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ONDA DE ASSÉDIO

Multiplicação de casos de perseguição faz crer em política deliberada

Ocorrências são indícios evidentes de autoritarismo e intolerância, com mudanças de regime compulsórias

28 de junho de 2012 às 15:17

Os ataques e perseguições sofridos por trabalhadores da Petrobras e de empresas terceirizadas têm sido constantemente denunciados pelo Sindipetro-RN. Apesar disso, tais práticas vêm ganhando fôlego nos ambientes de trabalho e as ocorrências só fizeram aumentar. Novos episódios de mudanças de regime punitivas levam à conclusão de que estas situações estão deixando de ser isoladas para tornarem-se parte da política de muitos dos gestores que compõem a gestão Graça Foster.

Exemplo claro dessa tendência, é o de um Técnico de Química, lotado no IPE. Com quase trinta anos de Petrobras e um currículo que carrega relevantes operações para a Companhia, teve seu regime de trabalho modificado pelo Gerente, Edgar Miranda, de Sobreaviso para Administrativo, sem qualquer satisfação. Recebeu uma indenização suficiente apenas para cobrir as perdas de um ano no novo regime, mesmo tendo sacrificado a saúde em operações insalubres, às quais lhe renderam doenças crônicas, como esteatose hepática e diabetes.

Na UTPF, outro episódio em que um Técnico, neste caso de Operação, também foi prejudicado com a “repentina” mudança de regime. Ele trabalhava na modalidade de “Turno” e foi redirecionado para o “Sobreaviso”, sem ao menos ser avisado ou indenizado. A mudança foi constatada pelo operador num simples ato de rotina, quando conferiu seu contracheque e observou a falta dos adicionais previstos em seu antigo regime. Entretanto, este é apenas um dos vários prejuízos que o trabalhador acumula. Há oito anos na empresa, recebeu apenas um nível e também não foi contemplado com o Programa de Aceleração da Carreira Júnior, implantado pela Petrobras em 2011. 

Mais casos – Além dos fatos citados, há pelo menos mais três com alguma semelhança, que ocorreram apenas no mês de maio e foram denunciados pelo Sindicato. É o caso, por exemplo, de um trabalhador da área operacional, lotado na Estação de Tratamento de Efluentes – ETE, que foi transferido para a Balança no mesmo dia em que compareceu a uma audiência relativa a processo judicial no qual questiona a Petrobrás pela não concessão de avanços de nível. A transferência significou uma alteração no regime de trabalho, passando do Revezamento de Turno para o Administrativo, com repercussão negativa sobre os vencimentos.

Todas essas ocorrências apresentam indícios evidentes de autoritarismo e intolerância, com subaproveitamento da força de trabalho, mudança compulsória de regime e, em alguns casos, rebaixamento do GD (Gerenciamento e Desenvolvimento). São práticas de assédio, algumas com conotação antissindical, que se acreditava terem sido abolidas há pelo menos há pelo menos dez anos, mas que precisarão voltar à alça de mira do movimento sindical.

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