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Irresponsabilidade III

Na ânsia de derrotar greve, gestores da Petrobrás colocam vidas em risco

No Polo Industrial de Guamaré, normas de segurança estão sendo desrespeitadas

12 de novembro de 2015 às 16:15

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Foto: Arquivo

Em diversas áreas afetadas pela greve e que estão sob controle de equipes de contingência, os gestores da Petrobrás estão agindo com extrema irresponsabilidade. Sem se importar de colocar em risco a vida de trabalhadores, a integridade de instalações, o meio ambiente e a segurança de comunidades que vivem no entorno, esses prepostos estão rasgando todas as normas de segurança, permitindo que funcionários terceirizados, sem qualificação e treinamento, operem as unidades.

No Polo Industrial de Guamaré, por exemplo, os trabalhadores da Petrobrás estão denunciando a existência de auxiliares de apoio operacional atuando nas áreas de processo, o que constitui um flagrante desrespeito aos princípios e padrões de segurança. Outro absurdo gerencial identificado naquela unidade é o destacamento de um técnico de manutenção terceirizado, sem a certificação exigida pelas normas regulamentadoras da companhia, para operar turbinas de gás.

Nas demais áreas operacionais, em todo o país, o descalabro tem se repetido. Além de tecnicamente despreparadas, as equipes de contingência montadas pela Petrobrás para atuar nas refinarias, termelétricas, plataformas marítimas e campos terrestres de produção atuam com reduzido e insuficiente número de profissionais. O resultado é que, nos 12 dias de greve, a tentativa inconsequente de manter a produção a qualquer custo já causou uma morte e vários incidentes, como o recente vazamento de óleo na P-37. 

Todos esses fatos demonstram o grau de compromisso dos atuais gestores com os destinos da companhia. Para a maioria deles, pouco importa se a Petrobrás corre o risco de ser desmantelada e transformada numa petroleira qualquer, focada na exploração e produção de óleo cru. Preocupados apenas com a manutenção de seus cargos e benesses, esses dirigentes preferem submeter-se aos interesses mesquinhos daqueles que estão mais preocupados em engordar e embolsar lucros, a terem que se aliar com os que verdadeiramente constroem a empresa. Os trabalhadores petroleiros, no entanto, não irão recuar.

Todas as práticas irresponsáveis e inconsequentes, incluindo as de natureza antissindical, como o bloqueio do acesso de dirigentes sindicais às instalações da companhia, ou, as imorais, como o pagamento de horas extras aos pelegos fura-greve, estão sendo denunciadas pelo SINDIPETRO-RN às Delegacias Regionais do Trabalho, ao Ministério Público do Trabalho e à sociedade em geral. Comprometidos com a defesa de um patrimônio que pertence ao povo brasileiro, os trabalhadores e trabalhadoras da Petrobrás seguem firmes na luta e, sobretudo, com as consciências tranquilas.

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