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Encontro

Petroleiros debatem monopólio da mídia e democratização da comunicação

Evento integra a programação do XVI Congresso Nacional da FUP, que acontece em Natal

15 de agosto de 2014 às 14:29

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Foto: Christian Vasconcelos

Na foto, a jornalista da FUP, o jornalista Venício Lima e o jornalista Fernando Brito

As raízes do processo de monopolização da mídia por grandes grupos empresariais e os instrumentos necessários para democratizar a comunicação. Estes foram os temas centrais abordados no Encontro Nacional de Comunicação, realizado nesta quinta-feira, 14, pela Federação Única dos Petroleiros – FUP. O evento integra a programação do XVI Congresso Nacional da FUP, que acontece no hotel Pirâmide, em Natal, até o próximo domingo.

A necessidade de elaboração de um novo marco regulatório para a mídia, o papel das novas tecnologias de comunicação na disputa de ideias e o conceito do que seria um modelo ideal de mídia democratizada foram discutidos por delegados, delegadas, observadores e assessores com dois convidados: Venício Lima, um dos principais pesquisadores e analistas de mídia do país, e Fernando Brito, editor do blog “Tijolaço”.

Em entrevista concedida à assessoria de comunicação do SINDIPETRO-RN, Fernando Brito apontou dois fatores que considera determinantes do processo que levou à monopolização da comunicação no Brasil: a grande influência que a mídia conservadora exerce na aprovação de leis relacionadas ao sistema de comunicação e o fato de ser repassada a esses grupos boa parte da verba pública destinada à publicidade. Tal estrutura, no entanto, segundo o editor do “Tijolaço”, não teria sido construída ao acaso.

Conforme apontou Venício Lima, os maiores grupos de comunicação do País formaram seus impérios com a ajuda da ditadura militar e de sucessivos governos que favoreceram o empresariado, levando à construção do modelo comunicacional atual. Segundo ele, embora tenha propiciado consideráveis avanços sociais, a Carta de 1988 pecou na democratização da comunicação, pois consolidou o modelo de concessão no sistema de radiodifusão. “Nesse formato, opinou Brito, os interesses privados são absorvidos pelo Estado, mesmo que este seja desafiado”.

Rejeição – Para o editor do “Tijolaço”, a regulação da distribuição das cotas publicitárias é uma das principais razões que levam os grupos da mídia conservadora a rejeitarem a ideia de construção de um novo marco regulatório para a comunicação no Brasil. Avançar nessa direção significa rever a repartição de um bolo que só é servido aos grandes, e que resulta na realimentação do processo de monopolização. No modelo atual, portanto, dificilmente outras vertentes comunicativas conseguem competir de maneira justa, em igualdade de condições.

Entretanto, conforme destaca Brito, a massa não ocupa mais o lugar de mera espectadora. “Com o advento das novas tecnologias de comunicação, é permitido à sociedade participar e questionar não somente as informações apresentadas, mas também as ocultadas, oferecendo o contraponto. A notícia ruim é que, por mais que a mídia alternativa esteja amadurecendo para se colocar em um patamar capaz de disputar ideias com a mídia tradicional, é esta que ainda dita a agenda de discussão e direciona os debates na sociedade. Sua estrutura financeira lhe permite oferecer o melhor conjunto editorial e de profissionais, o que é um diferencial”.

Futuro – Durante o Encontro, em sua intervenção, Venício Lima apontou como possíveis ações imediatas na luta por uma mídia mais plural o fortalecimento das mídias pública e alternativa; a filiação ao Fórum Nacional de Democratização da Comunicação – FNDC; além da ativação dos Conselhos de Comunicação nos Estados, cuja criação é prevista na Constituição Federal.

Já, Fernando Brito destacou aquele que seria o modelo ideal e democrático de mídia, em que a opinião coletiva é o principal instrumento para transformar as atuais estruturas de monopólio. “Seríamos consultados diretamente, em tempo real acerca das decisões. Ninguém nos representaria. Não delegaríamos a ninguém o poder de falar e agir em nosso nome”, defendeu.

Mas enquanto o futuro não chega, aproveitar o poder multiplicador das novas tecnologias para agir em rede, reproduzindo o contraponto à mídia conservadora, está na ordem do dia.

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