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CONTRADIÇÃO

Petrobrás prefere intimidar Sindicato a coibir desmandos de terceirizada

Categoria precisa cerrar fileiras contra as práticas antissindicais e a cumplicidade com os abusos

27 de março de 2014 às 13:27

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Foto: Ilustração

Ao invés de buscar meios para acabar com as constantes ilegalidades praticadas por empresas terceirizadas, a Petrobrás prefere intimidar e coibir a ação sindical. Isto é o que se deduz da decisão da Companhia de criar um Grupo de Trabalho ligado à segurança da informação para averiguar um suposto incidente envolvendo a utilização de dados referentes ao contrato de prestação de serviços da TENASA. O acesso às informações teria sido feito a partir de um computador com endereço IP utilizado pelo diretor de Assuntos Administrativos e Controle Patrimonial do SINDIPETRO-RN, Roberto Félix, lotado na Sede Natal.

Como sindicalista, Roberto Félix foi solidário com as recentes mobilizações dos trabalhadores da TENASA, que chegaram a realizar greves em Natal, Mossoró e no Alto do Rodrigues, durante os meses de janeiro e fevereiro. Entre as principais reivindicações, os trabalhadores buscavam o pagamento de salários em atraso, férias, vale-alimentação, vale-transporte, horas-extras, regularização dos depósitos referentes ao FGTS e INSS, além do repasse para as agências financiadoras dos valores de empréstimos consignados descontados em contracheques e indevidamente apropriados pela terceirizada.

 

Juntamente com o SINDRATEC/RN, entidade que representa os trabalhadores da TENASA, o SINDIPETRO-RN apoiou a ação judicial que solicitou o bloqueio do pagamento de faturas à terceirizada, a fim de que a situação fosse regularizada. A Justiça do Trabalho atendeu ao pleito dos trabalhadores, mas a direção da TENASA parece ter questionado a Petrobrás quanto à presença de informações referentes ao andamento do contrato no processo movido pela entidade sindical.

Atuação – Durante a mobilização dos trabalhadores, assim como em toda a sua trajetória profissional, Roberto Félix teve conduta ética coerente com os padrões exigidos pela Petrobrás e com o que se espera de uma liderança classista. Como empregado com responsabilidades institucionais, que em nenhum momento foram transgredidas, Roberto atuou a fim de preservar os interesses da Companhia, que, inclusive, poderia ser levada a ter que responder subsidiariamente pelos desmandos da terceirizada. Como dirigente sindical, Roberto demonstrou que a responsabilidade de uma liderança é proporcional às necessidades daqueles a quem representa, agindo de forma solidária, a fim de ampliar a consciência profissional, social e política dos trabalhadores e trabalhadoras da TENASA, fazendo-os crescer como cidadãos e cidadãs.

No entanto, diferentemente da conduta adotada por Roberto Félix, que buscou preservar interesses da Petrobrás e dos trabalhadores terceirizados, a disposição ora manifestada pela Companhia revela uma concepção profundamente contraditória. Levado às últimas consequências, o comportamento sinaliza favoravelmente à continuidade dos desmandos e do desrespeito às relações de trabalho, declarando a Petrobrás como território livre para falcatruas.

Além disso, insistir em tentar encontrar elementos dentro de suas normas e regulamentos para intimidar e punir a ação sindical é prática que não condiz com o propalado perfil de empresa-cidadã, que “acredita no potencial transformador e na vocação para a cidadania da sua força de trabalho”. O SINDIPETRO-RN, desde já, conclama o conjunto da categoria petroleira, em todo o Estado, nos setores público e privado, a cerrar fileiras contra as práticas antissindicais e a cumplicidade com os abusos. Não somos escravos, somos trabalhadores detentores de direitos!

 

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