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Revoada da Petrobras desafia a inércia

08 de abril de 2013 às 09:38

Por César Santos, em 24/03

Há pelo menos uma década, quando a Petrobras iniciou o processo de estancamento de investimentos na região de Mossoró, a partir da falta de interesse nos chamados campos maduros, estudiosos no assunto alarmaram que a estatal por onde passa e vai embora deixa a miséria como herança.

Tirando todos os descontos – e exageros – a “profecia” preocupa. E parece cada vez mais próxima da realidade.

A Petrobras está esvaziando os investimentos nos nossos campos de petróleo e não há perspectivas de retomada de crescimento da produção. Por gravidade, as empresas contratadas estão encerrando suas atividades, causando demissões em massa. Os números assustam.

De novembro de 2012 para fevereiro último, a Delegacia Regional do Trabalho homologou 1.138 recisões, sendo que 158 delas ocorreram no primeiro bimestre de 2013. Eram funcionários de quatro empresas que não tiveram os contratos renovados pela Petrobras (Azevedo Travassos, Saipen, Tuscany e Perbras) e foram obrigadas a fechar as suas filiais na cidade.

Não é só isso.

A falta de investimentos atinge de forma contundente a economia local e regional, afetando segmentos importantes como a construção civil, o comércio, a prestação de serviços, dentre outros.

Pois bem.

Diante de um quadro que mostra-se preocupante, uma pergunta se faz necessária e urgente: o que a sociedade está fazendo para conter essa sangria?

Salvo o lampejo da Câmara Municipal de Mossoró, que vai realizar audiência pública para debater o problema, não há qualquer movimento em defesa do patrimônio da cidade e do seu povo. A bancada federal potiguar está calada; os deputados estaduais, também; e as entidades de classes sequer conseguem realizar uma reunião.

Para que servem a CDL, Acim, Sinduscom, Sindivarejo, Secom, Rotary, Maçonaria?

Não seria o momento dessas entidades reagirem em nome da sociedade? Seria. No entanto, é pedir demais para quem nunca ousou levantar uma bandeira de luta em prol ou defesa de Mossoró.

Ao contrário.

Na vinda do presídio federal, pelas mãos da ex-governadora Wilma de Faria, a própria Acim hipotecou o seu apoio ao “caldeirão do diabo”, certamente por interesses meramente individuais, já que obra dessa natureza não traria, como de fato não trouxe, qualquer coisa de positiva.

Agora, quem sabe, as autoridades que representam ou deveriam representar a sociedade, não reajam diante da ameaça de revoada da Petrobras. O momento é oportuno e urgente.

Mossoró precisa reafirmar que é uma cidade de povo bravo.

Jornal de Fato

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