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Entrevista

Novo Jornal repercute descoberta de petróleo em águas profundas da Bacia Potiguar

Diretor do Sindicato avalia descoberta como positiva, mas critica Petrobrás por venda de cotas

19 de dezembro de 2013 às 17:24

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Foto: Capa do Novo Jornal adaptada

Confira a matéria do Novo Jornal. Edição de 19 de dezembro.

 

PRESENTE ANUNCIADO

PETRÓLEO / NOTÍCIA DA DESCOBERTA DE RESERVAS EM ÁGUAS PROFUNDAS DO LITORAL POTIGUAR ANIMA AUTORIDADES E SETOR PRODUTIVO, QUE PREVEEM O CRESCIMENTO DA ECONOMIA COM RETOMADA DA PRODUÇÃO; PRESIDENTE DA PETROBRAS PARABENIZA ESTADO.

 

A PRIMEIRA DESCOBERTA de petróleo em águas ultraprofundas na Bacia Potiguar, a 55 km da costa do Rio Grande do Norte, é considerada a melhor notícia do ano por empresários e especialistas do setor produtivo e pode significar mais investimentos e empregos para o Estado. A própria Petrobras divulgou nota à imprensa na terça-feira (17) à noite revelando a ocorrência em águas profundas durante a perfuração do poço 1-BRS-A-1205-RNS (1-RNS-158) conhecido como campo Pitu, que tem uma lâmina d’água de 1.731 metros.

“Trata-se de um marco econômico importantíssimo para o Rio Grande do Norte”, disse a governadora Rosalba Ciarlini (DEM). Ela enfatizou ainda que a notícia da descoberta de petróleo em água profundas chega em um momento no qual a atividade petrolífera começa a dar sinais de retomada. “Acompanhei de longe essas pesquisas e a notícia não poderia chegar em melhor hora. 2014 será um ano excelente para exploração dessa nossa riqueza”, assinalou a chefe do executivo estadual.

O presidente da Câmara Federal, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB) telefonou à presidente da Petrobras, Graça Foster, e contou que ela comemorou muito a descoberta. Henrique Eduardo informou que a presidente tratou a notícia com muita prudência e responsabilidade; e parabenizou o Estado pela descoberta. “É muito pouco próvavel que seja apenas um poço isolado. Geralmente quando tem uma descoberta assim, não é algo isolado”, disse ele. E acrescentou: “É uma grande notícia. É o melhor presente de Natal que o Estado poderia ganhar”. Henrique Eduardo informou ainda que em janeiro voltará a ligar à presidente para saber novidades; é que nos próximos 30 dias a perfuração deve chegar aos 5 mil metros de profundidade.

O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN), Amaro Sales também comemorou: “É a notícia de fim de ano para o Estado no meio de tanta turbulência”. Ele lembrou que se for confirmada a viabilidade do poço, esta será a notícia no setor mais importante depois da descoberta de petróleo no Estado, dia 29 de dezembro de 1979, em Mossoró. O setor de petróleo e gás é um dos mais importantes dentro da cadeia produtiva do Rio Grande do Norte com alta empregabilidade, ressaltou o presidente da Fiern. A notícia pode configurar no aumento de royalties para o Estado e municípios. “Vamos aguardar para saber de quanto é a reserva e quanto ela representará para a produção”, complementou.

A Fiern, há 15 dias, formatou um núcleo de discussão da cadeia produtiva do petróleo e gás no RN junto com o Senai. “Parece que estávamos adivinhando”, comentou Sales. Ele disse que sempre apostou na existência de petróleo em águas profundas do litoral potiguar a exemplo da ocorrência em zonas de pré-sal. “Se isso for materializado é a maior notícia do ano”, destacou o diretor superintendente do Serviço de Apoio à Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/RN), o economista José (Zeca) Ferreira de Melo. A construção civil, a indústria de transformação e o petróleo formam o tripé da economia potiguar.

Em razão disso, Zeca Melo frisou que se for provada a viabilidade econômica da descoberta será aberta uma nova fronteira no setor petrolífero no RN, ainda mais, sendo no mar. “Isso vai provocar a readaptação de toda a cadeia produtiva de prestadores de serviços, principalmente, na região Oeste do Estado, onde está concentrada a maior demanda de empresas e mão-de-obra do setor”, analisou.

 

EXTRAÇÃO VAI LEVAR TEMPO

 

O secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Rogério Marinho, disse que se a descoberta demonstrar viabilidade econômica será um misto de esperança e expectativa para o setor petrolífero do Estado.

Rogério Marinho lembrou que a produção atual do RN está voltada para os poços terrestres que estão em estado de maturação, o que leva a produção ao declínio que hoje se encontra. “Isso tem acarretado dificuldades para a economia com a diminuição da atividade petrolífera”, ressaltou.

Segundo Marinho, a retomada dos leilões de petróleo significa novos campos que vão refletir no aumento da produção de petróleo e gás. “Por enquanto, essa descoberta é uma situação embrionária. É uma informação importante, mas não tem nada ainda sobre produção”, assinalou.

O coordenador do Comitê Gestor da Redepetro RN, Doryan Hilton Filgueira, disse que a notícia é animadora, mas é melhor esperar a confi rmação se há petróleo sufi ciente para exploração.

A Redepetro RN é uma organização em rede de 146 empresas prestadoras e instituições fornecedoras de bens e serviços para a cadeia produtiva do petróleo, gás e energia com sede em Mossoró.

Filgueira prefere aguardar pelos resultados dos estudos que vão apontar se há reserva suficiente para exploração comercial do petróleo em águas profundas. “A gente já sabia que a pesquisa estava sendo feita, mas vamos aguardar pelos resultados”, disse cauteloso.  

No RN o setor de serviços emprega 6 mil trabalhadores, que, com a queda da produção da Petrobras, sentem-se ameaçados de perder seus empregos.

Caso seja comprovada a viabilidade dos poços, eles só devem começar a produzir dentro de no mínimo sete anos. Os investimentos nos leilões de poços off shore (em mar) e onshore (em terra) deste ano só devem refletir na economia nesse mesmo período, advertiu Doryan Hilton. De qualquer maneira, fez questão de frisar, “significa mais empregos”.

CAUTELA COM O MODELO E PARTICIPAÇÃO MAIOR NO PIB

Para o coordenador geral do Sindicato dos Petroleiros do (Sindipetro-RN), Márcio Azevedo Dias, a notícia que a Petrobras encontrou petróleo em águas profundas, para o setor é a mais importante nos últimos anos.

“Até o momento não se tinha notícia desse porte no Estado. A notícia é importante, mas nós temos que ter comedimento porque os desdobramentos envolvem questões políticas do Governo”, ponderou Dias.

O sindicalista disse que a descoberta é vista como positiva, mas, segundo ele, a informação de que a Petrobras pode vender parte das cotas de sua participação não é boa. “A exploração do petróleo é um setor estratégico e de soberania para o país e a diminuição da margem de participação da Petrobras é um risco”, criticou.

Se a existência de petróleo tiver viabilidade econômica haverá investimentos pesados da Petrobras e demais empresas que atuam no setor petrolífero, disse o coordenador do curso de Engenharia do Petróleo e Gás da Universidade Potiguar (UnP), professor Francisco Wendell Bezerra Lopes.

“Isso demandará investimentos em tecnologias e mão--de-obra especializada”, sublinhou o professor. Ele chamou atenção para o fato de que na nota divulgada pela Petrobras, anunciado a descoberta, não há informações sobre o tipo de formação onde está o reservatório. “Dificilmente será a mesma do pré-sal”, explicou. “Essa descoberta, após avaliada como técnica e economicamente viável, pode dar uma guinada no processo de produção de óleo em nosso Estado”, avaliou o professor da UnP.

O Rio Grande do Norte, comentou o especialista, vem sofrendo com o declínio da produção. “Isso devido principalmente aos nossos campos produtores estarem em processo de maturação”, pontuou.

Para o economista e chefe da Unidade do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística no Rio Grande do Norte, Aldemir Freire, a descoberta abre a possibilidade de uma nova fronteira de exploração de petróleo e gás no Estado.

Ele adverte que ainda é cedo para se fazer qualquer avaliação porque a Petrobras não divulgou a extensão e volume da ocorrência, e advertiu que os reflexos da descoberta não serão imediatos.

Ademir Freire frisou que foi a melhor notícia dos últimos anos e abre portas para novos investimentos e retomada da produção de petróleo no Estado se for confirmada. De acordo com dados do IBGE, a indústria do petróleo, que faz parte do setor extrativista, responde atualmente por entre 10% e 12% do PIB do Rio Grande do Norte.

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