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Divanilton Pereira

"Na condução das lutas específicas, atual mandato da FUP deixou lacunas"

Em meio ao XV Congresso Nacional dos Petroleiros, sindicalista analisa atuação e rumos da entidade

04 de agosto de 2011 às 12:21

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Foto: Arquivo

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) realiza, entre os dias 3 e 7 de agosto, seu 15º Congresso. Para Divanilton Pereira, dirigente nacional da entidade (e também da CTB), o evento, marcado para a cidade de Manaus (AM), será uma boa oportunidade para fazer um balanço da atividade dos trabalhadores petroleiros nos últimos anos e alinhar o rumo de suas lutas na direção de um novo projeto de desenvolvimento para o país.



Precisamos nos integrar à Agenda das centrais sindicais que disputam os rumos do governo Dilma”, afirma o dirigente. Divanilton entende que a FUP precisa aprovar uma estratégia política que valorize o trabalho, de modo a influir positivamente no governo da presidenta Dilma Rousseff. 


Nesta entrevista, concedida ao Portal da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB, o dirigente também compartilha sua visão sobre as dificuldades enfrentadas pelos petroleiros nos últimos anos, faz um balanço dos primeiros meses do governo Dilma e afirma que, em relação aos recursos do pré-sal, o Brasil não pode repetir os erros do passado e desperdiçar a grande chance de se desenvolver.

Confira abaixo.



Portal CTB: Que contribuições os cetebistas levarão ao 15º Congresso da FUP?

Divanilton Pereira: Contribuiremos para que a estratégia política aprovada neste Congresso seja orientada por uma permanente disputa mais geral em torno do governo Dilma, focada numa agenda que valorize o trabalho e esteja integrada a um novo projeto nacional de desenvolvimento. O estágio atual deste governo revela-se frágil politicamente e inseguro nessa necessária direção. 



Portal CTB: Que balanço você faz dos trabalhos realizados pela atual diretoria da FUP?

Divanilton Pereira: Considero que a FUP desenvolveu uma política mais geral positiva, sobretudo na luta por um novo marco regulatório do petróleo. Chegamos inclusive a aprovar um projeto de lei numa comissão do Senado Federal. Com esse protagonismo político, articulado com os movimentos sociais (destacadamente a UNE, MST, CUT e CTB), influenciou positivamente o que foi aprovado no Congresso Nacional – mesmo com os limites impostos pela correlação de forças. Teve forte convicção e atitude política em defesa da continuidade do novo ciclo político descortinado pelo povo brasileiro em 2002, ajudando a eleger a primeira mulher a dirigir nosso país, a companheira Dilma Rousseff. 


Já que no tange à condução das lutas que compõem a pauta específica da categoria, o atual mandato deixou enormes lacunas. Apostou mais em saídas limitadas a mesas negociais em detrimento de uma agenda calcada nas mobilizações da categoria. Uma postura e atitudes com independência e autonomia política não foram marcas da gestão da FUP nos últimos anos, atingindo sua credibilidade política. 


Portal CTB: Que avanços conquistados e dificuldades enfrentadas pelos petroleiros nos últimos anos merecem destaque?

Divanilton Pereira: Durante o mandato do presidente Lula, tivemos uma relativa recuperação de direitos agredidos pelo período neoliberal, além de uma destacada recomposição de efetivos (mais de 30 mil admissões). No entanto, as gestões da Petrobras compreendem até hoje que essas recomposições devam constituir-se em tetos, como se as nossas reivindicações devessem chegar ao fim. É dentro dessa disputa que prosseguem uma desastrosa política de contratação de terceirizados, a política de (in)segurança nas unidades operacionais e um padrão remuneratório aquém do atual estágio da atividade de petróleo no Brasil e no mundo. Em torno dessas limitações se reproduzem outras fragilidades sociais. 



Portal CTB: Quais os principais desafios que os trabalhadores petroleiros terão pela frente durante os próximos anos?

Divanilton Pereira: No plano mais geral, garantir que a Petrobras continue como um meio indutor e fiador do projeto nacional de desenvolvimento. Mais recentemente, a disputa em torno da atualização do plano de negócios 2011/2015 revelou que essa direção tem resistências internas no atual governo. Com o advento do pré-sal, a empresa vem centralizando seus investimentos nessas áreas, provocando desmobilizações de ativos importantes, sobretudo no Nordeste brasileiro. Continuaremos combatendo essa tendência. 



No plano político, precisamos nos integrar à Agenda das centrais sindicais que disputam os rumos do governo Dilma. Já na agenda específica, destaca-se o combate à modalidade atual de contratação de terceiros, a situação da segurança e uma atualização do plano de cargos que realinhe adequadamente os salários e garanta uma mobilidade funcional democrática. 



Portal CTB: Na condição de dirigente da FUP e da CTB, qual sua avaliação dos primeiros meses do governo Dilma?

Divanilton Pereira: Nós, integrantes dos movimentos sociais e sindicais, lutamos pela continuidade do projeto democrático e popular descortinado pelo sindicalista Lula através da companheira Dilma Rousseff. Naquela oportunidade, como atualmente, nós da CTB compreendemos que o atual governo não deve ser uma mera continuidade – o anterior deve ser uma referência para que o atual rume a novas mudanças. No entanto, nesses primeiros seis meses revela-se politicamente disperso, estrategicamente sem projeto, e sob tais circunstâncias cede ao capital financeiro e patronal, ao passo em que recua na mais recente exitosa política externa brasileira, protagonizada pelo governo Lula. 



Portal CTB: Há um grande debate entre os movimentos sociais sobre o melhor uso dos recursos obtidos a partir do pré-sal. Qual seu ponto de vista sobre essa demanda? Para onde os recursos deveriam ser direcionados?

Divanilton Pereira: Os recursos do pré-sal constituem-se na maior receita contemporânea no Brasil. Portanto, não podemos repetir os erros dos ciclos econômicos de nossa história, nos quais seus direcionamentos corresponderam aos interesses da elite brasileira, subordinada aos interesses internacionais. Dessa forma, defendemos que essa receita seja fiadora de um projeto estratégico de desenvolvimento, focado numa verdadeira revolução no financiamento público da educação e na inovação tecnológica.



 

Fonte: Portal CTB (www.portalctb.org.br)

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