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Petrobras vale só quanto pesa

07 de julho de 2011 às 11:22

O valor de mercado da Petrobras está, pela primeira vez desde 1999, abaixo do patrimônio líquido da empresa. O indicador é uma maneira de medir o que o mercado coloca de expectativa em uma ação. Quanto maior a diferença, mais se espera da empresa no futuro. Ontem, o preço sobre valor patrimonial (P/VPA) da ação preferencial da maior companhia do país e da bolsa fechou em 0,98 vez, ou seja, o papel vale menos na bolsa do que nos livros. Para a ação ordinária, a relação era de 1,08 vez. O preço da ação, formado diariamente nas negociações em bolsa, é a base para o cálculo do valor de mercado. Já o valor patrimonial, o que sobra para os acionistas subtraindo-se as dívidas dos ativos, é calculado pela empresa e divulgado trimestralmente nos balanços. Existem várias maneiras de se medir o "prêmio" que investidores pagam por uma empresa. O preço sobre valor patrimonial dá uma ideia do "intangível" de uma companhia, o ágio que o mercado está disposto a pagar por ela além do preço contábil, notoriamente conservador - mesmo com os recentes avanços da chamada contabilidade do "valor justo". Um valor de mercado constantemente abaixo do valor dos livros sugere, no mínimo, que não há ganho para os investidores até onde o mercado pode ver.

Entre as empresas do Índice Bovespa, a principal referência do mercado de ações, o maior P/VPA ontem era da Cielo, 23,91 vezes. O menor, da Eletrobras, a holding estatal do setor elétrico: 0,36 vez para a ordinária e 0,45 vez para a preferencial. No caso da Petrobras, uma das maiores petrolíferas do mundo por valor de mercado, as ações, preferenciais ou ordinárias, eram negociadas desde 1999 com um ágio - substancial, em alguns momentos -, segundo dados da consultoria Economática.

Essa situação parece contraditória, dado o portfólio de descobertas, notadamente as do pré-sal - mas não só ali -, que a coloca em um patamar único entre seus pares. Com um plano de investimentos em marcha de US$ 224 bilhões, um dos maiores do mundo, a Petrobras tem presença dominante em um dos mercados que mais crescem no globo, o brasileiro, e é uma das poucas que pretendem dobrar a produção na próxima década. Adicionalmente, com as áreas do pré-sal, as reservas de petróleo devem saltar dos atuais 16 bilhões de barris pelo critério da Society of Petroleum Engineers (SPE) ou 12,14 bilhões pelo critério americano para no mínimo 30 bilhões de barris. O índice de reposição de reservas da companhia aumentou 229% em 2010, o que significa que, se não descobrir mais nenhum barril, poderá manter a atual produção por 18,4 anos. Então, o que está acontecendo com a Petrobras?

A melhor relação preço/patrimônio nesse grupo é da americana Continental Resources, acima de 6 vezes. No auge da euforia do pré-sal, o valor de mercado da Petrobras ficou mais de quatro vezes acima do patrimonial. A estatal, que chegou a estar entre as cinco empresas de maior valor de mercado do mundo, marcava posição ontem, com US$ 209,38 bilhões, no décimo primeiro lugar, segundo levantamento da Bloomberg. A Exxon segue inabalada na liderança, valendo US$ 420,51 bilhões, seguida não muito de perto pela Apple e pela Petrochina. Outra rival da Petrobras, a Royal Dutch Shell, estava em sétimo lugar.

Fonte: Valor Online

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