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SETOR PRIVADO

Sem salários: entrevista relata dificuldades financeiras das famílias dos trabalhadores da ETX

Esposa de um dos funcionários fala sobre a tristeza de não saber como garantir as necessidades básicas da família

13 de novembro de 2013 às 10:21

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Foto: Deivson Mendes

Preocupado com a falta de pagamento dos salários dos trabalhadores da ETX, o SINDIPETRO-RN vem lutando diariamente pela resolução do problema. Por isso, além de procurar o diálogo com as direções da Terceirizada e da Petrobrás, a Entidade também se sente no dever de levar ao conhecimento da sociedade a situação de precariedade em que se encontram centenas de familiares desses trabalhadores. Há quase dois meses sem receber salários e benefícios, e há um mês em greve, eles contam como está sendo a rotina de dificuldades.

SINDIPETRO-RN cobra providências da Empresa

A esposa de um dos funcionários, que pediu para não ser identificada, fala sobre a tristeza de não saber como garantir as necessidades básicas da família. “O colégio dos meninos está atrasado há dois meses. Já fomos chamados algumas vezes na escola para resolver o problema, mas não temos como pagar. A gente está priorizando o leite da caçula, de um ano de idade. Um dos meus outros filhos chegou a falar que iria economizar no lanche em casa para sobrar para levar para a escola. Eu disse a ele que não se preocupasse com isso. A gente tenta poupá-los”, confessou, emocionada. 

A mesma mulher narrou, ainda, a frustração que sente pelo esforço do marido no emprego ter sido em vão. “Ele está indo atrás do que é dele. Sai todo dia de casa, arrisca a vida naquele trabalho perigoso, debaixo de sol e chuva... E, no final, percebo que isso tudo não valeu a pena. Estavam nos enganando. É triste abrir o armário da cozinha, a geladeira, e não saber se vamos ter o que comer”, admitiu.  

Quem também está buscando alternativas para sobreviver é o operador conhecido como Grilo. Ele frisou que a mulher está conseguindo segurar as principais despesas com o trabalho de manicure. Mesmo assim, os pagamentos das faturas dos cartões de banco estão atrasados.

Atraso no pagamento de contas também é o caso de Jailson. Devido aos problemas financeiros, ele e a esposa foram obrigados a voltar a morar cada um com seus pais. “Estou morando longe do meu filho. Ele e minha esposa estão na casa dos pais dela e eu na casa dos meus. É revoltante não ter dinheiro nem para o remédio do meu filho, que ficou doente por esses dias. Meu carro está com duas prestações em aberto. Fico angustiado, mas não tenho o que fazer, a não ser ter esperanças. Seja o que Deus quiser.”

O SINDIPETRO-RN está acompanhando diariamente o caso e exige mais empenho da ETX e da Petrobrás para a resolução da situação. A Companhia tem responsabilidades sobre as empresas que contrata, as quais, por sua vez, não podem deixar de cumprir os compromissos assumidos com os trabalhadores.

 

Sindicato também se reuniu com a Petrobrás para cobrar um posicionamento

da Companhia quanto à falta de pagamento

Decisão Judicial – Na esfera judicial, a última decisão foi proferida na quinta-feira, 7. Desta feita, um requerimento de bloqueio das faturas vencidas e a vencer da ETX junto à Petrobrás, que não pede, entretanto, o imediato pagamento dos salários, conforme havia solicitado o Ministério Público do Trabalho – MPT. Por isso, o SINDIPETRO-RN entrou com uma petição, solicitando que seja realizado o pagamento dos valores em aberto com urgência.

Uma burocracia que poderia ter sido evitada caso a Petrobrás tivesse concordado em assinar um Termo de Ajuste de Conduta – TAC, proposto pelo Sindicato, o qual possibilitava que a Companhia realizasse diretamente o pagamento dos débitos trabalhistas a partir dos valores retidos da ETX. A alegação é de que não há condições financeiras para tal, mas a justificativa só pode ser entendida como insensibilidade e descaso, uma vez que esta já foi uma solução adotada pela Petrobrás em casos semelhantes. Ora, como há a possibilidade de fazer o pagamento judicialmente, mas não há mediante TAC?          

Na outra ponta do problema, algumas empresas prestadoras de serviço também já estão tomando medidas judiciais. É o caso da Lupatech e JP óleo, que alugam sondas para a ETX. Das nove unidades operadas pela contratada da Petrobrás, sete pertencem à JP ÓLEO e duas à LUPATEC. Diante do calote, ambas solicitam a quebra do contrato com a ETX e a recuperação dos equipamentos. Enquanto isso, as sondas deverão ser recolhidas pela Petrobrás para a Base-34 ou para espaços particulares das empresas até que a situação com os trabalhadores seja resolvida. 

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