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Dieese

Petrobrás poderá se tornar uma “empresa de escritório” sem papel social

Temor foi manifestado em Seminário sobre retração de investimentos da Empresa no N e NE

27 de setembro de 2013 às 10:20

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Foto: Graziella Sousa

Receio de que a Petrobrás se torne mera "empresa de escritório", que vende riquezas visando exclusivamente o lucro, em detrimento do seu papel social. Esta foi a grande preocupação manifestada pelos técnicos do Dieese, Rodrigo Leão e Cleviomar, durante intervenção no Seminário em Defesa dos Investimentos da Petrobrás no Norte, Nordeste e Norte do Espírito Santo. Promovido pela FUP e Sindicatos filiados, o evento acontece nesta sexta-feira, 27, em Fortaleza, no hotel Praiano.

Com base em pesquisas, os técnicos do Dieese destacaram que os investimentos em terra estão muito aquém daqueles realizados em campos offshore, o que reflete o empenho da Companhia em obter maiores lucros, afastando-se, cada vez mais, de seu compromisso social, enquanto empresa controlada pela União. Sua participação reduzida nos últimos leilões de petróleo, terceirizando a exploração da matéria-prima, ratifica esse entendimento.

Rodrigo Leão frisou ainda que a gestão da Petrobrás não pode seguir a mesma lógica de petrolíferas privadas, como a Shell e Chevron, por exemplo. É preciso que se considere o contexto social que envolve a produção em terra, como a oferta de empregos diretos e indiretos, além do desenvolvimento para as cidades que recebem unidades da Petrobrás. É o caso de Mossoró, Macau, Alto do Rodrigues, Carnaubais, entre outras, que se expandiram em função da atividade petrolífera em continente.

Evolução da Produção de Petróleo - Dados do Dieese apontam que, no Rio Grande do Norte, a linha de produção entrou em declínio a partir de 2004, quando o volume extraído em solo potiguar alcançou 24,8 milhões de barris de petróleo/ano, chegando a 19 milhões, em 2012. A diminuição dos investimentos no Estado reflete-se no número de homologações de rescisões contratuais realizadas pelo SINDIPETRO-RN, que alcançou 2.158, somente entre 2009 e julho deste ano.

Concentração de recursos e investimentos – No entendimento do SINDIPETRO-RN é compreensível que os olhares da Petrobrás estejam voltados à produção na região do Pré-sal. Isto, porém, em nada deveria impedir a realização de investimentos paralelos em campos terrestres, sendo ainda menos justificável a retração deles. O fato é que, apesar dos cada vez mais constantes desmentidos da Petrobrás, a atividade petrolífera no Estado vem sendo progressivamente desmobilizada. Em menos de dois anos, mais de quinze empresas privadas do setor petróleo deixaram o RN. Duas Unidades de Tratamento e Produção de Fluidos - UTPF's foram fechadas, das três existentes. Em pouco mais de três anos, já são mais de 4.450 empregos extintos, apenas na base do SINDIPETRO-RN.

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