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Economia

Petroleiros baianos levam reivindicações para Graça Foster

SINDIPETRO-BA e FUP cobraram à presidência da Petrobrás mais investimentos para a região Nordeste

16 de julho de 2013 às 13:42

Representantes do SINDIPETRO-BA e da Federação Única dos Petroleiros - FUP, com participação de alguns parlamentares do estado, entregaram à presidente da Petrobrás, Graça Foster, um documento intitulado "Carta da Bahia", cobrando investimentos da companhia e denunciando práticas gerenciais que prejudicam os trabalhadores próprios e terceirizadas. 

Todo o staff da empresa participou do encontro: diretores de E&P, ABAST, Gás e Energia, Serviços e o gerente executivo de E&P Norte/Nordeste. Na carta entregue à presidente da Petrobrás, Graça Foster, nesta segunda (15/07), a direção do Sindipetro Bahia denuncia a política de desinvestimento da estatal no estado e cobra providências urgentes para reversão desse quadro, veja:

 

CARTA À PRESIDENTE DA PETROBRÁS

 

Senhora MARIA DAS GRAÇAS FOSTER:

Nós petroleiros baianos, representados pelo Sindipetro Bahia, viemos por meio desta apresentar nossas preocupações quanto à política de desinvestimentos que a direção da Petrobrás, comandada por Vossa Senhoria, está implementando em todas as atividades da empresa e de suas subsidiárias em nosso estado. Queremos também explicitar o nosso posicionamento político em defesa do retorno desses investimentos e denunciar todas as ações gerenciais que estão prejudicando os trabalhadores próprios e terceirizados, bem como a economia local de dezenas de municípios onde se situam as atividades da Petrobrás e suas subsidiarias.

Temos observado uma série de cortes e reduções nas mais diversas áreas de atuação da empresa nos setores de exploração e produção dos campos terrestres e marítimos, refino, serviços, transporte e gás & energia, incluindo os contratos das empresas prestadoras de serviços em todas essas mesmas áreas.

É do nosso conhecimento que o advento do pré-sal levou a Petrobrás a promover relativa concentração de investimentos, em detrimento das suas demais áreas e atividades, principalmente na exploração e produção dos campos terrestres e marítimos, situados na Bahia, em outros Estados do Nordeste, no Norte Capixaba e no Amazonas.

Importante destacar que a produção atual na Bahia corresponde a cerca de 3% da produção nacional, portanto, qualquer política de desinvestimento na produção de petróleo e gás no estado terá um retorno econômico muito pequeno para aumentar os investimentos na área do pré-sal.

No entanto, essa mesma política tem um impacto econômico muito significativo para as cidades situadas no interior da Bahia, no Nordeste, no Norte Capixaba e no Amazonas. Da mesma forma, os investimentos nas novas fronteiras de exploração e produção de campos terrestres, alem de ter um custo significativamente menor, do que em outras áreas, é uma necessidade para a manutenção ou melhoria dos atuais níveis de produção.

A lógica puramente econômica – escala da empresa, volumes de produção envolvidos – pautou prioritariamente essas decisões e, nesse momento, a Petrobrás vem reduzindo seus investimentos nas demais atividades, principalmente nos campos petrolíferos terrestres e marítimos já citados.

Essa mesma lógica tem levado a empresa a substituir a sua mão de obra própria pela mão de obra terceirizada, inclusive em suas atividades fim e, ao mesmo tempo, buscando reduzir os custos de contratação dessas empresas. O atual modelo de contratação implementado pela Petrobrás precariza as condições de trabalho dos terceirizados e vem gerando desemprego de milhares de trabalhadores.

As últimas medidas adotadas pela Petrobrás e suas subsidiárias vêm desmobilizando e fragilizando os níveis de investimentos nas regiões com menor nível de desenvolvimento, gerando desemprego e redução de renda dos trabalhadores que vivem nos diversos municípios onde a empresa atua. O crescimento das homologações das rescisões contratuais do trabalho no segmento da prestação de serviço é um importante indicador que confirma esse fato.

Na região Nordeste, no Norte do Espírito Santo e no Amazonas, essas diretrizes que a Petrobrás e suas subsidiarias vêm adotando estão trazendo sérias repercussões, não só econômicas, mas, sobretudo, sociais. Tanto no que diz respeito aos trabalhadores e trabalhadoras envolvidos na cadeia produtiva do petróleo, quanto em relação às economias locais. Assim sofrem os governos municipais e estaduais, com menor repasse de impostos relativos à produção nos municípios; assim sofrem os prestadores de serviços e as economias locais; assim sofre a sociedade como um todo, com a redução da Com isso, a Petrobrás despreza todo o modo de vida daqueles municípios que cresceram em função das atividades da cadeia produtiva do setor petróleo e a infraestrutura que foi construída para viabilizar as atividades da empresa e de suas subsidiarias nesses quase 60 anos de existência, com os quais os trabalhadores petroleiros baianos contribuíram decisivamente para o desenvolvimento econômico e social da estatal e do Brasil.

Apesar da atual produção de petróleo e gás da Bahia ser pouco expressiva no cenário nacional, se for considerada toda a produção de petróleo do país, desde a criação da Petrobrás até a presente data, o estado baiano ainda é responsável por cerca de 30% da produção acumulada da empresa ao longo desses 60 anos de existência.

Portanto, essa  atual política implementada pela empresa é contraditória com as principais diretrizes de gestão definidas pela própria companhia, além de descumprir o compromisso com os seus trabalhadores de ser uma empresa socialmente responsável.

Senhora Presidente, uma empresa do porte da Petrobrás, consciente do seu papel econômico e social, não pode de forma alguma, negligenciar a importância da continuidade das suas atividades no Nordeste brasileiro.

A Bahia foi o berço onde nasceu e se desenvolveu a indústria de petróleo no Brasil, que durante décadas sustentou e garantiu, sozinha, o desenvolvimento da maior empresa da América Latina, a quarta maior do mundo no setor petróleo e que, ainda hoje, continua gerando lucro para a companhia. 

Por isso, nós, petroleiros e petroleiras, a sociedade civil, os parlamentares e os gestores públicos temos o dever moral de cobrar o retorno dos investimentos da Petrobrás e de suas subsidiarias na Bahia e nos demais estados do Nordeste, enquanto Estatal com relevante papel social.

Defendemos a mudança dos rumos da empresa, conduzindo-a de volta ao seu papel social inserido no projeto político iniciado no governo do ex-presidente Lula, com a construção de refinarias, navios e plataformas no nosso país, estimulando, com isso, a engenharia  nacional e a indústria naval brasileira. O dever da Petrobrás não é somente lucrar, é servir de instrumento para diminuir as desigualdades entre as regiões e não o contrário.

Concentrar investimentos no Sudeste é aprofundar um problema que o Governo Federal se empenhou em resolver, desde 2003.

Ao finalizar este documento, senhora Maria das Graças Foster, cobramos desta gestão, liderada pela sua presidência, essa mudança de rumo em nome de um Brasil democrático e justo. Pelo monopólio de nossas riquezas e a sua utilização em prol do bem-estar social o nosso povo.

 

Rio de Janeiro, 15 de julho de 2013.

JOÃO ANTÔNIO DE MORAES

Federação Única dos Petroleiros - FUP - Coordenador Geral

PAULO CÉSAR C. MARTIN

Sindicato dos Petroleiros da Bahia - Sindipetro-BA - Coordenador Geral

 

A exemplo do SINDIPETRO-RN, que vem denunciando a retração investimento da Petrobrás há bastante tempo, e realizando grandes atos no Rio Grande do Norte, a Bahia está preocupada com situações semelhantes as que acontecem em nosso estado (Ações no Rio Grande do Norte: http://www.sindipetrorn.org.br/noticia/retra%C3%A7%C3%A3o-de-investimentos-da-petrobr%C3%A1s-no-rn).

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