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Número de vítimas da ditadura chilena chega a 40 mil

22 de agosto de 2011 às 11:30

O número oficial de vítimas da ditadura militar chilena (1973-1990), sob o comando de Augusto Pinochet, subiu para 40.280 pessoas, entre assassinados, desaparecidos e torturados. O dado consta no novo relatório oficial da Comissão Assessora para a Qualificação de Presos, Desaparecidos, Executados Políticos e Vítimas de Prisão Política e Tortura (mais conhecida como Comissão Valech), entregue na quinta-feira ao presidente Sebastián Piñera. Ao número estimado em 2003, de 27.200 vítimas, o novo relatório acrescentou mais 9.800 casos de torturas e 30 de desaparições e execuções no período da ditadura. Para chegar ao resultado, a pesquisa se baseou em dados do Exército, polícia, prisões, imprensa, organismos de direitos humanos e comissões anteriores.

O considerável aumento na cifra poderia ter sido ainda maior, pois, segundo a diretora da comissão, María Luisa Sepúlveda, em entrevista a Cubadebate, durante os dois anos de investigação foram ouvidas 32 mil pessoas que declararam sentir-se vítimas da ditadura militar chilena.

Ela explica que o fato de a comissão ter reconhecido apenas nove mil casos não quer dizer que as outras quase 23 mil pessoas não tenham sido vitimadas. "Isso não significa que algumas delas não foram vítimas; na ocasião não se pôde estabelecer o motivo político", esclarece.

"Algumas se sentiam vítimas por haver sofrido uma invasão de domicílio violenta; ou eram filhos de pessoas que foram presas; ou participaram em manifestações públicas reprimidas que não chegaram a tribunais; ou eram recrutas que foram vítimas de maus tratos; ou simplesmente não se pôde demonstrar os fatos", detalha.

Segundo o Grupo de Familiares de Presos e Desaparecidos, o número de vítimas é maior do que o resultado das investigações, podendo chegar a 100 mil, ou seja, mais que o dobro do reconhecido até agora. Frente a isto, organizações sociais afirmaram que comissões de investigação deveriam ser permanentes, para facilitar que mais casos de violações venham à tona.

Com o reconhecimento das violações, "autoridades chilenas baixarão decreto de reparação e as pessoas passarão a receber uma pensão mensal de 256 dólares e benefícios em saúde e educação, como já é feito com as outras vítimas", diz Maria Luisa. O valor também é criticado por ativistas de direitos humanos, que o consideram baixo.

Em 1991, um ano após o fim da ditadura militar, a Comissão de Verdade e Reconciliação foi instalada para investigar as violações aos direitos humanos cometidas contra militantes de esquerda. À época, foram contabilizadas apenas 2.200 mortes atribuídas ao Estado. Havia ainda muito medo de denunciar os abusos, segundo organizações sociais. Já em 2003 a Comissão Valech foi instalada pela primeira vez e chegou ao número de 27.200 vítimas.

Seriado de TV causa polêmica

Uma série de TV baseada em fatos reais, passados durante o regime do general Augusto Pinochet (1973-1990), no Chile, está gerando forte polêmica no país. O seriado 'Os Arquivos do Cardeal', que estreou na semana passada na emissora pública TVN, lidera a audiência no Chile. A série, de 12 capítulos (1 por semana), é estrelada por atores famosos do grande público. O produtor executivo, Rony Goldschmied, e o diretor do seriado, Nicolas Acuña, disseram que a pesquisa sobre fatos ocorridos sob o regime durou três anos. Para eles, a polêmica surgiu porque 'as feridas da ditadura ainda estão abertas' no Chile.

Muitos corpos continuam desaparecidos e o Chile jamais debateu de verdade o que aconteceu durante a ditadura. E é a primeira vez que o assunto é abordado num grande meio, como a TVN, e num horário nobre', disse Acuña. O primeiro capítulo mostra o encontro de ossadas que seriam de quinze camponeses sequestrados e mortos em 1973, cujos restos foram encontrados em 1978.

O seriado mostra também o drama das famílias que não sabiam do paradeiro de parentes, sequestrados e mortos. O chamado Informe Retting, da Comissão Nacional de Verdade e de Reconciliação concluiu que mais de duas mil pessoas foram presas e desaparecidas ou mortas naquele período. Telefones grampeados dos opositores e a rede de solidariedade formada por padres e jovens advogados também aparecem.

O senador do partido conservador Renovação Nacional (RN), Carlos Larrín, disse ao jornal 'El Mercúrio' que não concordava com o seriado porque não mostraria toda a realidade. 'Se querem refrescar a memória nacional devem fazer um balanço completo (do que ocorreu). Aí sim seria um trabalho integrador. Esta série parece que vai carregar nas tintas e não vai servir para o que deve ser uma televisão estatal', disse Larraín.

Fonte: Tribuna do Norte Online

 

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