrobrax, por exemplo, uma coisa sem cabimento -, a abertura das áreas para as empresas estrangeiras virem após a quebra do monopólio. A Petrobras se concentra na Bacia de Campos, que era a área mais produtiva... já há, digamos, esta tendência de atendimento ao mercado e ao acionista provado da companhia já naquela época", completa.

"Mas perdem as eleições de 2002. Tínhamos ainda uns dois ou três campos na Bacia de Campos em fase de instalação de novas plataformas de produção e o Lula vê nisso uma excelente oportunidade e implanta a política de conteúdo nacional. Mas a indústria naval brasileira tinha sido sucateada pelo próprio Fernando Henrique Cardoso. Foi necessário um investimento muito grande, com o apoio do BNDES, inclusive, para a reinstalação dos nossos estaleiros", relembra.

"De lá pra cá, já parte do projeto de país subalterno e submisso aos interesses estrangeiros já instalado e em 2006 acontece o pré-sal. A gente atinge a autossuficiência em 2006 também, mas uma autossuficiência fugaz, porque o Brasil começa a consumir muito petróleo. Isso é um ponto importante. E a gente perde autossuficiência. Eu disse sempre que nós não conseguimos a autossuficiência, eu era o diretor – nós fomos atingidos pela autossuficiência", comenta Estrella.

Estrella diz, então, que em 2013, "na primeira rodada de licitação da ANP a Petrobras já se prepara para atuar firmemente, agressivamente nessa primeira licitação do governo Lula. Dentro do modelo de associação com empresas estrangeiras, montamos umas três ou quatro associações com empresas estrangeiras, nós operando para participarmos da licitação. Na véspera da licitação, as empresas estrangeiras todas caem fora. E não houve dúvida, a Petrobras confirma o interesse e vamos para a licitação e somos os grandes vencedores. Sem nenhuma associação com o capital estrangeiro", diz.

Para ele, as multinacionais desistiram de participar do leilão para tentar colocar a Petrobras em uma posição difícil. "Na minha opinião houve um acerto. Vamos cair fora porque esses caras não vão dar conta do recado. Quiseram dar uma demonstração de força. O governo, que está com essa atitude de ser contundente nas rodadas, então vamos sair fora".

"Se nós não tivéssemos ganhado os numerosos blocos em 2003, as nossas atividades exploratórias estariam caindo porque a gente estava concentrado na Bacia de Campos. A política do FHC era se concentrar na Bacia de Campos e abrir todas as outras bacias para as empresas estrangeiras. Não queremos correr mais risco. Exploração de petróleo é correr risco". Ele ressalta que quando assumiu o cargo de diretor da estatal, "Não encontrou uma empresa petrolífera, mas uma instituição financeira de investimento financeiro no setor petrolífero, que é algo completamente diferente". Banqueiro não quer correr risco".

"Está comprovado que o golpe foi preparado lá fora. E em dois anos e pouco vemos essa coisa absurda que está acontecendo no Brasil. Como diz o nosso cientista Miguel Nicolelis, o golpe veio para exterminar a soberania nacional", afirma Estrella. "Isso tudo dentro da Petrobras, não sabemos onde vai parar, querendo ser a empresa mais lucrativa possível, quando não é essa a missão de uma empresa estatal. A estatal tem que dar lucro, mas ela tem que servir à sociedade e não aos acionistas – porque o maior acionista da Petrobras é o povo brasileiro por meio do governo", destaca.

Para ele, a nomeação de Pedro Parente como presidente da Petrobras foi o ápice do desmonte promovido pelo golpe na Petrobras. "É nomeado o Pedro Parente, que cumpre à perfeição, aliás ele diz isso na carta: "Deixo o que prometi". Confessou isso. Cumpre, com todo seu empenho, o esquartejamento do sistema Petrobras. A Petrobras tinha um sistema integrado, de gestão integrada, desde a produção até geração de termoelétrica, biocombustíveis, gás. Ele esquarteja esse sistema", diz indignado.

Para ele as petroleiras atuam "como corsários que representam seus países. A diferença entre corsário e pirata é essa: os piratas eram livres atiradores e os corsários representam seus países. Então a Petrobras investe, tem 60 anos de investimento, treinamento de pessoal, desenvolvimento tecnológico, correndo risco por causa da sua missão de descobrir petróleo no Brasil. A Petrobras descobre o pré-sal. Estava aí para eles descobrirem, mas não quiseram investir no Brasil, querem saquear as nossas riquezas", afirma.

"Os caras querem entrar nesse jogo já com cartas marcadas. A primeira medida foi acabar com a operação única, que é o que dá à empresa o direito de escolher a engenharia, a tecnologia, os centros de pesquisa que vai investir. O operador tem essa vantagem, é por isso que foram contra a operação",, assegura."É isso, o operador é quem decide a coisa. Ele que desenvolve tecnologia e tudo mais. Então, isso de nós sermos operadores únicos é uma coisa que foi a primeira coisa que caiu. Voltando a resposta à tua pergunta, nós estamos em uma luta ideológica", ressalta.

"É uma luta de uma visão de sociedade, país e mundo que nós, a maioria do povo brasileiro, e é verdade, ela vê de uma maneira distributivista, não excludente, integradora, a gente partir para uma sociedade pacífica, socialmente justa e equilibrada. Com o mínimo de violência. E uma visão absolutamente, que as pessoas chamam de fascista, quer dizer violenta, discriminação de exclusão", complementa.

Estrella ressalta que "a sociedade brasileira tem discutir qual é o país que nós queremos e para isso não tem outro jeito. Para isso são eleições diretas livres. E deixar o povo escolher. Não é mandar um homem preso, sem provas, um vexame internacional. Em um processo jurídico absolutamente contaminado. Um poder judiciário que é ideológico na sua escolha de quem punir ou não punir, tenha provas ou não tenha provas. Agora, tem que ter eleições diretas, com Lula candidato. Porque isso é um crime jurídico. Está submetendo o Brasil a um vexame internacional. Uma prisão de um homem inocente, sem provas. Isso é inaceitável, um absurdo inaceitável para todos nós brasileiros". 

 Fonte: Brasil 247

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