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NOVA PROTAGONISTA

Seminário no Planalto debate sobre nova classe média

Sem movimentos sindicais, Planalto promove pela 1ª vez discussão sobre perfil do novo segmento

09 de agosto de 2011 às 15:10

Nesta segunda-feira, dia 8, o Planalto discutiu pela primeira vez o que a presidente Dilma Rousseff chama de nova classe média, segmento ao qual vem procurando dar maior atenção nas ações do governo. O seminário, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) discutiu as características deste novo segmento sócio-econômico em meio a intelectuais e economistas, mas esqueceu-se de chamar ao debate líderes do movimento sindical, que junto ao presidente Lula, despontou e valorizou a camada emergente.

Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apontou como sendo – na visão dele – um problema da nova classe média, a despolitização. Para ele, a ascensão social da última década foi “individualista”. A maioria dos empregos novos está no setor de serviços e nas cidades médias. Essa característica daria vazão ao consumo reprimido. Mas não despertaria nas pessoas interesse em participar da vida pública via partidos, sindicatos ou ONGs, por exemplo, como ocorreu nos anos 70, com a indústria nas grandes cidades puxando o desenvolvimento. “O consumismo não permite identificar valores”, disse o economista, que acha importante aumentar a “visão democrática” da classe média.

O economista Mario Pezzini, completou “A classe média não é necessariamente democrática”, afirmou. Ele deu como exemplo o país de origem dele, a Itália, onde a classe média foi a base do fascismo.

Segundo Pezzini, mesmo que ainda esteja a consolidar sua classe média, o Brasil já conta com uma vantagem para lidar com as consequências do peso dela: o nível da carga tributária. O economista considera que a carga brasileira não é alta, mas adequada para o Estado prestar serviços públicos, a exemplo do que se vê nos países mais avançados. “O avanço da classe média demanda mudanças na política fiscal, mas não necessariamente aqui no Brasil”, afirmou.

presidente do coube a um instituto de, que nos últimos anos vem ganhando a vida ensinando clientes a chegar até o novo consumidor brasileiro.
O presidente instituto de pesquisas Data Popular, Renato Meirelles, acrescentou ao afirmar que a nova classe média sobe na vida, mas tem postura própria e bem diferente da velha elite. Relaciona-se mais com os vizinhos, tem mais orgulho de ser brasileira, dá mais valor aos estudos, pesquisa preços primeiro, é mais empreendedora. “A elite tem sua forma de pensar pautada na exclusividade. A nova classe média se sente parte de uma rede de relações”, disse Meirelles.

A principal manifestação dessa sociabilidade seriam as redes sociais na internet. A internet tornou-se a fonte de informação mais importante para o grupo, sobretudo dos jovens, os “protagonistas” da classe, ao lado das mulheres. Nos cálculos de Meirelles, a juventude da classe C será, na eleição de 2014, mais numerosa do que as classes A e B inteiras e juntas.

 

Matéria editada

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