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RETRATOS DA GREVE

Para garantir produção gerências rasgam normas de segurança

Exemplos disso ocorreram na Refinaria Potiguar Clara Camarão e nas plataformas marítimas.

01 de novembro de 2013 às 15:02

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Foto: Christian Vasconcelos

O encerramento da greve e o retorno aos locais de trabalho têm revelado o quanto alguns gerentes e supervisores da Petrobrás prezam pelo cumprimento de padrões e normas que tanto costumam exigir. Exemplos disso ocorreram na Refinaria Potiguar Clara Camarão e nas plataformas marítimas. Na tentativa desesperada de colocar a RPCC em funcionamento, os “gestores” dispensaram a emissão de Permissão de Trabalho e repassaram toda a operação para terceirizados. 

Submetidos a cárcere privado, em regime de confinamento, esses trabalhadores foram obrigados a executar tarefas para as quais não tiveram a formação e o treinamento necessários, colocando em risco a própria segurança, a das comunidades do entorno, a integridade das instalações e o meio-ambiente. 
Além de desmoralizar a política de SMS, já que, por sorte, não foram registrados incidentes no período, o desatino gerencial deverá ter outras consequências. O primeiro questionamento diz respeito à situação trabalhista dos terceirizados que, não estando submetidos a regime de embarque, foram obrigados ao confinamento. “A empresa vai pagar os adicionais devidos? O pagamento passará a ser previsto nos contratos?” – indagam os trabalhadores. 
Outro desdobramento do desvario de gerentes e supervisores está relacionado ao produto processado durante o período da greve. Está claro que não há garantia de qualidade, pois os procedimentos padrão foram completamente subvertidos. Qual deverá ser então, a destinação? Será vendido sem certificação ou será reprocessado?

Manobra irresponsável 
Nas plataformas marítimas, a ânsia de restabelecer níveis de produção – por menores que fossem – também levou “gestores” a atitudes que beiram a insanidade. Destacados pelo gerente de plantão do Ativo Mar, supervisores e alguns trabalhadores que estão sendo chamados de “voluntariosos” realizaram uma manobra de alto risco: transformaram em bifásico, um velho oleoduto monofásico, que trabalha em baixíssima pressão, com muitos pontos problemáticos. A denúncia vem à tona para que a responsabilidade pela ocorrência de eventuais problemas fique clara à sociedade e a os órgãos de controle competentes. Nas plataformas e na RPCC, o carreirismo canibal de “gestores” e fura-greves não se incomoda em jogar na lata do lixo tudo o que pregam no dia a dia, ignorando padrões e SMS, em nome da produção e dos lucros. É a ética do vale-tudo!
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