Pular para o menu
1335970177
Retaliação?

Petrobrás transfere trabalhador que reivindica direitos

Contrariando política de recursos humanos, mudança não foi devidamente explicada pela empresa

02 de maio de 2012 às 11:49

A Petrobrás vai jurar de pés juntos que uma coisa nada tem a ver com a outra. Mas, no mínimo, é muita coincidência. Na segunda-feira, 23 de abril, um trabalhador da área operacional, lotado na Estação de Tratamento de Efluentes – ETE, no Polo Industrial de Guamaré, recebeu a comunicação de que estava sendo transferido para a Balança, uma área ligada à Transpetro, em que se realizam atividades comerciais.

Curiosamente, nesse mesmo dia, o trabalhador havia participado de uma audiência relativa a um processo judicial em que questiona a Petrobrás pela não concessão de avanços de nível: um direito que lhe foi usurpado. Para o petroleiro, a transferência significa uma alteração no regime de trabalho, passando do Revezamento de Turno para o Administrativo, com repercussão negativa sobre os vencimentos.

O trabalhador, que possui formação profissional voltada para o desempenho de atividades na área operacional, não obteve, até o momento, qualquer explicação por parte da Empresa capaz de justificar a necessidade de sua transferência para a área administrativa. Ao que tudo indica, tal conduta resgata uma prática adotada pela Petrobrás na década de 90 do século passado, e que mereceu condenação, por parte da Justiça.

Naquele período, por iniciativa dos Sindicatos, a empresa foi obrigada a corrigir e compensar retaliações promovidas contra trabalhadores que reivindicavam direitos na Justiça. Uma verdadeira aberração que feria claramente o direito constitucional de  todo cidadão ou cidadã de buscar a tutela do Estado para garantir o atendimento de direitos que lhe são devidos. Passados tantos anos e empregando um discurso de  valorização da força de trabalho, causa profunda estranheza que a Petrobrás possa estar resgatando práticas tão atrasadas e retrógradas.

 

Compartilhar: