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Nicolelis explica a saída dos neurocientistas e evita falar em brigas

29 de julho de 2011 às 12:10

Falando rápido e usando seu habitual boné do Palmeiras, o cientista Miguel Nicolelis explicou ontem à imprensa a saída dos oito neurocientistas ligados à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) do Instituto Internacional de Neurociências de Natal - Edmond e Lily Safra (IINN-ELS). Em cerca de quarenta minutos de entrevista ele evitou falar de brigas internas no IINN-ELS e deu sua versão dos fatos. Nicolelis afirmou que não há rompimento da parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, apenas o fim de uma "colaboração científica". Nicolelis disse que os neurocientistas fazem parte do quadro de professores da UFRN e foram contratados mediante um pleito que a UFRN fez ao Ministério da Educação (MEC) para a criação de 12 vagas de concursos para professores.

O concurso foi realizado e algumas vagas foram preenchidas. "Mas quando esses professores chegaram aqui para trabalhar não havia espaço no campus da UFRN para abrigá-los, porque o prédio doCampus do Cérebro ainda está sendo construído. Então a Associação Alberto Santos Dumont para Apoio à Pesquisa (AASDAP) - (mantendeora do IINN-ELS) - abriu seu Instituto, que é privado, para abrigar esses pesquisadores, de tal maneira que eles pudessem iniciar seus trabalhos antes da construção do prédio do Campus", disse Nicolelis. Para isso foi celebrado um convênio entre a UFRN e a AASDAP que cobria 30% das despesas operacionais (apoio técnico e administrativo, limpeza, organização, compra de quipamentos), os outros 70% eram custeados com recursos próprios da AASDAP. "Esse convênio terminaria em setembro, mas poderia ser renovado se houvesse interesse de ambas as partes. Mas os pesquisadores decidiram sair da sede do IINN-ELS antes mesmo do término do convênio", disse Nicolelis.

Em relação à retirada dos equipamentos do IINN-ELS, que aconteceu na última segunda-feira, Nicolelis esclareceu que não houve conflito algum nessa negociação e que a retirada foi acertada antecipadamente com a reitora da UFRN, Angela Cruz. "Aqueles equipamentos pertencem à UFRN, e não eram utilizados mais nas pesquisas do Instituto. Mas, ao contrário do que foi divulgado pela imprensa, o valor monetário daqueles equipamentos é de R$ 232 mil e não R$ 6 milhões como foi veiculado em alguns veículos de comunicação", disse. Miguel afirmou que o Instituto Internacional de Neurociência de Natal tem um equipe própria de pesquisadores, que são financiados com recursos próprios, e que a saída dos oito neurocientistas não afeta as atividades do IINN-ELS.

"O término dessa colaboração não tem efeito algum nas atividades de pesquisa do nosso Instituto. É importante alertar aos nossos mais de 100 funcionários da AASDAP, professores, médicos, funcionários administrativos, técnicos, que vieram de todos os lugares do país para participar desse projeto de difusão da ciência como agente de transformação social".

Restrição ao uso de equipamentos

Um dos motivos para a saída dos neurocientistas do IINN-ELS seria o rigor das regras impostas para o acesso aos equipamentos mantidos no local. Sobre isso Nicolelis foi enfático. "Nunca houve restrição alguma ao uso dos equipamentos do IINN-ELS. O que houve é que toda entidade privada tem normas: normas de segurança, normas de gerenciamento administrativo, para que a lei seja cumprida. Foi nos oferecida uma lista de 95 pessoas que gostariam de ter acesso irrestrito a todos os nossos prédios de pesquisa e essa lista foi totalmente aprovada, essas pessoas tiveram acesso completo. A única coisa que a gente pedia é que pessoas que não estivessem registradas nessa lista fossem registradas; que visitas fossem cadastradas e agendadas. Porque nós somos uma empresa privada e nós temos questões de segurança, segredos profissionais, propriedade intelectual, equipamentos, e uma série de outras normas que precisam ser seguidas", disse.

Em relação ao neurocientista Sidarta Ribeiro, parceiro de Nicolelis na fundação do IINN-ELS, o cientista preferiu não polemizar. "Eu conheço o professor Sidarta há 10 anos. Eu fui orientador dele no pós-doutorado, e se você consultar o currículo do professor Sidarta metade dos trabalhos publicados por ele tem o meu nome. O professor Sidarta é um cientista brilhante, e tem tudo para ser um dos maiores neurocientistas do Brasil. Acredito no potencial dele, e de cada um dos meninos que veio para cá, mas eu nunca vi uma dissolução de uma parceria científica ser discutida na imprensa", concluiu.

Fonte: DN Online

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