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PIB de janeiro indica que a economia do país ainda está aquecida

17 de março de 2011 às 17:22

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) acelerou em janeiro, registrando alta de 0,71% em comparação com dezembro. O resultado surpreendeu o mercado. Em dezembro, o IBC-Br havia crescido apenas 0,10% em relação ao mês anterior.

Como os dados mensais oscilam muito — mesmo já se fazendo os ajustes sazonais (que excluem fatores típicos de cada período) —, um bom termômetro para se analisar o indicador do BC é olhar a média de crescimento no trimestre encerrado em janeiro. Nesse caso, o IBC-Br subiu 1,1% ante os três meses anteriores (agosto a outubro), mostrando uma ligeira aceleração ante a taxa de 1,06% verificada no trimestre encerrado em dezembro.

O ritmo do trimestre representa uma taxa anualizada em torno de 4,5% — desempenho que, em geral, o mercado e o BC consideram dentro do potencial do país. De qualquer forma, o índice serviu de pretexto para nova gritaria do setor financeiro. “Ao contrário do que o BC gostaria de testemunhar, o seu índice de atividade econômica aponta para a extensão de um ritmo robusto em 2011", afirmou o economista-chefe do BES Investimento, Jankiel Santos.

"O número de janeiro foi forte, especialmente diante do fato que a indústria andou de lado naquele mês", salientou. Para ele, o número mostra que é difícil dizer se as medidas adotadas pelo BC vão surtir efeito no controle da atividade econômica ou se apenas estão impactando o crédito sem alterar a dinâmica de crescimento do país.

Em relatório para clientes, o economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho, afirmou que o dado de janeiro mostrou alta maior que prevista pelo mercado. Mas, para ele, a crise japonesa deverá contribuir para o cenário do BC de desaceleração nos próximos trimestres e convergência dos preços.

"Essa parece ser a leitura refletida no mercado futuro de juros, que relativizou o crescimento das vendas do varejo acima do esperado, um mercado de trabalho ainda aquecido no curto prazo e o resultado do IBC-Br."

Segundo uma fonte da área econômica, o dado do BC tem que ser lido com cuidado porque também é sujeito a erros. A fonte lembra que o indicador apontava um crescimento de 7,8% para o PIB no ano passado e o número correto foi menor, de 7,5%. Outro integrante da equipe econômica disse que os números do IBGE mostraram que economia cresceu abaixo do potencial nos últimos dois trimestres de 2010, desmontando a tese de sobreaquecimento.

O Estado de S. Paulo

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